MotorDream

Testes

Teste: Fiat Argo Precision - Elegância bem medida

02/08/2017 09:00  - Fotos: Isabel Almeida/ Carta Z Notícias
Envie por email

Fiat Argo Precision alia certa sobriedade de versão topo de linha com bom desempenho do motor 1.8

por Marcio Maio
Auto Press
 
A Fiat passou muito tempo um tanto acomodada em relação aos seus compactos. A liderança do Palio sobre o Volkswagen Gol e o bom desempenho de modelos como Uno e o sedã Siena fizeram com que ela apostasse em outros segmentos. Começou com a Strada, adotando a terceira porta, e partiu para os SUVs a partir da aquisição da Chrysler, com os Jeep Renegade e Compass, além da picape Toro. Conseguiu um crescimento forte com a marca americana, mas viu sua participação diminuir entre os modelos menores. Lançou o subcompacto Mobi, renovou o Uno com motores modernos e, no final de maio, lançou o Argo, que chegou com a função de aposentar Punto e as variantes superiores do Palio. Focou na rivalidade com o atual líder Chevrolet Onix e o vice, o Hyundai HB20, e apostou no espaço interno e na ampla gama de motores. Reservou para as topos de linha o motor 1.8, que encontra na configuração Precision sua melhor relação custo/benefício – o que não significa necessariamente se dar melhor que os principais concorrentes nesse ponto.
O Argo Precision já começa em R$ 61.800, mas essa conta sobe R$ 6 mil ao se escolher a transmissão automática de seis velocidades – trunfo que seus rivais diretos também adotam. O que ele tem de melhor em relação aos concorrentes é o motor, que rende 139 cv de potência e 19,3 kgfm de torque máximo quando abastecido com etanol. Em relação ao Onix, que rende apenas 104 cv com seu 1.4, a diferença é até grande. Mas quanto ao HB20, seus 128 cv do propulsor 1.6 do modelo não chegam a destoar tanto. 
A lista de itens de série é boa para o segmento em que atua, mas não chega a impressionar. Recursos como ar-condicionado e direção, travas, vidros e retrovisores elétricos vêm pelo preço inicial, assim como a central multimídia com tela de sete polegadas e compatibilidade com Android Auto e Apple Car Play. Computador de bordo, controle eletrônico de cruzeiro, rodas de liga leve de 15 polegadas e até sistema start/stop – que desliga o motor em paradas rápidas, como nos sinais de trânsito – também entram no pacote. Mas como se trata de uma variante recheada de opcionais, a conta final pode subir bastante e chegar até R$ 78.800. Casos dos sensores de luz e chuva, airbags laterais, quadro de instrumentos com tela TFT de 7 polegadas, chave presencial para travas e ignição, câmara e sensor de ré, retrovisor eletrocrômico e revestimento em couro vegetal, além de rodas de liga leve aro 16, além das cores metálicas ou o branco perolizado disponível no catálogo. 
A questão é que a aposta no Argo, pelo menos por enquanto, ainda não trouxe resultados tão significativos. Em julho, seu segundo mês de vendas, foram 3.235 emplacamentos. Isso representa cerca de 21% das 15.234 vendas do Chevrolet Onix e 34% das 9.312 unidades do HB20. Na prática, não chegou a tirar vendas de nenhum dos dois, já que o primeiro chegou a crescer de junho para julho e o HB20 teve uma pequena queda, de 403 exemplares, no mesmo período. 
 
Ponto a ponto
 
Desempenho – O Fiat Argo Precision se movimenta com uma agilidade que impressiona. Arrancadas, retomadas e ultrapassagens são feitas de forma rápida e sem ter de necessariamente “esgoelar” o motor 1.8 de 139 cv. A transmissão automática de seis velocidades é suave e trabalha em boa sintonia com o motor, priorizando a eficiência energética quando se alivia o pedal do acelerador ou o desempenho, quando se pisa forte com o pé direito. Nota 9.
 
Estabilidade – A suspensão não chega a privilegiar a esportividade – um ajuste mais firme fica exclusivamente para a topo de linha HGT –, mas encara bem as curvas e tem de série controle eletrônico de estabilidade. Mas, de maneira geral, é bem difícil ver a tecnologia em funcionamento. O compacto consegue manter bem a aderência nas quatro rodas mesmo quando se exagera um pouco na direção. Nota 8.
 
