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Teste: Renault Duster Dynamique 2.0 manual - Fôlego eficiente

04/03/2017 07:45  - Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias
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Teste: Renault Duster Dynamique 2.0 manual - Fôlego eficiente

Para brigar entre os SUVs compactos, Renault Duster Dynamique 2.0 manual aposta na redução do consumo

por Márcio Maio
Auto Press

A Renault decidiu investir pesado nos SUVs neste ano. Já lançou o Captur e, em breve, começará a vender no Brasil o crossover nacional Kwid e o importado Koleos. Nesse cenário, chega a ser surpreendente que a marca francesa ainda tenha pretensões para o Duster, até pouco tempo atrás seu único representante no segmento no Brasil. A verdade é que mesmo a chegada de concorrentes como os Jeep Renegade e Compass e o atual líder na categoria, Honda HR-V, apesar de diminuírem o espaço do modelo nas vendas da categoria, não chegaram a apagá-lo. No ano passado, foram 2.114 emplacamentos mensais, algo a se comemorar tendo em vista que se trata do projeto mais antigo entre os disponíveis no mercado. E, na falta de novidades mais substanciais – uma nova geração só aparecerá por aqui no ano que vem –, mudanças no seu trem de força otimizaram sua eficiência energética e deram um gás novo ao modelo. Principalmente na configuração de topo Dynamique com propulsor 2.0 e câmbio manual, com seis velocidades – a transmissão automática do modelo tem apenas quatro marchas. 

Segundo a Renault, as soluções para melhorar a eficiência energética do SUV vieram da Fórmula 1, a partir do sistema ESM (Energy Smart Management) de regeneração de energia. O funcionamento é aparentemente simples: na desaceleração do carro, quando o motorista retira o pé do acelerador, o motor continua girando sem consumir combustível. Nesse momento, o alternador automaticamente passa a recuperar energia e enviá-la para a bateria, que aumenta sua carga sem consumo de combustível. Durante a aceleração, o alternador não precisa “roubar” energia do motor para enviar à bateria, já que houve a carga na desaceleração. 

A partir de uma mudança da força tangencial no anel do cilindro, houve uma redução de atrito interno, gerando mais melhorias no consumo de combustível. Essa alteração, no entanto, não mexeu nos números de potência e torque: seguem os 143 cv e 148 cv com gasolina e etanol a 5.750 rpm e 20,2 kgfm e 20,9 kgfm com gasolina e etanol a 4 mil rpm. Outra evolução para a redução de consumo foi a adoção da direção eletro-hidráulica, que se ajusta de acordo com a velocidade, ficando mais pesada ou mais leve para entregar conforto e segurança. Por último, a função EcoMode, acionada por meio do botão localizado no painel central, limita a potência e o torque do motor, além de reduzir a potência do ar-condicionado, o que reduz em média em 10% o consumo de combustível. 

Os itens de série seguem os mesmos. Destaca-se o sistema Media Nav Evolution. A central multimídia pode transmitir informações sobre o trânsito, traz GPS de série, câmara de ré e tela touch de sete polegadas. De resto, o mínimo que se espera de uma configuração topo de linha neste segmento: ar-condicionado, trio elétrico, rodas de liga leve e revestimentos em couro. O preço é R$ 84.120, sem opcionais disponíveis para a versão. 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 2.0 16V de 143/148 cv com gasolina/etanol do Duster Dynamique impulsiona o carro de maneira correta, sem excessos ou faltas. O torque máximo, de 20,9 kgfm com etanol, só aparece em 4 mil giros. Porém, já em 2.250 rpm boa parte dele fica disponível, o que garante ultrapassagens e retomadas de velocidade boas. Nota 7.
 
Estabilidade – Por ser um carro pesado e alto, o SUV é um tanto desengonçado nas curvas. Mas isso só aparece mesmo em velocidades mais altas. De maneira geral, o Duster tem um comportamento correto. A direção, que passou a ser eletro-hidráulica na linha 2017, ganha peso conforme o ponteiro do velocímetro sobe, o que aumenta a sensação de segurança do condutor. No entanto, não controle eletrônico de estabilidade ou tração para corrigir qualquer excesso. Nota 6.
 
Interatividade – O interior é simples e os comandos são bem localizados. A regulagem dos retrovisores externos, que já foi um tanto incômoda no Duster, está localizada próxima aos comandos dos vidros elétricos. Em compensação, a posição da tela de sete polegadas do sistema multimídia ainda é muito baixa, desviando demais a visão do motorista. Nota 7.
 
Consumo – De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o Duster 2.0 manual registrou consumo de 6,4/7,4 km/l com etanol no tanque na cidade/estrada e 9,0/10,8 km/l com gasolina, nas mesmas condições. O resultado foi consumo energético de 2,24 MJ/km e notas “A” em sua categoria e “C” no geral. Nota 7.
 
Tecnologia – O Renault Duster utiliza a plataforma B0, da Dacia, que é de 2002. A primeira geração do SUV surgiu em 2009 e uma próxima é esperada ainda para 2017, na Europa. No Brasil, a versão Dynamique 2.0 traz itens de série até satisfatórios no que diz respeito ao conforto, mas deixa a desejar na segurança pela falta de controle eletrônico de estabilidade e tração. Nota 6.
 
