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Teste: Renault Captur Intense - Tempos distintos

05/04/2017 09:00  - Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias
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Renault Captur Intense é novidade e tem boa relação custo/benefício, mas trem de força é antiquado

por Márcio Maio
Auto Press

A Renault prometeu apostar nos SUVs em 2017 no Brasil. E começou essa estratégia com o lançamento do crossover Captur, em fevereiro. Construído sobre a mesma base do Duster, o modelo tem um desenho bastante semelhante ao do original francês, mas com 20 cm a mais de comprimento. Porém, apesar de uma relação custo/benefício até favorável na comparação com os outros concorrentes compactos na configuração de topo Intense, suas vendas ainda estão bem abaixo dos rivais. Em março, seu primeiro mês cheio, conseguiu 686 emplacamentos totais. É cerca de um terço do que o próprio Duster consegue.   

Além do design, o principal chamariz do Captur Intense é sua boa lista de itens de série. Que engloba, inclusive, controles eletrônicos de estabilidade e tração e airbags laterais. As rodas de liga-leve, de 17 polegadas, são diamantadas. E a chave é presencial, no formato “cartão” já adotado em modelos como o sedã médio Fluence, no Brasil. Retrovisores externos tem ajustes e rebatimento elétricos e ar-condicionado automático, direção eletro-hidráulica, controle de cruzeiro, computador de bordo, sistema multimídia com tela de 7 polegadas e câmara de ré, sensores de chuva e de luminosidade e faróis de neblina com função de iluminação lateral também saem na configuração, de fábrica. De opcionais mesmo, só revestimento em couro e pintura em dois tons. Os preços começam em R$ 88.490 e chegam a R$ 91.390 com os dois itens. 

Já o motor não traz inovações. É o tradicional 2.0 16V, gerenciado sempre pelo antigo câmbio automático de 4 marchas dos Duster mais caros. A potência máxima é de 143 cv com gasolina e 148 cv com etanol, enquanto o torque máximo – presente apenas em 4 mil giros, fica em 20,2/20,9 kgfm, com os mesmos combustíveis. A velocidade máxima chega a 179 km/h e a aceleração de zero a 100 km/h, com etanol no tanque, é de 11,1 segundos. 

O propulsor passou por mudanças no ano passado, quando o Captur ainda era apenas uma promessa da Renault para o Brasil. Entre as novidades, destaca-se o sistema Energy Smart Management, de regeneração de energia. A solução, usada nos modelos da Fórmula 1, faz o motor continuar girando sem consumir combustível durante a desaceleração do carro, quando o motorista retira o pé do acelerador. Nesse momento, o alternador automaticamente passa a recuperar energia e a enviá-la para a bateria, que aumenta sua carga sem consumir combustível. Com isso, durante a aceleração, o alternador não precisa extrair energia do motor para enviar à bateria, já que houve a carga na desaceleração. Além disso, há a função Eco Mode, ativada por um botão localizado abaixo da alavanca de câmbio. Ela altera os padrões de desempenho do motor, resultando, segundo a marca francesa, em uma economia que pode chegar a até 10%. 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 2.0 16V de 143/148 cv com gasolina/etanol que move o Captur é o mesmo das configurações de topo do Duster. Ele impulsiona o carro de maneira correta, sem sobras ou faltas. O torque máximo, de 20,9 kgfm com etanol, só aparece em 4 mil giros, mas o carro se mostra mais ágil bem antes disso. O câmbio automático de quatro marchas joga as rotações para cima o tempo todo, garantindo um desempenho até bom, mas que cobra um consumo de combustível alto quando se exige mais do propulsor. Nota 7.

Estabilidade – Apesar de ser um carro alto, o Captur se mantém bem equilibrado e não aderna em curvas. Mesmo assim, ao contrário do Duster, com quem compartilha a plataforma, ele já traz controle eletrônico de estabilidade, que ajuda a garantir uma segurança extra. A direção tem bom peso e, de maneira geral, o crossover se sai bem. Nota 8.

Interatividade – O interior é simples e os comandos são, em sua grande maioria, bem localizados. A exceção fica por conta da tecla Eco – que corta parte da força do motor em favor da economia de combustível – e do controle de cruzeiro, localizados abaixo do freio de estacionamento e, por isso, dificultando o acesso durante a viagem. Mas a central multimídia é boa e, com um pouco de familiaridade, dá para se virar bem na cabine. Nota 8.

Consumo – O Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro não divulgou dados sobre o Renault Captur 2.0, mas ele utiliza o mesmo motor do Duster 2.0 automático e os dois pesam basicamente a mesma coisa. O Duster registrou 6,0/7,1 km/l com etanol na cidade/estrada e 9,0/10,4 km/l com gasolina, nas mesmas condições. O resultado foi consumo energético de 2,33 MJ/km e notas “A” em sua categoria e “C” no geral. Nota 7.

Tecnologia – A plataforma do Captur é a mesma do Duster, ou seja, a B0, da Dacia, que é de 2002. O motor também é compartilhado e o câmbio automático, com apenas quatro velocidades, antiquado. A versão de topo Intense traz itens de série satisfatórios, incluindo controle eletrônico de estabilidade e airbags laterais. Nota 7.

Conforto – O espaço é bom para pernas e cabeças, tanto à frente quanto atrás. A suspensão absorve bem os desníveis dos pisos brasileiros e o isolamento acústico é bom – quase não se ouve o barulho do motor quando não se recorre às reduções bruscas de marcha. Nota 8.

