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Tempo de despertar: Fiat aposta no Cronos para recuperar prestígio e ganhar volume entre os sedãs compactos

06/03/2018 14:07  - Fotos: Eduardo Rocha
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Tempo de despertar: Fiat aposta no Cronos para recuperar prestígio e ganhar volume entre os sedãs compactos

por Eduardo Rocha

Auto Press

Muitas vezes, liderar determinado mercado pode ser bom para a imagem da marca mas ruim para os negócios. Para manter o topo do ranking, a empresa pode se ver obrigada a abrir mão de parte de sua lucratividade. Foi exatamente por isso que nos últimos meses, a Fiat promoveu um verdadeiro enxugamento no seu line up no Brasil. De lá para cá saíram de linha modelos que sentiam o peso da idade e perdiam vendas, como as versões da primeira geração do Palio e do Siena, o Linea, o Punto, o Idea e mais recentemente, o próprio Palio. Tudo para preparar a chegada dos novos compactos da marca: o hatch Argo, lançado em maio de 2017, e o sedã Cronos, apresentado neste final de fevereiro. A aposta da fabricante é que o novo modelo vai marcar uma forte retomada nas vendas de sedã compactos.

O Cronos chega em uma faixa de preços que permite a ela rivalizar tanto com sedãs mais básicos, como Chevrolet Prisma, Hyundai HB20 e Toyota Etios, como também com os mais sofisticados, como o Volkswagen Virtus ou o Honda City. Ele começa em R$ 53.990, na versão com motor Firefly 1.3 de 101/109 cv com gasolina/etanol com câmbio manual, e vai até R$ 69.990 na top Precision, com motor Etorq Evo 1.8 de 135/139 cv com gasolina/etanol e câmbio automático de seis marchas. A distribuição dos itens pelas versões é bem semelhante à parte central da gama do Argo, sem contar as despojadas 1.0 e as esportivas HGT.

Desde a versão básica 1.3, o Cronos traz ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros e trava elétricos, chave com telecomando, rádio com conexões Bluetooth e USB, computador de bordo, volante com comandos de rádio e telefone, display TFT de 3,5 polegadas no painel de instrumentos, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, ajuste de altura do banco do motorista, cintos de segurança de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes e volante regulável em altura.

Na sequência, vem a versão Drive 1.3, que acrescenta R$ 2 mil ao preço e adiciona um sistema multimídia com tela touch de 7 polegadas. Por mais R$ 60.990, ou R$ 5 mil adicionais, esta versão recebe o câmbio automatizado GSR, com paddle shifts no volante, e diversos equipamentos que melhoram bastante o custo/benefício do modelo, como o sistema start/stop, que desliga o motor quando o carro está imóvel, controle de velocidade de cruzeiro, apoio de braço para o motorista, vidros elétricos traseiros, espelhos elétricos, repetidores de seta integrados, assistente de partida em rampas e controle eletrônico de estabilidade e de tração.

O degrau seguinte é a versão Precision, que já traz a motorização 1.8 com câmbio manual e custa R$ 62.990. Ela custa R$ 7 mil a mais que a Drive 1.3 manual e acrescenta day light em led, rodas de liga leve aro 16, faróis de neblina, retrovisores e vidros traseiros elétricos, banco traseiro bipartido, sensor de estacionamento traseiro e alarme. Em compensação, perde o controle de velocidade de cruzeiro e o apoio de braço para o motorista. O topo da gama é a Precision AT6, com propulsor 1.8 e câmbio automático de seis marchas. Ele recupera os dois itens perdidos na versão manual e ganha volante em couro e detalhes cromados no interior – e custa R$ 69.990.

