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Teste: Honda Accord geração 10 - Sedução racional

06/12/2018 05:00  - FOTOS: EDUARDO ROCHA/CARTA Z NOTÍCIAS
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Novo Honda Accord aposta na esportividade como tática de sobrevivência no combalido segmento de sedãs
 
POR EDUARDO ROCHA
AUTO PRESS


As três grandes montadoras americanas, Ford, Chevrolet e Fiat Chrysler, já decretaram que, daqui para a frente, vão se concentrar em picapes, SUVs e carros elétricos. Ou seja: vão abandonar segmentos que foram importantíssimos até aqui, principalmente nos mercado norte-americano, como o de sedãs. Há quem veja nesse movimento uma boa dose de precipitação. Uma atitude que dificilmente se veria em uma montadora japonesa, que costuma preferir ações evolutivas, no lugar das revoluções. O novo Honda Accord é um bom exemplo disso. A 10ª geração do sedã, que desembarca agora no Brasil, investe em uma ligeira mudança de conceito. Deixa de lado o lado mais conservador e investe na esportividade. A lógica é defensável: quem valoriza desempenho e comportamento dinâmico, dificilmente vai se imaginar atrás do volante de um SUV.

O sedã, fabricado nos Estados Unidos, está à venda no Brasil em uma única versão, que sai por exatos R$ 198.500 e traz todos os recursos disponíveis no modelo. Mas o que chama realmente a atenção é o novo visual, que segue o mesmo conceito de design adotado recentemente no Civic. As linhas são bem esportivas e aerodinâmicas, com a coluna dianteira bastante inclinada e a traseira com um caimento extremamente suave, de cupê. As proporções também são as mesmas do Civic, com um capô longo, uma linha de cintura alta e a traseira truncada, o sedã tem um certo ar de “pony car”.
A frente ostenta um elemento típico da marca, a grossa barra cromada que afina na direção dos faróis, com o H da marca vazado ao centro. Em conjunto com a grade, faz uma referência às asas do logo da Honda. Os faróis full led são bem afilados e na traseira as lanternas têm o formato de bumerangue. Nessa nova geração, o Accord reduziu suas dimensões externas, mas aumentou a área útil para passageiros e bagagens. Ele tem 4,89 metros de comprimento com 2,83 m de entre-eixos, 1,86 m de largura e 1,46 m de altura. Ficou 1,4 cm mais curto, 1,2 cm mais largo e 1,5 cm mais baixo, mas com um entre-eixos 5,5 maior. O volume para bagagens cresceu 68 litros, para 574 no total. O peso do modelo, no entanto, caiu em 72 kg, para 1.547 kg.
Em parte, essas alterações dimensionais foram viabilizadas pela mudança no sistema de propulsão. A Honda adotou a filosofia do downsizing de forma bem acentuada. O motor 3.5 V6 aspirado dá lugar a um 2.0 turbo, que utiliza o mesmo bloco aplicado ao esportivo Type R. No confronto entre os dois, a potência máxima até caiu, de 280 cv para 256 cv, enquanto o torque subiu um pouco, de 34,6 para 37,7 kgfm. A diferença está no regime de rotações que ele aparece. O torque máximo, que aparecia em 4.900 giros, desabou para 1.500 rpm – e se mantém no topo até 4 mil giros. O câmbio automático de seis marchas sai de cena para a entrada de um caixa de 10 velocidades extremamente compacta, que utiliza os dois lados de cada engrenagem para dobrar o número de relações.
Como o sedã é hoje o veículo de topo da marca japonesa no mundo, a Honda tratou de caprichar no conteúdo e incluiu o Honda Sensing, inédito por aqui. Trata-se de um pacote de sistemas de auxílio à condução que se utilizam de uma câmara no para-brisa e um radar no para-choque para intervir. O sistema inclui controle de cruzeiro adaptativo, controle de faixa com assistência ao esterçamento do volante, câmara frenagem de emergência e monitoramento de atenção do motorista.
O Accord traz ainda um recheio que contraria o estoicismo tradicional da marca, como tela flutuante no console central, ar-condicionado de duas zonas, bancos elétricos com memória vinculada a cada uma das duas chaves, acabamento interno em couro, bancos ventilados, teto solar elétrico, chave presencial para travas e ignição, câmbio automático controlado por botões e painel com tela de 7 polegadas configurável, ao lado de um velocímetro tradicional com ponteiro.
No Brasil, até pelo preço, o Accord terá a função de carro de imagem da marca. A ideia é que o sedã vá atender principalmente executivos de empresas japonesas que moram no Brasil. Tanto que a expectativa de vendas é bem modesta: 130 unidades em todo o decorrer de 2019. Aproximadamente a mesma média que o modelo vem cumprindo no mercado brasileiro nos últimos anos. 
 