Conforto – O formato “quadradão” da carroceria proporciona um amplo espaço para pernas e cabeças tanto para os passageiros da frente quanto para os traseiros. A suspensão absorve bem os desníveis dos pisos brasileiros e o isolamento acústico não impressiona, mas também não faz feio. Nota 8.
 
Habitalidade – Não há tantos porta-objetos, mas os existentes dão conta do recado. Três pessoas podem viajar no banco de trás sem depender tanto da boa vontade dos ocupantes dianteiros. O porta-malas carrega 475 litros, o suficiente para levar boa bagagem. Nota 8.
 
Acabamento – O interior é bem funcional, mas simples para a faixa de preço em que a versão atua. Além disso, abusa um pouco da ideia de robustez que permeava o segmento dos utilitários esportivos da década passada. Não há requinte – no máximo, um ou outro cromado, com algumas peças em plástico brilhante. Mas os encaixes são bons e o material aparenta boa qualidade. Nota 7.
 
Design – O desenho do Duster é antiquado, um tanto quadradão. Também aí entra a ideia antiga de que os SUVs, inclusive os compactos, deveriam transmitir mais robustez em suas formas, com aspecto um tanto rústico. O lançamento do Renault Captur, com linhas mais “delicadas”, acabou evidenciando esse distanciamento com o que se vê atualmente no segmento. Mas as dimensões chamam atenção e, de fato, o Duster transmite bastante robustez. Nota 7.
 
Custo/Benefício – O Renault Duster Dynamique 2.0 manual custa R$
 84.120 e acaba perdendo em custo/benefício para as versões do próprio Duster com o mesmo propulsor 2.0. O câmbio automático adiciona apenas R$ 1.950 à conta, totalizando R$ 86.020. E com transmissão manual, mas tração integral, fica em R$ 86.620. Até a diferença em relação ao novo lançamento da marca, o Captur, é baixa. Em sua versão topo de linha, o SUV sai a R$ 88.490, mas tem partida sem chave, controles de estabilidade e tração e auxílio de partida em rampa entre os itens de série, sendo disponibilizado com propulsor 2.0 apenas com câmbio automático. Definitivamente, um cenário que não favorece o Duster 2.0 Dynamique manual. Nota 4.
 
Total – O Renault Duster Dynamique 2.0 manual somou 67 pontos de 100 possíveis.
 

Impressões ao dirigir

Funcionalidade racional
 
O Renault Duster Dynamique 2.0 manual não se destaca na multidão. Na verdade, o visual é um tanto ultrapassado e extremamente rústico, que destoa dos SUVs compactos mais modernos e “mauricinhos”. O interior segue a mesma lógica, apesar de trazer uma central multimídia de série bastante funcional, com tela sensível ao toque de sete polegadas e GPS incluído. Por outro lado, o espaço interno é bem farto. A carroceria quadrada ajuda a entregar conforto inclusive para passageiros mais altos nos bancos de trás. 
 
 
Em movimento, o motor 2.0 se comporta de maneira satisfatória. Não há um arroubo de potência, mas também não dá para sentir falta de força. Um bom trunfo do modelo é a tecla Eco, localizada no console central, próximo à alavanca do câmbio manual de seis marchas. Ela corta parte da potência, do torque e até da força do ar-condicionado. Com isso, a entrega de economia de combustível é visível. A marca promete até 10%, mas a sensação é de que essa redução de consumo é até maior. 
 
 
A direção eletro-hidráulica, adotada na linha 2017, é outro fator que contribui para a eficiência energética. Mas não compromete a estabilidade do modelo: conforme o ponteiro do velocímetro sobe, ela ganha mais firmeza. Porém, a falta de controles dinâmicos voltados para a segurança decepciona. Ainda mais por se tratar de um carro acima dos R$ 80 mil. Modelos bem mais baratos já saem de fábrica com esse tipo de tecnologia atualmente. Nessas análises, fica evidente demais o quão ultrapassado está o Duster. Uma nova geração do modelo de origem romena surgirá na Europa ainda este ano, mas o Brasil só deve receber a renovação a partir de 2018.
 
 
Ficha técnica

Renault Duster Dynamique 2.0 manual
 
Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. 
Potência máxima: 143 cv e 148 cv com gasolina e etanol a 5.750 rpm.
Aceleração de zero a 100 km/h: 10,3 segundos.
Velocidade máxima: 187 km/h.
Torque máximo: 20,2 kgfm e 20,9 kgfm com gasolina e etanol a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso: 82,7 mm X 93,0 mm. Taxa de compressão: 11,2:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos, triângulos inferiores e molas helicoidais. Traseira semi-independente com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais. Não possui controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 205/60 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS.
Carroceria: SUV em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,33 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,68 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal.
Peso: 1.294 kg.
Capacidade do porta-malas: 475 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.
Itens de série: Airbag duplo, freios ABS, ar-condicionado, direção eletro-hidráulica, travas elétricas, volante com regulagem da altura, ar quente, desembaçador do vidro traseiro, faróis com máscara negra, brake light, rodas de liga leve de 16 polegadas, vidros elétricos, alarme perimétrico, assento do condutor com regulagem de altura, barras no teto, central multimídia com GPS e câmara de ré, faróis de neblina, para-choques na cor da carroceria, retrovisores elétricos, sensor de estacionamento, computador de bordo, tomada 12V no compartimento traseiro e vidros do motorista com comando one touch.
Preço: R$ 84.120.
 

TRÂNSITO LIVRE

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