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Teste: Chevrolet Tracker LTZ - Um novo tempo

03/03/2017 18:10  - Fotos: Isabel Almeida;Carta Z Notícias
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Teste: Chevrolet Tracker LTZ - Um novo tempo

Chevrolet Tracker LTZ abandona estilo rústico e ganha agilidade e elegância após reestilização

Por Márcio Maio
Auto Press

Foi se o tempo em que o foco na robustez dominava o segmento dos SUVs compactos. Com o passar dos anos – e o sucesso estrondoso que a categoria conquistou em diversos mercados, não só no brasileiro –, eles passaram a ser os “queridinhos” de quase todas as marcas e a ideia de elegância e modernidade começou a se proliferar entre os novos lançamentos. Alinhado ao fato de que o visual do Chevrolet Tracker já estava desatualizado diante da nova assinatura de design da marca, uma mudança era mesmo necessária. Mas a marca foi além e mexeu também no trem de força. Conseguiu atualizar o carro e, de quebra, adotou um novo motor turbo flex. E conquistou boa relação custo/benefício, inclusive em sua configuração de topo, a LTZ – que parte de R$ 91.990.

O Tracker LTZ adota a mesma motorização de sua variante de entrada, a LT. Trata-se do novo 1.4 turbo flex com injeção direta de combustível de 153 cv de potência e 24,4 kgfm de torque – sendo que 90% dessa força fica disponível já em 1.500 giros, de acordo com a fabricante. O propulsor, o mesmo que equipa os hatch e sedã médios Cruze, trabalha em conjunto com a transmissão automática de seis velocidades, que também passou por mudanças e ganhou nova relação de marchas. O zero a 100 km/h chega em 9,4 segundos, exatamente 2 segundos a menos que antes, e a máxima é de 198 km/h.

Para valorizar a eficiência energética, entrou o sistema Stop/Start, que desliga o motor temporariamente em paradas. De acordo com a Chevrolet, isso pode resultar em até 15% de economia de consumo. O modelo vendido no Brasil ainda recebeu novo acerto de suspensão, para adicionar firmeza em altas velocidades e reduzir a rolagem de carroceria. No entanto, recursos como controles eletrônicos de estabilidade e de tração ficaram de fora.

Externamente, capô, faróis, grade, para-choque e os para-lamas posteriores foram completamente redesenhados. Na parte de trás, as alterações ficam por conta das novas lanternas, com opção de iluminação em leds, e do para-choque reestilizado. Já por dentro, a marca garante que a cabine está 11% mais silenciosa. O painel de informações mudou e está mais sóbrio, com velocímetro analógico – o antigo era digital, semelhante ao do Onix. O sistema multimídia MyLink traz compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay e há, de série, a tecnologia OnStar, com a possibilidade de comandar ter acesso a serviços de concierge e emergência, entre outros. Entre os itens inéditos de segurança, dois deles são comuns ao da Trailblazer: alerta de ponto cego e câmara de ré com alerta de movimentação traseira.

Ponto a ponto

Desempenho – O novo Tracker ganhou o mesmo motor que equipa o Cruze, um 1.4 turbo de 153 cv com etanol que faz muita diferença na hora de mover o SUV compacto. Com injeção direta, o propulsor entrega 24,5 kgfm de torque máximo já em 2 mil rotações. Arrancadas, ultrapassagens e retomadas são feitas com facilidade e a transmissão automática de seis velocidades é eficiente na hora de fazer o conta-giros subir ou descer com agilidade de acordo com a necessidade do motorista. Nota 8.

Estabilidade – Em velocidades médias, o Tracker se mostra estável. Mas, como é comum em SUVs compactos, a carroceria rola um pouco nas curvas. E surpreende o fato de, mesmo com motor mais “enérgico”, não receber controle eletrônico de estabilidade. Nota 7.

Interatividade – O interior é simples, com poucos comandos e todos bem posicionados. Um diferencial nesse sentido é o sistema OnStar. A central multimídia, no entanto, não chega a ter GPS. Há controle de velocidade de cruzeiro, o que facilita as viagens longas de estrada. Mas os recursos são poucos para a faixa de preço em que a versão de topo LTZ atua. As trocas manuais na alavanca – e não em aletas atrás do volante, por exemplo – também depõem contra nesse sentido. Nota 7.

Consumo – O Traker ganhou nota “A” no selo de eficiência energética do InMetro em sua categoria, com média de 7,3/8,2 km/l com etanol na cidade/estrada e 10,6/11,7 km/l com gasolina, nas mesmas condições. No geral, a nota foi “C”, com consumo energético de 1,97 MJ/km. Nota 8.

Conforto – O espaço interno é bom e quatro ocupantes viajam com bastante conforto. A suspensão consegue filtrar boa parte das imperfeições das ruas e estradas brasileiras, promovendo poucos sacolejos na cabine. O isolamento acústico é correto, mas o barulho do motor invade sem cerimônia a cabine quando o turbo é acionado. Nota 8.

Tecnologia – A plataforma estreou no Sonic, em 2011, e é a mesma dos sedãs Cobalt e Prisma, do hatch Onix e da minivan Spin. Não há controle de estabilidade nem de tração e a lista de itens de série, exceto pela central multimídia MyLink, não chega a chamar muita atenção. Mas o motor é moderno e ter um motor turbo e flex com transmissão automática entre os SUVs compactos brasileiros é um trunfo do Tracker. Nota 7.

