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Teste: lançamento do Renault Kwid - Aposta criativa

09/08/2017 09:00  - Fotos: Luiz Humberto Monteiro Pereira/ Carta Z Notícias
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Renault inova no segmento de modelos de entrada com lançamento do Kwid
 
por Luiz Humberto Monteiro Pereira
Auto Press
 
Quando se pensa nos modelos “de entrada” das fabricantes generalistas de automóveis, as opções se limitam aos hatches compactos ou subcompactos. Mas tal oferta dos modelos mais baratos do mercado não atende as expectativas da maioria dos consumidores. No Brasil, como em muitos países do mundo, o segmento dos utilitários esportivos é o único que não para de crescer nos últimos anos. Não por acaso, seja entre as marcas de luxo ou as mais populares, são sempre os SUVs, jipinhos ou modelos com imagem “aventureira” que “roubam a cena” nos salões de automóveis. A Renault percebeu esse descompasso entre a demanda do mercado e a oferta de veículos “de entrada” e resolveu lançar o Kwid. Definido pelo marketing da marca como “o primeiro SUV compacto urbano”, acaba de chegar às concessionárias brasileiras para suceder o veterano hatch Clio.
O Kwid foi lançado na Índia em 2015 e sua versão brasileira, que recebeu diversas modificações, foi apresentada como modelo final no Salão de Buenos Aires, em junho passado. Para reduzir os custos, foi adotada uma plataforma modular – a CMFA – que deverá ser compartilhada por outros compactos da Renault, Nissan e Datsun. Embora seja homologado no Brasil como um utilitário esportivo compacto, o mais novo modelo da marca francesa poderia ser definindo como um hatch subcompacto que incorpora características valorizadas pelos compradores de SUVs: suspensão levantada e reforçada e bons ângulos de ataque e de saída. Com seus 3,68 metros de comprimento,1,58 m de largura, 1,47 m de altura e 2.42 m de entre-eixos – dimensões similares às do concorrente subcompacto Volkswagen Up –, o pequeno Kwid ganha imponência pela altura elevada do solo: 18 cm. Com ângulo de entrada 24° e de saída de 40°, pode encarar com alguma desenvoltura os quebra-molas e os buracos lamentavelmente corriqueiros nas ruas nacionais. 
Ciente de que o consumidor de automóveis normalmente é bastante influenciado pelo que vê, a Renault investiu bastante no design do Kwid. O estilo segue a nova identidade visual da marca e foi desenvolvido em parceria entre os estúdios do Renault Design Network (Brasil, França e Índia). Com formas robustas e musculosas e para-lamas encorpados, o Kwid aparenta ser maior do que é. A grade frontal, ladeada por faróis alongados, é similar às dos novos SUVs da marca em todo o mundo e destaca o proeminente logotipo losangular da Renault. Na traseira, o discreto aerofólio e o revestimento em preto abaixo da tampa do porta-malas reforçam a esportividade. No centro da logomarca da tampa do porta-malas está oculta a câmera traseira. O design interior é coerente com o estilo externo e ressalta o aspecto rústico, típico dos SUVs. Muitos detalhes no interior remetem ao Sandero. A posição de dirigir é elevada e o espaço para quem viaja atrás é decente para um subcompacto. O compartimento de bagagem acomoda 290 litros – 5 a mais que o do Volkswagen Gol – e, com o banco traseiro rebatido, chega até 1.100 litros. 
Além da imagem “aventureira”, outro atributo que anda em alta nesses tempos bicudos é o baixo consumo – mas sem abrir mão de uma performance satisfatória. Para isso, o Kwid conta com o motor 1.0 SCe (Smart Control Efficiency) com três cilindros, 12 válvulas, duplo comando de válvulas (DOHC), bloco em alumínio e corrente de distribuição no lugar da correia, que trabalha sempre acoplado a uma transmissão manual de cinco marchas. Com etanol no tanque, rende 70 cv de potência a 5.500 rpm e torque de 9,8 kgfm a 4.250 rpm. Com gasolina, são 66 cv a 5.500 rpm e 9,4 kgfm a 4.250 rpm. Com apenas 758 kg, o Kwid oferece boa relação peso/potência e ainda garantiu nota A nos testes de consumo do InMetro: registrou 15,2 km/l com gasolina e 10,5 km/l quando abastecido com etanol, em trajeto misto (urbano-rodoviário). Para ajudar nesse aspecto, além do indicador de troca de marchas (GSI) no quadro de instrumentos, de série em todas em as versões, o Kwid traz um indicador de estilo de condução abaixo do velocímetro, que por meio de uma barra com três cores (verde, amarelo e laranja) mostra se o motorista está dirigindo com eficiência ou não. 
A Renault não poderia esquecer o fator mais importante no segmento de modelos “de entrada”: preços competitivos. No Kwid, a versão Life parte de R$ 29.990, a intermediária Zen com rádio sai por R$ 35.390 e a “top” Intense com Pack Connect custa R$ 39.990. Mas chegar ao mercado com um modelo novo e praticar valores competitivos em relação à concorrência já estabelecida requer sacrifícios. Em todas as versões, as rodas são de aço e aro 14" – na Intense, recebem uma calota Flexwheel, que simula uma roda de liga-leve. Rodas de liga-leve de verdade são sempre opcionais. As travas das portas não são na maçaneta, mas em anacrônicos pinos no alto das portas, abaixo dos vidros. Não há qualquer ajuste de altura do volante ou dos bancos. A versão Life – aquela que cumpre a função de aparecer nas campanhas publicitárias com o preço “a partir de” – traz como itens de série mais relevantes a direção hidráulica, os dois airbags laterais – algo inédito no segmento de entrada –, dois Isofix, predisposição para rádio e indicadores de troca de marcha e de condução. Equipamentos triviais como direção elétrica, ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos, rádio com Bluetooth e entradas USB e AUX aparecem apenas na versão intermediária Zen. Já “pequenos luxos” como retrovisores elétricos, faróis de neblina cromados, abertura elétrica do porta-malas e chave dobrável estão disponíveis somente para quem compra a versão de topo Intense. E quem se dispuser a pagar um pouco mais pode recorrer à linha de acessórios que inclui, além das rodas de liga-leve, itens como porta-celular, carregador USB, alarme, sensor de estacionamento, faróis de neblina e soleiras das portas, entre outros. Opcional da versão Intense, o chamado Pack Connect reforça a conectividade com o Media Nav 2.0, central multimídia com tela touchscreen de 7 polegadas integrada ao painel que integra GPS, ligações, Bluetooth e câmera de ré.

