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Renault Captur - Composição cruzada

16/02/2017 18:10  - Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias
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Renault Captur une engenharia nacional com design francês para brigar com os crossovers compactos

por Eduardo Rocha
Auto Press

A definição de crossover é para um carro que mistura características de utilização de mais de um segmento. No caso do Captur, lançado oficialmente esta semana, a Renault fez uma composição que começou já na engenharia do projeto. A marca francesa pegou a plataforma do Duster como apoio e aplicou sobre ela um desenho semelhante ao do Captur original, francês, que é 20 cm menor. Embora o conteúdo seja ligeiramente superior ao do velho Duster – como a presença ESP e airbags laterais –, a Renault aposta design refinado e no tamanho mais avantajado para valorizar seu novo carro entre os SUVs e crossovers compactos.

A lógica, de oferecer um carro mais espaçoso por um valor ligeiramente menor que os rivais é a mesma que a marca implementou com Logan e Sandero. Os preços são de R$ 78.900 e de R$ 88.490, respectivamente. Com todos os opcionais, o que inclui a pintura em duas cores, chegam a R$ 82.290 e R$ 91.390. Ou seja: mesmo com o aumento do preço do Duster, que passou de iniciais R$ 69.620 para R$ 75.320, o Captur disputa um mercado superior, com carros com mais apelo “social” que aventureiro, como Honda HR-V, Nissan Kicks, Hundai Creta e Ford EcoSport. Tanto que a marca não tem sequer a intenção de lançar uma versão 4X4.

A ideia, ao contrário, é tornar o Captur ainda mais dócil e atraente para um público que é atraído pela ideia de parecer aventureiro, mas que gosta mesmo é de conforto. Inicialmente, o Captur chega em duas versões, que já seguem uma nova nomenclatura que vai se espalhar por toda a gama: a básica se chama Zen e a top, Intense. Em relação a conteúdo, a maior inovação do Captur é vir de série com o controle de estabilidade e tração, ou ESP – de eletronic stability program. Este recurso é muito difundido nos países centrais e vem aos pouco se tornando comum no Brasil. Até porque será obrigatório para os modelos lançados a partir do ano 2020 e para todos os automóveis novos a partir de 2022. A Captur Zen traz ainda de fábrica airbags laterais, além dos frontais obrigatórios, rodas de liga aro 17, chave-cartão presencial e retrovisores rebatíveis eletricamente. Além dos itens de praxe: ar, direção eletro-hidráulica, controle de cruzeiro, trio elétrico, computador de bordo, rádio com bluetooth e sensor de obstáculos traseiro. Opcionalmente, pode receber o sistema multimídia com tela de 7 polegadas e câmara de ré. A versão Intense agrega de série estes dois itens e ainda inclui sensores de chuva e de luminosidade, ar automático, faróis de neblina com função de iluminação lateral. Opcionalmente pode receber revestimento em couro e pintura em dois tons. 

A versão Zen vem sempre pelo novo motor da marca 1.6 SCe, que passou a ser usado recentemente pelo Duster. Ele gera 118 cv com gasolina e 120 cv com etanol, com torque de 16,2 kgfm com qualquer combustível. Por enquanto, a Zenm vem sempre equipada com um câmbio mecânico de cinco marchas, mas em meados no ano a Renault deve estrear um novo câmbio CVT – e aposentar do famigerado câmbio automatizado Easy’R. A top Intense vem com o tradicional motor 2.0 16V, gerenciado sempre pelo antigo câmbio automático de 4 marchas, conhecido desde os tempos da Scénic. Ele gera 143/148 cv e 20,2/20,9 kgfm de torque com gasolina/etanol. 

A “solução” de compatilhar motores e transmissões foi no intuito der manter os custos de produção do Captur sob controle, pois são produzidos no Paraná. Foi também no sentido de conter investimentos que a Renault preferiu usar a plataforma do Duster, mesmo sendo obrigada a criar uma nova carroceria, intensamente inspirada no Captur francês – ainda assim, foram investidos R$ 500 milhões no projeto. Além dos 20 cm a mais que o modelo francês, o Captur brasileiro ganhou 7 cm de entre-eixos e ficou com 2,67 m. Maior até que o de crossovers médios, como Hyundai iX35, Toyota RAV4 e Honda CR-V. Este compartilhamento também facilita para a rapidez de se adaptar à demanda do mercado entre Duster e Captur. Os executivos da marca se esquivaram de apontar uma estimativa de vendas, mas talvez a imagem da marca no país e o despojamento do Captur atrapalhem em um segmento de mercado que é mais sofisticado.

Primeiras impressões

Beleza despojada

São Bernardo do Campo/SP – Por fora, o Captur impressiona pela musculatura atlética das linhas e pelo porte avantajado. O design certamente é um ponto positivo. Por dentro, chama a atenção favoravelmente o desenho sinuoso do tablier frontal, que se funde com os painéis das portas e também destacam o cockpit do motorista. Mas o carro peca em pontos importantes. Os plásticos no interior são rígidos e rugosos, com pequenas “intervenções” em black piano nos puxadores das portas e no console central. O friso cromado que envolve os instrumentos também alivia um pouco a monotonia. Mas o despojamento e a falta de refinamento se explicitam na ausência de um console entre os bancos, na qualidade da forração e até na simploriedade da luz interna.

Outra coisa que incomoda é o posicionamento dos botões que acionam alguns recursos. Os que acionam o controle de cruzeiro e o modo Eco ficam obstruídos sob o freio de mão. O inexorável comando satélite de rádio e de viva-voz, escondido pelo raio do volante, também não se justifica. Essas características são resultado direto do compartilhamento de plataforma com um modelo como o Duster, que já tem uns bons sete anos de mercado. Causa estranheza também a ausência de um interruptor para o ESP, que desligasse pelo menos o controle de tração. O caso é que o sistema age cortando a potência do motor, o que pode ser um tiro no pé em determinadas situações de baixa aderência, em que é preciso patinar um pouco as rodas para conseguir se mover. Incoerente com um crossover que se gaba de ter a maior altura livre e os melhores ângulos de ataque e de saída.

 

Em movimento, o Captur se sai relativamente bem. O propulsor 2.0 anima o crossover com competência, apesar do limitado câmbio de quatro marchas. Volta e meia é preciso apelar para o kickdown, o que tem o efeito colateral de fazer o ruído do propulsor invadir o habitáculo. Em condições normais, no entanto, é bem silencioso. A suspensão tem um excelente acerto e consegue proporcionar maciez de rodagem e bom compromisso com a estabilidade. Apesar da altura, o Captur não aderna muito nas curvas e mantém a trajetória com muita obediência aos comandos. Outra parte boa do novo crossover nacional é o espaço generoso. Tanto no interior, para pernas, cabeças e ombros, como no porta-malas, com bons 437 litros. Apesar da falta de glamour, o espaço, a dinâmica, a beleza exterior e o preço razoavelmente competitivo podem facilmente tornar a equação do Captur bastante positiva. 

 

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