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Teste: Ford Ka Trail - Aventura calculada

29/03/2017 11:00  - Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias
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Ford quer uma fatia dos hatch compactos com visual aventureiro com a versão Trail do Ka

por Eduardo Rocha
Auto Press

A Ford resolveu abrir uma nova trilha de mercado para o compacto Ka. A versão Trail tem por objetivo brigar com hatches compactos com roupagem aventureira e impulsionar as vendas do modelo, que ocupa o terceiro lugar no ranking de mais vendidos, atrás de Chevrolet Onix e Hyundai HB20 – dois rivais que disputam este subsegmento com as versões Activ e X, respectivamente. O Ka Trail chega inicialmente às concessionárias apenas com a motorização 1.0 de três cilindros – a 1.5 virá na sequência. Este propulsor de um litro é visto pela marca norte-americana como o maior trunfo, pois permite que o Ka Trail tenha um preço inicial atraente, de R$ 47.690. A versão com motor 1.5 terá preço de partida de R$ 51.990.

Os valores pedidos pela versão 1.0 Trail são bem semelhantes aos da versão 1.0 SE Plus. A diferença é que o modelo aventureiro custa R$ 1.300 a mais e não tem o sistema multimídia Sync. Em troca, recebe a roupagem mais esportiva e conjunto suspensivo retrabalhado. Externamente, o visual é incrementado com as rodas de liga leve em cinza escuro, molduras nas caixas de roda, os apliques em prata nos para-choques dianteiro e traseiro, farol de neblina, rack de teto em grafite fosco, maçanetas e carcaça dos retrovisores externos também em grafite fosco e lanterna traseira fumê. Ganha ainda faixas adesivas em cinza com a inscrição “Trail” em laranja junto às soleiras das portas e na base da tampa do porta-malas. A ideia do centro de estilo da Ford foi retirar todos os pontos de brilho no exterior, o que destaca ainda mais as novas rodas em pintura metálica.

No interior, as mudanças foram mais discretas. Os bancos dianteiros ganharam revestimento parcial em couro sintético, com frisos e costuras na cor laranja. Nas laterais foram colocados pequenos elásticos em verde e laranja e atrás do encosto há uma pequena rede. A soleira das portas ganhou um adesivo, novamente com a inscrição “Trail”, os tapetes parcialmente em borracha receberam pespontos em laranja e os pedais têm cobertura em alumínio.

Mas as mudanças que realmente justificam a nova designação de versão são as que dizem respeito ao conjunto suspensivo. O Ka Trail teve sua altura elevada para 200 mm, 31 mm a mais que as versões “civis”. Desse total, 19 mm vieram da troca das rodas de aro 14 para 15 e dos pneus, que eram 175/65 R14 comuns para 185/65 R15 de uso misto. Outros 12 mm vieram das mudanças na suspensão. Foram trocados amortecedores e molas, para ganhar rigidez e aguentar um pouco mais de impacto. A barra estabilizadora dianteira ganhou com um calibre maior, enquanto o eixo de torção traseiro foi redimensionado e ficou mais robusto. O objetivo era impedir a inclinação lateral, o chamado rolling, que ficaria mais acentuada por causa do aumento da altura do veículo. Para filtrar um pouco mais as vibrações na cabine, foram instalados coxins hidráulicos no motor. Por fim, o funcionamento do ABS foi recalibrado para se adequar aos novos parâmetros.

A Ford classifica esta nova versão do Ka como aventureira urbana e a ideia é ter acesso a um subsegmento que hoje representa apenas 5% dos hatches compactos vendidos, o que corresponde a 36 mil unidades anuais, mas que a  marca acredita ter potencial para chegar a 16% – coisa de 110 mil veículos por ano. Nesta avaliação, o principal responsável por reprimir esta demanda é o preço. Daí a versão 1.0 a menos de R$ 48 mil ser grande aposta – embora a montadora não arrisque um palpite de quanto o Ka Trail deva vender. 

Entre os modelos que a Ford designou como rivais, os preços começam em torno de R$ 58 mil. Em compensação, todos são bem mais equipados. Além de Onix Activ e HB20X, ainda estão no radar da montadora o Volkswagen CrossFox e Toyota Etios Cross, apesar de serem ligeiramente maiores. Já o Fiat Uno Way e os Volkswagen Cross Up e Gol Track, que também dispõem de motor 1.0 neste subnicho e têm preços próximos, são desprezados como rivais por serem um pouco menores – ou apenas por terem motorização equivalente à do Ka.

Primeiras impressões

Vida dura

Guarujá/SP – Não é fácil encarar o segmento de compactos no Brasil. Mas o Ford Ka sempre contou como pontos importantes a favor, como é o caso do visual. E agora com a indumentária aventureira ganhou um ar mais robusto e atraente. Os detalhes foram bem medidos, sem os exageros que costuma acometer este gênero de automóvel. A parte do design certamente é a que mais ajuda a vender mas, na prática, as únicas alterações efetivas são as que foram promovidas pela engenharia. No caso do redimensionamento e recalibração da suspensão, incluindo aí os coxins do motor.

A nova suspensão ficou mais dura para responder melhor aos pisos irregulares. E tem sucesso, sem repassar as vibrações para o volante nem aumentar o ruído interno. Nas curvas, o Ka Trail parece rolar até menos que o Ka normal, que é 31 mm mais baixo. A neutralidade do modelo na estrada é absoluta. Em compensação, os passageiros sentem um pouco mais os buracos. Para quem está no banco traseira, a rigidez da suspensão chega a incomodar.

Por dentro, o Ka não tem luxo, com acabamento e materiais aceitáveis para a faixa de preço que atua. Mas faltam até alguns itens quase obrigatórios atualmente, como computador de bordo – que tem a nobre missão de permitir o monitoramento do consumo em tempo real. Mas os bancos são confortáveis, têm a rigidez correta e o novo revestimento deixou o visual e o toque mais agradável. Sob o capô, o mesmo 1.0 de três cilindros com o mesmo desempenho que quase faz duvidar que se trate de um motor tão pequeno. Com dois ou três passageiros, o carrinho acelera com vigor e ganha velocidade com facilidade. Ou seja: é o mesmo Ka de sempre, mas melhor preparado para enfrentar o típico off-road urbano brasileiro. 

 

Ficha técnica

Ford Ka 1.0 Trail 

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 997 cm³, três cilindros em linha, duplo comando variável na admissão e no escape no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência: 80/85cv com gasolina/etanol a 6.500 rpm.

Torque: 10,2 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgfm com etanol a 4.500 mil rpm.

Diâmetro e curso: 71,9 mm X 81,8 mm. Taxa de compressão: 12:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.

Pneus: 195/55 R15. 

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem. 

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,53 m de altura e 2,49 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.

Peso: 1.047 kg com 403 kg de capacidade de carga.

Capacidade do porta-malas: 257 litros. 

Tanque de combustível: 51,6 litros. 

Produção: Camaçari, Bahia, Brasil. 

Lançamento no Brasil: 2014.

Itens de série: Ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricas com controle remoto, chave canivete, airbags frontais, freios ABS com EBD, abertura elétrica do porta-malas, ajuste de altura da coluna de direção, rádio com Bluetooth, rodas de liga leve com 15 polegadas, pneus de uso misto, faróis de neblina dianteiros e altura elevada em 31 mm.

 

Preço: R$ 47.690.

TRÂNSITO LIVRE

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