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Teste: Renault Duster Dynamique 1.6 CVT - Combinação eficiente

10/02/2019 00:00  - FOTOS: MÁRCIO MAIO/CARTA Z NOTÍCIAS E DIVULGAÇÃO (INTERIOR)
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Renault Duster Dynamique 1.6 CVT alia bom preço, espaço, conforto e trem de força econômico

POR MÁRCIO MAIO
AUTO PRESS

Tem certas movimentações no universo automotivo que, inicialmente, parecem um tanto temerárias. A Renault, por exemplo, manteve o Duster no line up mesmo depois de lançar seu novo SUV compacto, o Captur, ambos com a mesma plataforma, motorizações e base tecnológica. Seria mais do que natural imaginar que um modelo “mataria” boa parte das vendas do outro – fosse pelo visual mais antiquado do Duster, ou pela tabela de preços mais elevada do Captur. Mas o fato é que a fabricante francesa conseguiu, com isso, se destacar novamente nas vendas de utilitários compactos. E o Duster, que parecia fadado à extinção nas lojas, fechou 2018 com 1.965 unidades mensais emplacadas, ou seja, pouco menos que as 2.208 registradas pelo Captur. Juntos, porém, os dois modelos fizeram a Renault ser responsável por despejar mensalmente 4.173 SUVs compactos nas ruas. Isso é mais do que a média de 4.081 unidades mensais emplacadas do Hyundai Creta ao longo do ano passado, o utilitário esportivo compacto mais vendido do Brasil. No caso do Duster, sua boa relação de custo/benefício ajuda nesses números, principalmente na versão Dynamique 1.6 CVT, equipada de forma satisfatória, sem pedal de embreagem e preço competitivo no segmento. 

       Um dos principais apelos para esse crescimento, na verdade, está na adoção da transmissão continuamente variável. Além de eliminar o pedal de embreagem e tirar do condutor a obrigação de se preocupar com as trocas de marchas, ela também se mostra mais vantajosa quando a intenção é garantir um equilíbrio entre conforto e economia de combustível. O câmbio de origem Nissan ganhou um novo tratamento para garantir respostas mais rápidas do motor, que também adotou algumas tecnologias que reduzem o atrito entre as peças.

       O propulsor rende 120 cv e 16,2 kgfm máximos de potência e torque, respectivamente. A sigla SCe vem de Smart Control Efficiency – ou controle inteligente de eficiência. Desenvolvido pela Renault Tecnologia Américas (RTA), o propulsor é fabricado no Paraná e feito em alumínio, garantindo 30 kg a menos que o 1.6 utilizado antes. Traz duplo comando de válvulas variável na admissão e injetores posicionados no cabeçote. A redução do consumo é beneficiada ainda pelo sistema ESM (Energy Smart Management), de regeneração de energia. Durante a desaceleração do carro, quando o motorista retira o pé do acelerador, o motor continua girando sem consumir combustível. O alternador automaticamente passa a recuperar energia e enviá-la à bateria, que ganha carga sem consumo de combustível. Assim, durante a aceleração, o alternador não precisa “roubar” energia do motor para enviar à bateria, já que houve a carga na desaceleração. Além disso, a bomba de óleo com vazão variável ajusta automaticamente o fluxo de óleo enviado de acordo com a rotação e a carga do motor.

       A lista de itens de série não chega a surpreender, mas está dentro do que se espera de um carro familiar. O sistema multimídia tem tela sensível ao toque com sete polegadas e GPS, além de um comando satélite para o som atrás do volante. Controle de velocidade de cruzeiro e controles eletrônicos de estabilidade e tração estão presentes. Além deles, porém, aparecem só mesmo ar-condicionado, direção eletro-hidráulica e trio elétrico. O recheio um tanto enxuto, porém, garante algo importante no segmento: bom custo/benefício. A versão Dynamique do Duster 1.6, com câmbio CVT, parte de R$ 86.990.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 de 120 cv move o Duster sem grandes surpresas, ou seja, de forma honesta. De qualquer forma, não chega a aparecer uma sensação de falta de força. O torque máximo, de 16,2 kgfm, só aparece em 4 mil giros, o que atrasa um pouco ultrapassagens e retomadas quando o carro está mais pesado. O câmbio CVT também anestesia um pouco o propulsor, mas seu foco é na economia de combustível e não no vigor. Nota 7.

 

Estabilidade – O Duster é um carro equilibrado, apesar da altura elevada, típica de sua categoria. Aparatos como controle eletrônico de estabilidade e tração aparecem em conjunto com o câmbio CVT da unidade testada – na variante manual, eles não entram. Porém, a direção tem bom peso e a carroceria não rola além do esperado. Nota 8.

 

Interatividade – De maneira geral, é fácil lidar com o interior do Duster Dynamique. Mas há um detalhe que decepciona demais: a posição da tela de sua central multimídia. O equipamento fica posicionado muito baixo, quase na altura dos joelhos do condutor. É complicado enxergar o que aparece e também manuseá-lo, já que se trata de uma tela touchscreen. Nada prática. Nota 6.

 

Consumo – O Programa de Etiquetagem Veicular do InMetro aferiu 7,1/7,9 km/l na cidade/estrada com etanol e 10,3/10,8 km/l com gasolina, nas mesmas condições. O resultado foi consumo energético de 2,06 MJ/km e notas “D” em sua categoria e “C” no geral. Por outro lado, há uma tecla Eco, que ativa um sistema que amplia a economia de combustível, ao cortar um pouco de força do propulsor. Nota 7.