 

Ponto a ponto
 
Desempenho – O novo motor do Accord segue a lógica “médico e monstro”. Se o acelerador é usado de forma leve, é um sedã executivo suave e confortável, que proporciona ganhos de velocidade progressivos. Se a pressão do pedal é forte, a resposta é agressiva. Até mesmo o barulho do motor muda, pois na condução mais esportiva, o sistema sonoro que anula os ruídos no habitáculo motor é desligado. A relação peso/potência de 6,15 kg/cv é digna de esportivos. Nota 9.
 
 
 
Estabilidade – Embora a geografia do trajeto de test-drive designado pela Honda não ajudasse, nas poucas oportunidades que apareceram, o Accord se mostrou “bom de chão”. A carroceria praticamente não rola nas curvas – além de leve, tem uma rigidez torcional 32% superior à da antiga geração. Em retas, a estabilidade é absoluta e é preciso ficar de olho no velocímetro, pois a sensação é que se está em uma velocidade bem inferior à real. Nota 8.
 
 
 
Conforto – O habitáculo do Accord é extremamente generoso com quatro ocupantes – transportar cinco passageiros é indicado apenas em trajetos curtos. Os bancos dianteiros são macios, ergonômicos e sustentam bem corpo – e ainda são ventilados. A suspensão, como o modelo em geral, segue a lógica de privilegiar a esportividade e se mostra bastante firme. Nas ruas remendadas das cidades brasileiras, isso acaba incomodando um pouco. Nota 8.
 
 
 
Tecnologia – A 10ª geração do Accord chega com diversas novidades construtivas para a marca. Como a solda a laser n o teto e a utilização de nada menos que oito tipos de aço, com propriedades diferentes, dependendo do ponto onde são aplicados, que resultou em um modelo 72 kg mais leve. O motor 2.0 turbo e o câmbio de 10 marchas também apresentam tecnologia de ponta para um produto com produção em série. Já o Honda Sensing é uma boa novidade, mas não impressiona. Diversos modelos, até mais em conta que o Accord, já têm este tipo e tecnologia. No mais, tem todos os auxílios normais, como controle de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, etc. Nota 9.
 
 
 
Habitabilidade – A nova distribuição de espaço entre a parte mecânica e a área útil favoreceu bastante o novo Accord. O porta-malas aumentou a capacidade para 574 litros ao mesmo tempo que as dimensões longitudinais ficaram mais amplas. Os recursos de conforto, como som, climatização e isolamento acústico, também melhoram a vida a bordo. Os sistemas de supressão de ruídos do Accord são extremamente eficientes. Tanto o recurso de emissão de ondas sonoras com frequência invertida quanto os ressonadores instalados dentro das rodas. Nota 8.
 
 
 
Consumo – O Honda Accord não figura na tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro, mas a montadora promete um consumo de 9,0 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada. E “beberrão” para um carro que consome apenas gasolina. Estes índices deixariam o sedã com nota D na categoria e C no geral.  No teste, o computador de bordo anotou um consumo compatível com a promessa da montadora. Nota 6.
 
 
 
Interatividade – Os recursos que o Accord oferece são bastante condizentes com a proposta do modelo. Parte do painel principal é composto por uma tela de 7 polegadas configurável e o sistema multimídia tem GPS interno, mas também faz a conexão via cabo com Apple Carplay e Android Auto. A tela flutuante no console central é sensível ao toque, mas também tem botões físicos para o comando. Praticamente todas as funções podem ser acessadas através do volante multifuncional. O modelo conta ainda com o LaneWatch, que consiste em uma câmara que exibe a faixa da direita sempre que a seta é acionada para este lado, onde há um ponto cego no retrovisor. Nota 8. 
 
 
 
Acabamento – Os modelos da marca japonesa sempre utilizaram materiais resistentes, que mantêm a aparência ao longo dos anos. Mas a cada nova geração, a Honda se preocupa cada vez mais em adicionar também um toque de requinte. O interior do Accord não é sofisticado, mas tem uma dose atraente de luxo. Nota 9. 
 
 
 
Design – O novo conceito de design da Honda deixou os sedãs da marca com um visual esportivo e com bastante personalidade. Esta impressão é acentuada pela distribuição dos volumes, com um capô longo e uma traseira de caimento suave. Frente e traseira têm linhas modelos, principalmente pelos conjuntos óticos em led. No caso do Accord, a linha de cintura alta dá um aspecto bem robusto ao modelo. Nota 9. 
 