Ponto a ponto
 
Desempenho – O motor 1.0 litro de 12V move o Kwid com dignidade, dentro de sua proposta urbana. Rende 70 cv de potência a 5.500 rpm e torque de 9,8 kgfm a 4.250 rpm, com etanol, e 66 cv a 5.500 rpm e 9,4 kgfm a 4.250 rpm, com gasolina. Não chegam a ser números que insinuem qualquer esportividade, mas, com seus 758 kg, o modelinho facilita a tarefa do trem de força. Para uso urbano, dá e sobra. Nas estradas, as limitações de torque e potência se tornam mais perceptíveis, algo comum em modelos com motor 1.0. Nota 7.
 
Estabilidade – No uso urbano corriqueiro e civilizado, o Kwid se mostra equilibrado. A opção por um ajuste mais rígido da suspensão evita que o carro aderne demasiadamente nas curvas, mas compromete um pouco o conforto. Os pneus aro 14 são estreitos e não acrescentam muita coisa nesse aspecto. Já a direção elétrica – de série na versão "top" Intense avaliada – facilita bastante as manobras de estacionamento, mas não transmite uma percepção de muita precisão nas velocidades mais elevadas. Nota 7.
 
Interatividade – Algumas "economias" feitas pela Renault para deixar o preço do Kwid mais competitivo se refletem negativamente nesse aspecto. Ajuste de altura do volante e do banco não existem. A solução é ajeitar o banco para trás ou para a frente para achar a melhor posição possível. E a opção de colocar as travas das portas em pinos no alto das portas, abaixo do vidro – um posicionamento já "aposentado" há décadas nos automóveis nacionais –, não ajuda nada em termos de ergonomia. Quando se quer abrir a porta, não basta seguir o reflexo natural e puxar a maçaneta – nesse caso, a porta não abre. É necessário levantar o pino na porta, algo que requer alguma flexibilidade, ou acionar um botão na parte central do painel, sob o rádio – algo nada intuitivo. Felizmente os outros comandos se encontram em locais bem acessíveis e visíveis. A central multimídia Media Nav 2.0 é bem interativa: inclui GPS, câmera de ré e tela sensível ao toque de sete polegadas. Nota 6.
 