Interatividade – A comunicação entre motorista e veículo se dá de maneiras bem funcionais e tecnológicas para a faixa de preço em que atua. Há comando vocal e uma tela “touch” de 7 polegadas situada no console central que parece um tablet inserido ali. Ela acessa a central multimídia, que espelha smartphones Android e iPhones. O volante é multifuncional e traz botões para informações de computador de bordo e som, além de aletas atrás do volante para trocas manuais de marchas. Todos os comandos ficam bem posicionados e basta um contato rápido para aprender a mexer em tudo. Nota 9.
 
Consumo – Na avaliação do InMetro, o Argo Precision automático conquistou médias de 7,1/9,5 km/l com etanol no tanque na cidade/estrada e 10,1/13,2 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Ganhou notas C e B no geral e na categoria em que atua, respectivamente. É pouco, principalmente considerando que se trata de um carro totalmente novo – mas com motor antigo, apenas retrabalhado. E convém lembrar que o carro conta com sistema start/stop, que normalmente melhora os resultados nesse quesito. Nota 6.
 
Conforto – A suspensão absorve com certa eficiência as imperfeições do pavimento para os passageiros. Bancos têm boa ergonomia e acomodam bem o corpo. O isolamento acústico também se sai bem, já que só é possível escutar o motor quando se pisa bem fundo no acelerador. Nota 8.
Tecnologia – O Argo tem uma nova plataforma, que utiliza aços especiais e tecnologia embarcada atualizada. Ele traz recursos eletrônicos de auxílio dinâmico, como controle de tração e estabilidade, mas essa é uma realidade que já vem sendo inserida nos novos projetos de modelos compactos no Brasil – o próprio Uno já tem. A conectividade é realizada de forma comum à categoria, mas com tela de alta definição. Há sistema strat/stop, mas o motor da versão Precision é velho conhecido da marca no país, já que foi apresentado em 2010. Nota 8.
 
Habitabilidade – O espaço interno é um dos pontos altos do Argo – a própria marca aponta que, entre os compactos do Brasil, só o Renault Sandero o supera. Há espaço para as pernas no banco traseiro sem que isso dependa da boa vontade dos ocupantes da frente. Porém, o caimento acentuado da coluna traseira faz com que seja necessário baixar um pouco mais a cabeça para entrar no carro. O porta-malas carrega bons 300 litros. Nota 8.
 
Acabamento – Este é um ponto no qual a Fiat vem se destacando cada vez mais em seus lançamentos. Todas as superfícies trazem materiais rígidos, mas com textura e revestimentos agradáveis e interessantes. Opcionalmente, é possível ter os bancos revestidos em couro ecológico. Nota 8.
 
Design – O desempenho do Argo mistura alguns elementos que exprimem certa robustez, mas aliada a traços elegantes e modernos. A frente segue a assinatura digital da marca e traz grade encorpada e faróis afilados. Vincos e linhas de perfil bem marcados dão uma personalidade mais esportiva, que até combina com o trem de força adotado na versão Precision. A traseira traz o nome da marca em grafia avantajada e lanternas em alto relevo que invadem a tampa do porta-malas. Nota 8.
 
Custo/benefício – Desde o lançamento, a Fiat deixou claro que seus principais concorrentes eram o Chevrolet Onix e o Hyundai HB20, que lideram as vendas de hatches compactos no Brasil. Mas completo, chega a custar R$ 77.200. Sem airbags laterais, o preço cai para R$ 74.700, que ainda é bem superior aos R$ 61.950 cobrados por um Chevrolet Onix LTZ – a briga aí é com as variantes 1.3 do Argo – ou os R$ 66.830 do Hyundai HB20 Premium com bancos de couro. A diferença é alta demais e não chega a se justificar pelos equipamentos adotados. Nota 5.
 
Total – O Fiat Argo Precision AT6 somou 77 pontos em 100 possíveis.
 
