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Teste: Honda Civic EXL - Dentro da realidade

12/04/2017 11:00  - Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
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Com preço 25% menor que versão turbo, Honda Civic EXL vira carro-chefe da linha no país

por Marcio Maio
Auto Press

Quando lançou a 10ª geração do Civic no Brasil, ano passado, a Honda promoveu uma grande transformação no modelo. Sucesso de vendas em 2013, quando chegava a emplacar 5 mil unidades por mês, o sedã médio amargava 1.400 mensais no ano passado. E a questão não era o trem de força, semelhante ao de seu principal concorrente e líder no segmento, Toyota Corolla. Daí a estratégia de manter nas configurações de entrada e intermediárias o antigo 2.0 aspirado, que entrega 155 cv e 19,5 kgfm de potência e torque máximos e trabalha em conjunto com transmissão continuamente variável. Mas a diferença gritante dos preços da variante EXL, a mais cara com o propulsor já conhecido, e Touring, a única até agora 1.5 turbinada, fez da primeira a principal alternativa de combate aos avanços do Corolla XEi, a versão mais vendida e principal responsável pela liderança da Toyota entre os sedãs médios. 

Se o motor não mudou, o mesmo não se pode dizer do resto. O visual do Honda Civic EXL ganhou linhas sinuosas nos para-lamas, que contornam as caixas de rodas, e caimento alongado no teto em direção à traseira, semelhante a um cupê. O capô é alongado e com grade projetada, com linhas de entradas de ar, dos conjuntos óticos e dos vincos convergindo para o logo da marca, no centro. A traseira mais alta, com vidro bem inclinado, e as lanternas de leds em forma de bumerangue dão certa agressividade ao modelo em todos os ângulos. 
A plataforma é nova e, segundo a Honda, tem rigidez torcional 25% maior. A suspensão também foi trocada, mas manteve a combinação de MacPherson na frente, com buchas hidráulicas, e multilink atrás. Uma nova caixa de direção elétrica com duplo pinhão e relação variável garante mais precisão de direção e senso de controle, tornando-a extremamente leve em baixas velocidades. A configuração EXL ainda recebe central multimídia com tela touch de sete polegadas que reúne imagens da câmara de ré, GPS com alerta de tráfego e conexões com interface para Apple Car Play e Google Android Auto. O freio de estacionamento é elétrico, com destravamento automático e função brake-hold, que mantém o carro parado até que o acelerador seja acionado.
O Civic ainda está longe de se ameaçar o posto de sedã médio mais vendido do rival Corolla. Mas já reagiu. No primeiro trimestre de 2017, registrou média de 2.500 unidades mensais, ou seja, um crescimento de mais de 70% em relação ao mesmo período de 2016. Com preço de R$ 105.900, a versão EXL não tem o melhor custo/benefício, mas se faz valer de seu bom recheio e da credibilidade que a marca ostenta no Brasil para se destacar no line up. 
 
Ponto a ponto
 
Desempenho – O motor do Civic EXL é o mesmo 2.0 da geração passada, capaz de entregar 155 cv quando abastecido com etanol. Mas isso não chega a ser um demérito: o propulsor empurra o sedã médio com boa desenvoltura. O câmbio CVT anestesia um pouco o desempenho, mas não dá para sentir falta de força. Só não há grandes sobras. A entrega de força é crescente – o torque máximo, de 19,3 kgfm com gasolina e 19,5 kgfm com etanol, aparece apenas a 4.700 rpm e 4.800 rpm, respectivamente. Nota 8.
 
Estabilidade – A nova suspensão garante maior neutralidade da carroceria, mesmo em sequências de curvas. A sensação de segurança é intensa e a direção se mostra bastante precisa, mesmo em velocidades elevadas. O acerto é bem firme, ajuda a controlar as transferências de peso. Nota 9.
 
Interatividade – O Civic manteve a racionalidade nipônica na 10ª geração do Civic. Tudo é muito bem localizado e fácil de usar. A exceção fica apenas pela posição da tomada de 12V e da entrada USB, ambas escondidas sob uma bandeja à frente do câmbio. A central multimídia é completa, tem tela de sete polegadas e seu GPS recebe informações de trânsito. O aparelho ainda concentra os controles de ar-condicionado e tem compatibilidade com Apple CarPlay e Google Android Auto. Mas a chave não é presencial, algo inesperado em um carro que custa seis dígitos. O freio de estacionamento é elétrico com destravamento automático e o freio tem a função brake-hold, que mantém o carro parado até que o acelerador seja acionado. Nota 7.
 
Consumo – O InMetro testou o Honda Civic EXL e aferiu média de 7,2/8,9 km/l com etanol na cidade/estrada e 10,6/12,9 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Recebeu nota A na categoria e B no geral. Nota 8.
 
Conforto – A configuração rígida ajuda na estabilidade, mas cobra seu preço neste quesito. Os passageiros sentem bastante os solavancos provocados por desníveis nas ruas. Por outro lado, os bancos são confortáveis e o isolamento acústico é eficiente. O espaço interno também é bom, favorecendo viagens longas. Nota 7.
 
Tecnologia – Com a 10ª geração, lançada no Brasil no ano passado, o Civic ganhou nova plataforma, com rigidez torcional 25% maior. A suspensão foi trocada, mas o motor da versão EXL é antigo. Uma tela de sete polegadas reúne imagens da câmara de ré, central multimídia, GPS com alerta de tráfego e conexões, com interface para Apple Car Play e Google Android Auto. São seis airbags e sistemas como controle de estabilidade e tração estão presentes. Nota 8.
 