Consumo – Nesse aspecto, a Renault fez sua lição de casa. O Kwid participa do Programa de Etiquetagem do InMetro e obteve nota A no geral e na categoria. Na cidade, faz 14,9 km/l com gasolina e 10,3 km/l com etanol. Na estrada, 15,6 km/l com gasolina e 10,8 km/l com etanol. E no uso misto, os números são 15,2 km/l com gasolina e 10,5 km/l com etanol. O indicador de troca de marchas e o indicador de estilo de condução do Kwid estimulam uma utilização mais racional do combustível. Nota 10.
 
Conforto – Apesar de ter uma suspensão elevada típica dos utilitários esportivos, o espaço interno do Kwid é de subcompacto. Com seus 2,42 metros de entre-eixos – dimensão idêntica à do Up –, o novo Renault permite transportar quatro adultos sem problemas. Cinco já acarretam em um aperto generalizado no banco traseiro. Grande charme do Kwid, a suspensão elevada se revela bem adequada às sofridas ruas do Brasil e encara quebra-molas e buracos cotidianos sem dar sinais de sofrimento. Poderia ser mais confortável se o ajuste da suspensão traseira não fosse tão rígido, mas talvez o comportamento dinâmico nas curvas fosse comprometido. Nota 7.
 
Tecnologia – A plataforma modular CMFA é nova – mas a versão indiana do Kwid, lançada em 2015, levou recentemente nota zero no crash test do Global NCAP, órgão de segurança viária da Ásia. A Renault brasileira minimiza o fato afirmando que o carro produzido no Paraná foi reprojetado em relação ao indiano e recebeu aços de alta resistência na estrutura. O motor 1.0 de três cilindros também é moderno, mas foi "aliviado" de alguns recursos tecnológicos em relação ao que havia estreado no final do ano passado no Sandero, com 82 cv com etanol – no Kwid, são 70 cv. Já a existência de airbags laterais de série, além dos frontais obrigatórios, é uma inovação tecnológica bem-vinda no segmento de modelos de entrada. Em termos de entretenimento e conectividade, há a opção de central multimídia Mídia NAV 2.0, com tela sensível ao toque de sete polegadas e GPS. Nota 7.
 
Habitabilidade – Embora com as limitações de espaço inerentes aos subcompactos, mão é difícil entrar e sair do Kwid. Uma vez lá dentro, há bons espaços para quatro adultos e para objetos. O porta-luvas é profundo e permite guardar muito coisa. O porta-malas tem capacidade para 290 litros – 5 litros a mais que o Gol. Nota 8.
 
Acabamento – Nesse quesito, o Kwid não oferece nada requintado, mas também nada comprometedor. São plásticos rígidos, há uma ou outra rebarba aparente – principalmente nos parassois –, mas os encaixes são corretos. Na versão Intense, o sistema multimídia é envolvido por acabamento em preto brilhante, o que contribui com a percepção de qualidade do habitáculo. Nota 7.
 
Design – As linhas do Kwid são fluidas e equilibradas, reforçando o aspecto de robustez do carrinho. E a suspensão elevada reforça o ar imponente e faz o carrinho parecer bem maior do que efetivamente é. No segmento de entrada, o Kwid certamente é uma opção bastante diferenciada em relação à concorrência. Nota 8.
 
Custo/benefício – A versão Life sai de R$ 29.990, a intermediária Zen com rádio parte dos R$ 35.390 e a "top" Intense com Pack Connect custa R$ 39.990. São valores competitivos em relação à concorrência – composta pelas versões aventureiras ou de entrada de modelos bons de venda como Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Volkswagen Gol e Up, Ford Ka e Fiat Uno, entre outros. Detalhes como estilo jovem e aventureiro, suspensão elevada e economia de combustível podem pesar a favor do novato da Renault. Nota 8.
 
Total – O Renault Kwid Intense levou 75 pontos de 100 possíveis.
 