Um conceito que caracteriza esta nova fase da Fiat é a valorização da marca de acessórios Mopar, que foi parar nas mãos da marca italiana quando a Chrysler foi comprada. Diversos itens mais sofisticados para o Cronos só são comprados como acessórios – diferentemente do que acontece com os rivais. Caso da câmara de ré, sistema de chave presencial, airbags laterais dianteiros, display TFT de 7 polegadas e alta resolução no painel de instrumentos, ar-condicionado automático digital, espelho retrovisor interno eletrocrômico, espelhos retrovisores externos com rebatimento elétrico sensor de chuva, sensor de luminosidade, bancos em couro e rodas de liga leve de 17 polegadas. Itens capazes de elevar o valor do modelo para quase R$ 80 mil.

Tanto o Cronos quanto o Argo são baseado na plataforma MP da FCA. No caso do hatch é a MP1 e no sedã é a MPS, evoluções da arquitetura desenvolvida para o Punto brasileiro. O compartilhamento entre as plataformas de Argo e Cronos fica concentrada em 30% da carroceria, basicamente nas travessas que amarram as estruturas. Daí o entre-eixos dos dois modelos ter os mesmos 2,52 metros. Tem também a mesma altura de 1,51 m e a largura de 1,73 m. No comprimento, o Cronos é 36 cm maior, com 4,36 m, e a maior parte desse ganho foi convertido em ganho de capacidade no porta-malas, que comporta 525 litros. Mas uma parte foi para os passageiros de trás, pois a engenharia da marca recuou e rebaixou o assento traseiro para melhorar o espaço interno.

O segmento em que o novo modelo atua é mensurado em cerca de 360 mil unidades por ano. No ano passado, no entanto, a Fiat abocanhou uma fatia de apenas 25 mil carros – basicamente com o Gran Siena. Isso quer dizer que as vendas da montadora certamente vão crescer entre os sedãs compactos, mas a função do Cronos é devolver à marca italiana um protagonismo que ela perdeu nos últimos anos.

Impressões ao dirigir

Jeitão familiar

Rio de Janeiro/RJ – O Cronos é uma aposta sem grandes riscos para a Fiat. O novo sedã compacto até tem alguma personalidade própria, com o terceiro volume e a frente com para-choque e grade diferentes do Argo, mas em essência, não é muito diferente. Em relação ao hatch, ele é pouco mais de 20 kg mais pesado e demonstra basicamente o mesmo comportamento dinâmico. Isso significa que, em relação à estabilidade, é bastante neutro e a direção elétrica tem boa comunicação com as rodas. Em relação aos propulsores, nada que provoque entusiasmo.

Em situações urbanas, o motor que se sai melhor é o pequeno Firefly 1.3, de oferece o torque em giros mais baixos. Já a partir da arrancada, entre 1.500 e 2 mil giros, o propulsor já mostra um bom vigor. No caso do motor 1.8, ele só acorda mesmo a partir das 2.500 rpm, o que causa impressão de que falta força. Em velocidades mais altas, a situação se inverte: o 1.8 se sai melhor, embora o 1.3 não deixe muito a desejar – levando-se em conta que se trata de um compacto.

Quando o motor se junta a um sistema de câmbio automático, novamente o 1.8 leva vantagem. O câmbio automático de seis marchas é rápido e entende a intenção no motorista com rapidez. O regime de giros para a troca de marcha é totalmente obediente à pressão no acelerador. Com pouco tempo ao volante, pode-se comandar facilmente o comportamento do carro. Já o câmbio GSR, embora tenha evoluído bastante em relação ao antigo Dualogic, ainda gera demora e desconforto no processo de acionar a embreagem automaticamente e trocar a marcha.

Por dentro, o Cronos é bastante semelhante ao Argo e traz a mesma limitação de não ter ajuste de profundidade do volante – recursos presente em diversos rivais mais antigos no mercado. A maior diferença é mesmo no espaço traseiro, com a mudança do banco traseiro, que permite que passageiros mais altos tenham algum conforto. Os comandos são bem localizados e de fácil manuseio. Não há luxo e os materiais de acabamento não impressionam, mas o padrão de montagem é bom e o design interno, bem agradável.

TRÂNSITO LIVRE

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