Habitabilidade – O acesso ao interior é fácil, com portas amplas e de bom ângulo de abertura. O interior tem vários nichos para colocação de objetos de uso rápido, como carteira e telefones, mas o porta-luvas poderia ser maior. O porta-malas leva bons 519 litros de capacidade. Nota 9.
 
Acabamento – Japoneses não costumam se destacar nesse ponto e o Civic EXL não é diferente. Montagem e finalização da cabine são boas, os revestimentos levam couro, mas tudo parece simples quando confrontado com a etiqueta de preço de mais de R$ 100 mil. Por outro lado, nada faz barulho e o interior exala robustez. Nota 7.
 
Design – O Honda Civic é um sedã médio tradicional, mas o visual da 10ª geração aposta em pitadas de ousadia. As linhas valorizam a esportividade e até uma certa agressividade, sem o conservadorismo que volta e meia a Honda demonstra. De perfil, o caimento alongado do teto insere o charme do estilo cupê. Nota 9.
 
Custo/benefício – A versão intermediária EXL custa R$ 105.900, cerca de 6% a mais que seu maior rival, o Toyota Corolla XEi 2.0, que sai por R$ 99.990 e tem configuração semelhante de equipamentos e trem de força. Um Chevrolet Cruze LTZ parte de R$ 102.990, bem equipado e com propulsor 1.4 turbo – rendimento superior ao do Civic EXL e bem mais eficiente. Um Ford Focus Titanium 2.0 sai a R$ 104.840 e um Volkswagen Jetta Comfortline 1.4 Turbo sai da loja por R$ 95.350. O Nissan Sentra, em sua configuração topo de linha SL, tem preço de R$ 102.990 e é mais bem equipado. A Honda cobra mesmo mais caro, em função da credibilidade que a marca tem no mercado. Mas está longe de ser a melhor opção. Nota 6.
 
Total – O Honda Civic EXL somou 78 pontos em 100 possíveis.
 
Impressões ao dirigir
 
Agressividade aparente
 
O primeiro impacto em relação ao Honda Civic EXL é no visual. Apesar de não ser a configuração de topo da linha, o sedã se destaca pelas linhas agressivas e design imponente. Mistura boa dose de esportividade com traços contemporâneos e ousados, aliados ao charme do caimento acentuado do teto na traseira – um artifício que, na verdade, já está se tornando clichê na categoria em que o modelo atua.
O interior não impressiona, mas destoa do preço pedido pelo Civic EXL. A evolução em relação à geração anterior, no entanto, é inegável. Os revestimentos são de couro de boa qualidade e as peças metálicas ou cromadas aparecem sem exageros e a central multimídia é bem completa, inclusive com informações sobre trânsito no navegador GPS. 
Em movimento, a versão EXL do Civic cumpre seu papel e mostra boa agilidade. Não há o trunfo de um turbocompressor – reservado apenas à variante topo de linha Touring, que custa R$ 2 mil a mais e tem propulsor 1.5. E a nova suspensão adotada deixou o três volumes ainda mais firme, garantindo uma direção instigante em percursos mais sinuosos. Para se divertir ao volante, é preciso manter sempre as rotações altas, o que provoca um consumo de combustível um tanto desagradável. O câmbio CVT também anestesia um pouco o comportamento do carro. E faz o condutor se lembrar que a verdadeira proposta de um sedã médio não é garantir adrenalina.

Ficha técnica
 
Honda Civic EXL
 
Motor: A Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.997 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando variável de válvulas e comando simples no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
 
Potência máxima: 150 cv (gasolina) e 155 cv (etanol) a 6.300 rpm.
 
Torque máximo: 19,3 kgfm (gasolina) a 4.700 rpm e 19,5 kgfm (etanol) a 4.800 rpm.
 
Diâmetro e curso: 81,0 mm x 96,9 mm. Taxa de compressão: 11,0:1.
 
Transmissão: CVT (transmissão continuamente variável). Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.
 
Suspensão: Dianteira independente do tipo MacPherson com buchas hidráulicas. Traseira independente do tipo multilink. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
 
Pneus: 215/50 R17.
 
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.
 
Carroceria: Sedã em monobloco com quarto portas e cinco lugares. Com 4,64 metros de comprimento, 2,08 m de largura, 1,43 m de altura e 2,70 m de distância entre-eixos. Tem airbags frontais, laterais e de cortina.
 
Peso: 1.291 kg.
 
Capacidade do porta-malas: 519 litros.
 
Tanque de combustível: 56 litros.
 
Produção: Sumaré, São Paulo.
 
Lançamento da 10ª geração: Novembro de 2015.
 
Lançamento no Brasil: Agosto de 2016.
 
Itens de série: Alarme, freios ABS com EBD, assistente de frenagem de emergência, controle eletrônico de tração e estabilidade, assistente de partida em rampas, luzes de frenagem de emergência, airbags frontais, laterais e de cortina, direção elétrica, luzes diurnas de leds, sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, câmara de ré, rodas de liga leve de 17 polegadas diamantadas, lanternas em leds, luz de placa em leds, brake light, trio elétrico, faróis halógenos, luzes de neblina, chave canivete, controle de velocidade de cruzeiro, volante com regulagem de altura e profundidade, ar-condicionado automático digital e de duas zonas, volante e manopla do câmbio revestidos em couro, bancos em couro, retrovisores com luzes de setas em leds e rebatimento elétrico, sensor crepuscular e central multimídia com tela de sete polegadas com GPS com informações de trânsito, controles de ar-condicionado, comandos de voz e compatibilidade com Apple CarPlay e Google Android Auto.
 
Preço: R$ 105.900.
 

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