Primeiras impressões
 
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São Paulo/SP - A Renault conseguiu um feito inegável com o lançamento do Kwid – saiu da mesmice. Agregar o charme aventureiro dos utilitários esportivos a um modelo de entrada foi, sem dúvida, uma sacada e tanto. Embora a Renault não revele dados sobre o volume de produção ou expectativas de venda, informa que a procura do modelo na fase de pré-vendas foi quatro vezes superior ao estimado inicialmente. Numa época de vendas de automóveis um tanto desanimadas no mercado nacional, o Kwid tem atributos mercadológicos para se tornar um trunfo importante para as concessionárias da marca do losango. Estilo, suspensão elevada e etiquetas de preços atraentes são os principais. As limitações do Kwid são quase todas ligadas à opção por lançar um modelo de custo bem competitivo. Apesar de uma ou outro detalhe particularmente “sovina” poder gerar alguns narizes torcidos, tem de se admitir que a Renault conseguiu cumprir essa meta.
Dinamicamente, o Kwid faz aquilo que se espera de um carro 1.0 moderno. Ou seja, um torque decente e uma potência final pelo menos razoável. Movido pelo motor 1.0 SCe com três cilindros, 12 válvulas e duplo comando de válvulas controlado por uma transmissão manual de cinco marchas com engates precisos, o Kwid circula com desembaraço no “para e anda” urbano, que é seu ambiente natural, e se comporta com alguma dignidade nas estradas, mesmo sem possibilitar maiores arroubos de esportividade. Na versão Intense avaliada nas ruas paulistanas, o pedal de freio parecia um tanto “borrachudo” e só começava a atuar depois de descer boa parte de seu curso
Mas é a suspensão elevada o grande “appeal” do modelo. Permite passar de forma quase descontraída pelos buracos e quebra-molas que surgem pelo caminho, sem maltratar demasiadamente quem está a bordo. O conforto poderia ser ainda maior se suspensão traseira não fosse um tanto rígida – provavelmente para evitar o adernamento excessivo nas curvas em alta, um risco que seria esperado em virtude da suspensão elevada do Kwid. Nada que chegue a incomodar muito. E a posição de dirigir elevada e a direção eletricamente assistida, de série nas versões Zen e Intense, geram conforto e devem agradar muita gente. Pelo segmento de mercado onde o modelo vai atuar, é provável que uma versão sem pedal de embreagem surja em breve – já existe no mercado indiano. É uma tendência de mercado e a Renault tem se mostrado eficiente em identificar essas demandas. O Kwid é uma prova disso.

Ficha técnica
 
Renault Kwid
 
Motor 1.0: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro. Injeção multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência: 66/70 cv com gasolina/etanol a 5.500 rpm.
Torque: 9,4/9,8 kgfm com gasolina/etanol a 4.250 rpm.
Aceleração de zero a 100 km/h: 14,7 segundos.
Diâmetro e curso: 71,0 mm X 84,1 mm. Taxa de compressão: 11,5:1.
Velocidade máxima: 156 km/h.
Suspensão: Dianteira do tipo MacPherson, triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos e molas helicoidais. Traseira com eixo de torção com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 165/70 R14.
Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. Freios ABS com EBD. Não oferece controle eletrônico de tração.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,68 metros de comprimento, 1,58 m de largura, 1,47 m de altura e 2,42 m de distância entre-eixos. Airbags frontais e laterais.
Peso: de 759 kg a 786 kg.
Capacidade do porta-malas: 290 litros.
Tanque de combustível: 38 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Brasil.
Itens de série: 
Versão Life: Para-choques da cor da carroceria, rodas aço de 14 polegadas, Isofix, alerta visual e sonoro de não-utilização do cinto de segurança do motorista, abertura interna do porta-malas, banco traseiro rebatível, desembaçador do vidro traseiro, espelho de cortesia no lado do passageiro, tomada 12V, indicador de troca de marcha, predisposição para rádio. Preço: R$ 29.990. 
Versão Zen: Adiciona alerta sonoro de faróis acesos, ar-condicionado, direção elétrica, revestimento interno do porta-malas, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos, dois alto falantes, rádio com Bluetooth, USB e AUX. Preço: R$ 35.390.
Versão Intense: Adiciona maçanetas externas e retrovisores da cor da carroceria, roda Flexwheel de 14 polegadas, faróis de neblina, apoio de cabeça traseiro central, bolsas integradas na parte traseira dos bancos, computador de bordo, retrovisores elétricos, tacômetro, abertura elétrica do porta-malas a distância, câmera de ré, chave canivete, central multimídia com GPS e Bluetooth. Preço: R$ 39.990. 

 

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