Habitabilidade – A Renault, de maneira geral, não oferece muitos porta-objetos no interior de seus veículos. Mas os do Captur são suficientes para levar o que é preciso estar à mão dos passageiros. Quatro passageiros viajam com folga, sem depender da boa vontade dos ocupantes dianteiros. O porta-malas carrega 437 litros, número bom para um crossover compacto. Nota 8.

Acabamento – O interior é racional – um tanto em excesso para um modelo que ultrapassa R$ 90 mil completo. Por compartilhar a base do Duster, o Captur herda boa parte da robustez inserida no interior do SUV. Com isso, o habitáculo não combina com o design mais moderno. Encaixes são bons e o material aparenta boa qualidade, mas os plásticos rígidos aparecem em toda parte, nem todas as superfícies são agradáveis ao toque e há carros que custam a metade do preço e que se saem melhor nesse quesito. Nota 7.

Design – Enquanto o Duster aposta no lado mais robusto dos SUVs, com aspecto quadradão, o Captur aposta em uma imagem mais elegante e moderna. A dianteira traz luzes diurnas de leds no formato de “C” ao redor dos faróis de neblina, que alongam a grade inferior. O capô tem dois vincos bem marcados e a traseira, com lanternas também de leds, tem ponteira do escapamento cromada e um friso cromado abaixo do porta-malas, que percorre quase toda a extensão do para-choque. A pintura em dois tons opcional dá um charme extra ao modelo. Nota 9.

Custo/Benefício – O Renault Captur Intense custa R$ 88.490, mas chega a R$ 91.390 com todos os opcionais – na verdade, só há bancos em couro (R$ 1.500) e pintura em dois tons (R$ 1.400). Ele é cerca de 10% mais barato que as versões de topo do Hyundai Creta e do Honda HR-V e do Jeep Renegade Limited. Fica próximo dos valores cobrados pelo Ford Ecosport Titanium 2.0 e Chevrolet Tracker LTZ, mas também sai mais em conta. Até o Nissan Kicks SL, com motor 1.6 de 114 cv, custa R$ 91.900. O Captur tem preço vantajoso no segmento em que atua. Nota 8.

Total – O Renault Captur Intense somou 77 pontos de 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Pele de cordeiro

Quando se sabe que o Renault Captur usa a mesma base do Duster – e isso é facilmente notado em seu interior –, seu visual impacta ainda mais. O porte avantajado se destaca a ponto de, à primeira vista, nem parecer se tratar de um crossover compacto. O design é contemporâneo, alinhado ao modelo vendido na Europa, e traz uma combinação interessante de musculatura e elegância. Não é nada bruto, mas consegue transmitir a robustez característica do segmento em que atua. 

O habitáculo, no entanto, decepciona. É ao entrar no Captur que se percebe sua ligação direta com o Duster – lançado no Brasil em 2009. Os plásticos são rígidos e rugosos e chamam mais atenção que os detalhes em black piano e cromados presentes. A falta de refinamento é evidente demais para um carro que, completo, sai da loja por mais de R$ 90 mil. Até o banco de couro é pago à parte, algo um tanto inadequado para a sua faixa de preço. E, assim como no Duster, os botões que acionam o controle de cruzeiro e o modo Eco ficam obstruídos sob o freio de mão. 

O motor 2.0 do Captur Intense move o crossover com competência, mas não há sobras. A transmissão automática tem apenas quatro velocidades e é preciso contar com reduções bruscas para garantir ultrapassagens e retomadas mais seguras. Nesses momentos, o barulho do propulsor invade a cabine de maneira irritante e atrapalha o conforto a bordo. Por outro lado, o espaço é bom e o porta-malas, com 437 litros, se mostra bem proveitoso para viagens em família ou compras de mês no supermercado. 

Nas curvas, o Captur se mostra bem equilibrado. Mesmo em velocidade elevada. Apesar da altura, o Captur não aderna muito e mantém a trajetória com facilidade. Além disso, o crossover conta com controle eletrônico de estabilidade de série. Não que o trem de força propicie grandes exageros, mas já é uma garantia a mais de segurança. 

Ficha técnica

Renault Captur Intense

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Automática de quatro marchas a frente e uma a ré. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 143 cv e 148 cv com gasolina e etanol a 5.750 rpm.

Aceleração: 0-100 km/h: 12 e 11,1 segundos com gasolina e etanol.

Velocidade máxima: 174 km/h e 179 km/h com gasolina e etanol

Torque máximo: 20,2 kgfm e 20,9 kgfm com gasolina e etanol a 4 mil rpm.

Diâmetro e curso: 82,7 mm X 93,0 mm. Taxa de compressão: 11,2:1.

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos, triângulos inferiores e molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 215/60 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS com controle de saída em rampa.

Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,33 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,62 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais e laterais de série.

Peso: 1.352 kg.

Capacidade do porta-malas: 437 litros.

Capacidade tanque de combustível: 50 litros.

Itens de série: airbags laterais, chave-cartão presencial, direção eletro-hidráulica, travas elétricas, volante com regulagem da altura, ar-condicionado automático, rodas aro 17 polegadas de liga leve diamantadas, vidros elétricos, controle de cruzeiro, espelhos de ajustes e rebatimento elétricos, comando de áudio e celular na coluna de direção (satélite), assento do condutor com regulagem de altura, sistema multimídia com câmara de ré acoplada, sensores de chuva e de luminosidade e farol de neblina com cornering light.

Preço: R$ 88.490.

Opcionais: Bancos em couro (R$ 1.500) e pintura em dois tons (R$ 1.400).

 

Preço completo: R$ 91.390.

TRÂNSITO LIVRE

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