Habitabilidade – De maneira geral, os carros da Chevrolet trazem bons nichos e porta-objetos para guardar tudo que precisa estar à mão do motorista durante uma viagem. Mas o porta-malas carrega 306 litros, o que é pouco para a categoria em que atua. O teto solar cria uma boa sensação de amplitude no habitáculo. Nota 7.

Acabamento – O Tracker LTZ traz certo desequilíbrio nesse quesito. O trem de força é do Cruze, hatch e sedã médios da categoria. Já o interior se assemelha ao do Onix e do Prisma, os compactos da marca e, obviamente, que atuam em um segmento inferior. O acabamento é superior ao que era visto antes da reestilização, mas talvez alguns compradores potenciais esperem mais pelos R$ 92.990 pedidos pela versão, com todos os opcionais. Nota 6.

Design – A evolução nesse sentido é imensa. A nova assinatura visual da Chevrolet deu ao Tracker um desenho mais elegante e moderno. Além disso, ressaltou a ideia de esportividade – totalmente justificada pela adoção do novo propulsor turbinado. A imagem anacrônica de antes foi deixada de lado. Nota 9.

Custo-benefício – Chevrolet Tracker LTZ parte de R$ 89.990 e chega a R$ 92.990 completo, ou seja, com airbags laterais e de cortina. Quem busca um motor vigoroso e eficiente aliado à transmissão automática não encontra oferta melhor no mercado. Um Ford Ecosport topo de linha, Titanium 2.0, custa R$ 1.700 a mais, mas traz controles de estabilidade e tração. Um Jeep Renegade Limited 1.8 flex, que é mais bem equipado que o Tracker LTZ, parte de R$ 91.990, mas seu propulsor é menos eficiente e vigoroso. Por R$ 93 mil a Honda entrega o HR-V EX, variante intermediária. É menos potente, menos eficiente e, apesar de ter assistente de estabilidade e tração, é menos equipado. Um Hyundai Creta Prestige é mais bem equipado, mas o motor 2.0 não é turbo e o preço fica em R$ 99.490. Um Nissan Kicks SL tem motor 1.6 de 114 cv e sai a R$ 91.900. O Tracker deixa a desejar no acabamento e na central multimídia simples, mas leva alguma vantagem no custo/benefício. Nota 8.

Total – O Chevrolet Tracker LTZ somou 75 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Além da forma

Por fora, o Chevrolet Tracker LTZ se mostra um novo carro. Antes um tanto quadrado e excessivamente rústico, a ideia de robustez deu lugar a uma imagem elegante e moderna. Não condiz tanto com seu interior, mas está bem alinhada ao novo trem de força adotado pela marca.

Apesar de custar mais de R$ 90 mil completo, o habitáculo se parece demais com o de um Onix ou Prisma, hatch e sedã compactos construídos sobre a mesma plataforma do Tracker. Há bons porta-nichos, mas o porta-malas também pode desanimar quem pretende viajar em família ou carregar objetos mais volumosos: são apenas 306 litros.

Em movimento, porém, o 1.4 turbinado de 153 cv entrega bom vigor. O torque máximo aparece aos 2 mil giros, mas antes disso o Tracker já mostra fôlego de sobra para arrancadas, retomadas e ultrapassagens. A transmissão automática de seis velocidades trabalha em excelente sintonia com o motor, esticando um pouco as marchas quando se pede mais desempenho ou reduzindo-as, para ultrapassagens e retomadas. No entanto, convém não levar o Tracker ao limite: a carroceria rola um pouco nas curvas em alta velocidade e não há controle eletrônico de estabilidade para corrigir excessos.

Ficha técnica

Chevrolet Tracker LTZ

Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 1.399 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbocompressor, injeção direta e controle eletrônico de aceleração.

Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 153 cv/150 cv a 5.200/5.600 rpm com etanol/gasolina.

Torque máximo: 24,5/24 kgfm a 2 mil/2.100 rpm com etanol/gasolina.

Taxa de compressão: 10,01:1.

Suspensão: Dianteira do tipo independente McPherson, barra estabilizadora, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Traseira com eixo de torção, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 215/55 R18.

Freios: Discos dianteiros ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,26 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,68 m de altura e 2,55 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais de série e laterais e de cortina opcionais.

Peso: 1.413 kg.

Capacidade do porta-malas: 306 litros.

Tanque de combustível: 53 litros.

Produção: San Luís Potosí, México.

Itens de série: Alarme antifurto, faróis e lanterna de neblina, sistema de fixação de cadeiras para crianças Isofix, freios com ABS e sistema de distribuição de frenagem, rack de teto, ar-condicionado, coluna de direção com regulagem em altura e profundidade, computador de bordo, controlador de velocidade de cruzeiro com comandos no volante, desembaçador elétrico do vidro traseiro, direção elétrica, sistema Stop/Start, trava elétrica com acionamento na chave, vidros elétricos, banco traseiro bipartido e rebatível, central multimídia com tela LCD sensível ao toque de 7 polegadas e integração com smartphones através do Android Auto e Apple CarPlay, controles de rádio e do celular no volante, sistema OnStar com pacote Exclusive, alerta de movimentação traseira em marcha ré, alerta de ponto cego, luz de condução diurna, luz de posição em leds, lanternas em leds, rodas de alumínio de 18 polegadas, câmara de ré, chave presencial, retrovisores externos elétricos com aquecimento, sensor de estacionamento traseiro, teto solar elétrico, banco do motorista com regulagem lombar elétrica. 

Preço: R$ 89.990.

Opcionais: airbags laterais e de cortina.

Preço completo: R$ 92.990.

 

TRÂNSITO LIVRE

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