 
 
Custo/benefício – Os carros da Honda são, de maneira geral, ligeiramente mais caros que os modelos correspondentes de marcas generalistas. A montadora japonesa sabe que confiabilidade é valor e quantifica isso na tabela de preços. Os R$ 198.500 pedidos pelo modelo limitam bastante o público do modelo, pois rivais de mesmo tamanho, como Ford Fusion, Volkswagen Passat e Toyota Camry, são entre 10 e 15% mais baratos. Nota 6.
 
 
 
Total – O Honda Accord Touring somou 80 pontos de 100 possíveis.
 
 
 
Primeiras impressões
 
Descaminhos providenciais

Cabreúva/São Paulo – Os caminhos desenhados pela equipe que montou o test-drive no lançamento do Accord foram bem tortuosos. Tudo para escapar dos engarrafamentos permanentes criados pela interdição de parte da Marginal Pinheiros, na capital paulista. Foram ruelas estreitas e passagens por lugares desacostumados a um trânsito tão intenso, até que se alcançasse a Rodovia Bandeirantes, na direção de Cabreúva. Mas foi uma ótima oportunidade para avaliar como o novo motor 2.0 turbo do sedã da Honda se comporta em situações reais do dia a dia. Lombadas, subidas íngremes e os valões típicos de São Paulo foram enfrentados com facilidade. Por outro lado, são ruas menos cuidadas que as principais avenidas e aí se percebe um limite do sedã: ele não é feito para enfrentar um asfalto tão remendado como os que se costuma encontrar nas cidades brasileiras. A suspensão e os ocupantes sofrem com as irregularidades. É o preço que se paga pela vocação mais esportiva que a Honda adotou.
 
Por outro lado, o novo Accord se mostra um carro generoso em relação ao conforto. Os bancos têm ajustes elétricos e são ventilados, o ar dual zone é muito eficiente e o silencia a bordo é absoluto. Não se ouve nem o barulho do motor, nem dos pneus no piso. Tudo muda, no entanto, quanto o motor é chamado com mais energia. O ronco rascante aparece e o propulsor mostra uma disposição invejável – em consonância, no entanto, com a sede de gasolina. A Honda não divulga números de desempenho, mas já foi avaliado que o zero a 100 km/h do modelo fica em torno de 6 segundos.
 
O câmbio de 10 marchas conversa muito bem com o propulsor turbo. E é sempre melhor deixar o computador controlar este relacionamento, que não é simples. As intervenções do motorista, através dos paddles shifts, são bem-vindas numa entrada de curva, onde pode-se reduzir as marchas para melhorar o tracionamento. Não se deve, porém, se “pendurar” no motor, pois no limite de giros, o sistema passa a marcha em vez de cortar a injeção, como ocorreria em um modelo mais esportivo.
 
No trânsito, torna-se muito útil o recurso do LaneWatch, que exibe a imagem da faixa da direita sempre que a seta é aciona. Mas caso se esteja consultando o GPS, o recurso deve ser desativado, pois ele se sobrepõe ao navegador. Exatamente nos momentos em que se vai entrar à direita, o motorista que não conhece o caminho fica às cegas. Em geral, o Accord se mostra um sedã sólido, confortável e bastante agradável, com um visual que não chega a ser ousado, mas é bastante moderno.
 
 
 
Ficha técnica
 
Honda Accord Touring
 
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, quatro cilindros em linha, sobrealimentado por turbo-compressor, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão e no escape. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
 
Transmissão: Transmissão automática de 10 marchas com paddles shifts no volante. Tração dianteira e controle eletrônico de tração de série.
 
Potência máxima: 256 cv a 6.500 rpm.
 
Torque máximo: 37,7 kgfm entre 1.500 e 4 mil rpm.
 
Diâmetro e curso: 86,0 mm X 85,9 mm. Taxa de compressão: 9,8:1.
 
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira multilink. Controle eletrônico de estabilidade.
 
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e sistema de frenagem automática.
 
Pneus: 235/45 R18.
 
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,89 metros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,46 metro de altura e 2,83 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e cortina e de joelho para motorista e carona.
 
Peso: 1.547 com 483 kg de carga útil.
 
Capacidade do porta-malas: 574 litros.
 
Tanque de combustível: 56 litros.
 
Produção: Marysville, Ohio, Estados Unidos.
 
Lançamento da 10ª geração: outubro de 2017.
 
Lançamento no Brasil: novembro de 2018.
 
Preço: R$ 198.500.
 
 
 
 

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