 

Tecnologia – A plataforma do Duster é a B0, da Dacia, de 2002. O motor 1.6 e a transmissão CVT são de origem Nissan, mas a marca francesa adotou algumas tecnologias surgidas na Fórmula 1 no trem de força, como revestimento em DLC (Diamond Like Carbon) no propulsor, que reduz o atrito entre as peças e compensa em parte a falta de roletes nas válvulas. Nota 7.

 

Conforto – O espaço é bom para pernas e cabeças, tanto à frente quanto atrás. A suspensão absorve bem os desníveis dos pisos brasileiros e o isolamento acústico é bom – quase não se ouve o barulho do motor quando não se pisa com força no acelerador. Nota 7.

 

Habitabilidade – Os porta-objetos a bordo são suficientes para transportar tudo que é necessário e o porta-malas carrega 475 litros. Trata-se de uma capacidade que pode ser considerada boa na categoria em que o modelo atua. Além disso, em função de ser um pouco mais alto, é mais fácil entrar em um Duster do que em um modelo com menos altura. Nota 8.

 

Acabamento – A Renault costuma ser bem econômica nesse aspecto e isso fica bem evidente no Duster. O aspecto mais robusto segue a lógica do exterior, ou seja, transmite uma ideia de resistência, mas não traz nenhum traço de elegância ou luxo. Os plásticos rígidos aparecem em abundância e nem todas as superfícies são agradáveis ao toque. Nota 6.

 

Design – O Duster foi lançado em uma época em que era comum os SUVs apostarem em uma imagem mais robusta e menos contemporânea. Até hoje, seu desenho insiste no estilo quadradão e pouco instigante. E é preciso lembrar: uma nova geração do modelo já existe na Europa e será vendida em breve no Brasil. Nota 6.

 

Custo/Benefício – O Renault Duster Dynamique 1.6 CVT custa R$ 86.990, um preço bastante competitivo no segmento em que atua, considerando sua lista de itens de série. A motorização não é muito vigorosa, mas nem todo mundo busca desempenho quando opta por um SUV compacto. Mas um Ford Ecosport SE 1.5 automático sai da loja por R$ 85.250 e chega a ser mais bem equipado que o Duster Dynamique, além de mais potente, com 136 cv. Nota 7.

 

Total – O Renault Duster Dynamique 1.6 CVT somou 69 pontos de 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Equilíbrio de valores

       É normal que a escolha de um automóvel vá além de fatores racionais. Nesse sentido, o design e o recheio tecnológico são dois dos pontos que mais chamam a atenção dos consumidores, segundo apontam as próprias marcas. Talvez por isso cause tanto estranhamento uma fabricante apostar em um desenho tão datado quanto o do Renault Duster. Circular com um modelo 2019 ou um de quatro ou cinco anos atrás causa o mesmo impacto nas ruas: nenhum olhar curioso, nem mesmo por uma opção de cor nova ou mais ousada no catálogo do SUV. E isso certamente depõe contra o carro. 

       O interior decepciona um pouco, já que parece um tanto simples para um veículo que custa quase R$ 90 mil. O espaço, porém, é bom e quatro passageiros viajam bem, sem apertos. A central multimídia é funcional, mas falta uma interatividade maior com smartphones. Apple CarPlay e Android Auto ficam de fora, o que faz com que o equipamento pareça um tanto defasado. 

       Em movimento, o Duster 1.6 com câmbio CVT é um crossover que não chega a empolgar, mas não faz feio. Basta pisar com um pouco mais de força o acelerador para o carro ganhar alguma agilidade, só que sem grandes rompantes de potência. O torque máximo, de 16,2 kgfm, só dá as caras aos 4 mil giros. E é perto dessa faixa de rotação mesmo que o SUV se mostra mais enérgico.

 

Ficha técnica

Renault Duster Dynamique 1.6 CVT

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.597 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Continuamente variável (CVT) com opção de trocas sequenciais de seis marchas pré-programadas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 118 cv e 120 cv com gasolina e etanol a 5.500 rpm.

Torque máximo: 16,2 kgfm com gasolina e etanol a 4 mil rpm.

Diâmetro e curso: 78 mm X 83,6 mm. Taxa de compressão: 10,7:1.

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos, triângulos inferiores e molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 205/60 R16.

Freios: Discos ventilados na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com controle de saída em rampa.

Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,32 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,68 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.

Peso: 1.240 kg.

Capacidade do porta-malas: 475 litros.

Capacidade tanque de combustível: 50 litros.

Itens de série: Barras de teto longitudinais, revestimento do porta-malas, retrovisores externos na cor da carroceria, repetidor de pisca-alerta lateral, luzes diurnas, faróis de neblina, travas elétricas com travamento automático das portas a 6 Km/h, Isofix, alarme perimétrico, vidros dianteiros e traseiros com função one touch, sistema antiesmagamento e fechamento pela chave, computador de bordo com 10 funcionalidades, ar-condicionado, regulador e limitador de velocidade, volante com regulagem de altura, indicador de temperatura externa, banco do motorista com regulagem em altura, volante com revestimento parcial em couro, banco traseiro com encosto bipartido, direção eletro-hidráulica, câmera de ré, função Eco, painel com iluminação permanente, retrovisores externos com regulagem elétrica e sistema multimídia com tela touchscreen de sete polegadas e navegação GPS. 

Preço: R$ 86.990.

 

TRÂNSITO LIVRE

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