Impressões ao dirigir
 
Suavidade arisca
 
Nas lojas desde o final de maio, o Fiat Argo ainda arranca olhares curiosos por onde passa. Não apenas por se tratar de um hatch compacto que se destaca mesmo nas ruas, por seu visual charmoso e elegante, mas também pelos números de vendas, já que ainda é um modelo em curva de produção. Projetado para ser um veículo urbano, talvez a versão Precision seja uma das que se distancie um pouco mais dessa proposta, já que traz um motor capaz de entregar um desempenho mais instigante sem carregar uma imagem de esportividade comum aos veículos de topo desta categoria – para isso, o modelo tem a variante HGT. 
Por dentro, o bom acabamento se destaca. O Argo Precision não abusa de cromados e os tons escuros adotados no interior criam uma atmosfera interessante para o habitáculo. Com os bancos em couro ecológico opcionais, essa sensação fica ainda mais presente. A tela de sete polegadas pode até parecer um tanto exagerada, no início, mas a alta definição dela chama bastante atenção. Principalmente quando se conta com a câmara de ré, também paga à parte, que traz junto sensores de estacionamento traseiros. O espaço é bom – o entre-eixos de 2,52 metros favorece o espaço para as pernas dos passageiros de trás – e o porta-malas, de 300 litros, garante o transporte das compras de supermercado ou alguma bagagem para viagens de lazer. 
O motor é o mesmo 1.8 de 139 cv reengenheirado para o Jeep Renegade e a picape Toro, que entrega torque máximo de 19,3 kgfm. Aliado à transmissão automática de seis marchas – nada de câmbio automatizado Dualogic, utilizado anteriormente pelo Punto 1.8 –, o propulsor consegue se destacar tanto no tráfego na cidade, com boas arrancadas e retomadas, como na estrada. Para as grandes metrópoles, onde costuma-se pegar longos engarrafamentos, o sistema start/stop ajuda a diminuir o gasto de combustível e atua de maneira pouco incômoda, religando o motor de maneira suave. De maneira geral, o Argo é um carro interessante e capaz de entregar uma boa dose de conforto, espaço e até desempenho. Mas o alto preço que a marca cobra – de R$ 74.700 na unidade testada – pode desestimular alguns possíveis consumidores. 
 
Ficha técnica
 
Fiat Argo Precision AT6
 
Motor 1.8: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.747 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Coletor de admissão variável, injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré nas versões. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência: 135 cv com gasolina e 139 cv com etanol a 5.750 rpm.
Torque máximo: 18,8 kgfm com gasolina e 19,3 kgfm com etanol a 3.750 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 11,1 segundos com gasolina e 10,4 s com etanol.
Velocidade máxima: 189 km/h com gasolina e 191 km/h com etanol.
Diâmetro e curso: 80,5 mm x 85,8 mm. Taxa de compressão: 12,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais. Traseira semi-independente por eixo de torção com molas helicoidais e amortecedores de duplo efeito. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos sólidos na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,00 metros com 1,75 m de largura, 1,51 m de altura e 2,52 m de entre-eixos. Possui airbags frontais de série. Airbags laterais opcionais.
Peso: 1.264 kg.
Capacidade do porta-malas: 300 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Lançamento no Brasil: 2017.
Produção: Betim, Minas Gerais.
Itens de série: Porta USB para passageiros traseiro, aerofólio traseiro, alarme antifurto, alertas de limite de velocidade e manutenção programada, apoia-braço e apoia-pé para motorista, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bi-partido 60/40, banco traseiro rebatível, brake light, aletas para trocas de marchas atrás do volante, central multimídia com tela touch de 7 polegadas com Android Auto e Apple Car Play, Bluetooth, entrada USB e Sistema de reconhecimento de voz, chave canivete com telecomando para abertura das portas, vidros e porta-malas, computador de bordo, desembaçador do vidro traseiro temporizado, direção elétrica progressiva, controle eletrônico da aceleração, sinalização de frenagem de emergência, estepe de uso emergencial, faróis de neblina, Isofix, assistente de partida em rampas, controle de velocidade de cruzeiro, retrovisores externos elétricos com função Tilt Down e setas integradas, rodas de liga leve de 15 polegadas, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, sistema start/stop, tomada 12V, travas elétricas, vidros elétricos dianteiros e traseiros com one touch e antiesmagamento e volante com regulagem de altura e profundidade e revestido em couro. 
Preço: R$ 67.800.
Opcionais da unidade testada: chave presencial, retrovisores externos com rebatimento elétrico e luz de conforto, ar-condicionado digital, quadro de instrumentos de alta resolução TFT de 7 polegadas, sensor de chuva, sensor crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, bancos revestidos em couro ecológico, rodas de liga leve com 16 polegadas e pneus 195/55 R16, sensor de estacionamento traseiro com visualizador gráfico e câmara de ré com linhas dinâmicas. 
Preço da unidade testada: R$ 74.700. 
Opcional extra: airbags laterais e cor metálica ou perolizada.
Preço completo: 78.800.

TRÂNSITO LIVRE

todos

Comentários

Não há comentários para este artigo.

Para postar comentários é necessário ser cadastrado no nosso site. Deseja se cadastrar gratuitamente?

Motor Dream
MotorDream - Rua Barão do Flamengo, 32 - 5º Andar - Flamengo
Rio de Janeiro - RJ - Cep: 22220-080
Telefone: (21) 2286-0020 - Fax: (21) 2286-1555

Copyright © 2017 - Todos os direitos reservados.
GEO: -22.932985, -43.176320
Webroom Soluções Interativas