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Teste: Mercedes-Benz Classe C180 Estate - Familiar “vintage”

17/11/2016 16:12  - Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias
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Teste: Mercedes-Benz Classe C180 Estate - Familiar “vintage”

Mercedes-Benz Classe C180 Estate tenta vingar em um segmento engolido pela ascensão dos utilitários esportivos

por Fabio Perrotta Junior
Auto Press


Se existe um tipo de carro que praticamente desapareceu das ruas brasileiras são as station wagons. A ascensão do segmento de SUVs praticamente extinguiu esse tipo de veículo. No entanto, ainda existem raros remanescentes. É o caso da Mercedes-Benz Classe C180 Estate Avantgarde. Baseada na variante de entrada do sedã Classe C, a versão perua é praticamente idêntica ao sedã, com mudanças perceptíveis somente a partir da porta traseira.



O design é harmônico. A diferença mesmo fica na traseira, que agora traz opulentas e enormes lanternas horizontais, ao contrário das verticais da geração anterior, e avançam pela tampa do porta-malas. O interior é idêntico ao do sedã, inclusive a inusitada central multimídia semelhante a um tablet de sete polegadas, que fica pendurada no painel e destoa do conjunto e sobriedade alemã.



Única versão disponível, a C180 Estate Avantgarde utiliza o já conhecido motor 1.6 turbo da Mercedes. Rende 156 cv e 25,5 kgfm de torque, sempre abastecido com gasolina. A lista de itens de série, mesmo se tratando de uma versão “de entrada”, é extensa. São sete airbags (dois frontais, dois laterais, dois de cortina e um de joelho para o motorista), controle eletrônico de estabilidade e controle de tração, freios com sistema antitravamento e distribuição eletrônica de frenagem, transmissão automática de sete velocidades, direção elétrica, ar-condicionado digital de duas zonas, sensores de estacionamento traseiros, câmara de ré e controle de velocidade. O modelo não tem opcionais.



O Classe C, mesmo com a forte retração que o mercado passa, emplacou 2.291 unidades em 2016, uma média de 229 vendas mensais, números mais altos que outros sedãs mais baratos. A versão Estate, no entanto, por sua baixa procura, é limitada a 200 unidades por ano, ao custo de R$ 185.900. O preço alto é, sem dúvidas, um de seus principais problemas. Sua principal concorrente acabou de desembarcar em nova geração no Brasil. O Audi A4 Avant custa R$ 187.900, mas é mais moderno, equipado e potente, com motor 2.0 turbo de 190 cv. Dentro da própria marca alemã, a versão Estate custa R$ 19 mil a mais que a variante sedã – por 1 cm extra no comprimento da carroceria e 10 litros no bagageiro – e R$ 7 mil a mais que o GLA 200 intermediário, que utiliza o mesmo motor e tem aparência de utilitário esportivo. Resta ao C180 Estate o público que preza pela dirigibilidade de um sedã e necessita de um espaço grande para as malas. E que não se deixe seduzir pelos cada vez mais badalados SUVs.


 
Ponto a ponto

Desempenho – O funcionamento do motor 1.6 turbo de 156 cv da perua não impressiona. Não há falta e nem sobra, o desempenho é justo. O torque máximo de 25,5 kgfm fica disponível entre 1.200 e 4 mil rpm e ajuda a empurrar o modelo quando se está carregado. A transmissão 7GTronic Plus, de sete marchas, entrega trocas rápidas e no tempo correto. Nota 8.

Estabilidade – Um carro com vocação familiar não pode ser instável. O Classe C Estate encara curvas sem se abalar, com uma precisão interessante. A tração traseira, a boa rigidez torcional do conjunto e a direção precisa tornam o C Estate um carro bastante prazeroso de se dirigir. Quando se vai além do limite, os sistemas eletrônicos mantêm a segurança. Nota 9.

Interatividade – Talvez possa ser considerada o “calcanhar de Aquiles” da perua. O painel é completo e os instrumentos são fáceis de ler. Já a tela multimídia de 7 polegadas mais parece um tablet e destoa do visual. Seu funcionamento é um tanto confuso. A haste para acionamento do câmbio se localiza no local habitual do comando do limpador de para-brisa. É necessária pratica para ser corretamente acionada sem a necessidade de olhar. Nota 7.

Consumo – O Classe C Estate passou pelo teste do Inmetro. Obteve média de 10 km/l em ciclo urbano e de 13,6 km/l na estrada com consumo energético de 1,93 MJ/km. Na sua categoria, alcançou nota A entre seus concorrentes e no geral B. Nota 8.

Conforto – O Classe C Estate é um veículo com rodar suave, como a variante sedã. A suspensão fornece boa absorção de impactos. Os bancos de couro são confortáveis e aconchegantes. O espaço interno carrega cinco pessoas com conforto. Nota 8.

Tecnologia – Mesmo sendo baseado na versão de entrada do sedã, o C180 Estate traz sistema start/stop – que desativa o motor quando o carro está parado para economizar combustível –, a direção eletromecânica, central multimídia, Bluetooth, GPS e entradas auxiliar e USB, cinco programas de condução, sensores de chuva, crepuscular e de monitoramento pressão dos pneus e faróis com leds diurnos. Nota 8.

Habitabilidade – No interior existem diversos espaços para guardar objetos. O enorme porta-malas leva de 490 litros a 1.510 litros. A bagagem de toda a família e ainda sobra espaço. Os acessos pelas portas dianteiras e traseiras são fáceis e não é difícil achar uma posição cômoda nos bancos. Nota 9.

Acabamento – O acabamento segue o padrão Mercedes-Benz. Sofisticado e bonito, não há economia em matérias nobres como couro ou alumínio no console. Os plásticos são de toque macio e o acabamento não apresenta nenhuma falha de montagem. Nota 9.

Design – Os vincos frontais e laterais dão ao modelo um ar contemporâneo e dinâmico. A traseira traz lanternas enormes e não tão harmoniosas quanto na geração anterior. Por dentro, os revestimentos são elegantes e o aspecto geral transmite percepção de qualidade e requinte. O console central tem linhas fluídas. A tela de 7 polegadas que faz a vez de central multimídia destoa e parece improvisada. Nota 6.

Custo/benefício – Disponível em uma só versão, o Classe C Estate custa R$ 185.900. Em comparação com seu concorrente direto, o recém-lançado Audi A4 Avant, é R$ 2 mil mais barato. O concorrente alemão, no entanto, traz motor 2.0 turbo de 190 cv e um sistema multimídia dos mais modernos do mercado. Nota 5.

Total – O Classe C180 Estate obteve 77 pontos dos 100 possíveis

Impressões ao dirigir

Tradição de família


A Classe C Estate se mostrou muito rápida, confiável e segura durante os testes. A boa plataforma em que é baseada ajuda nesse ponto, visto que não é fácil atingir os limites do modelo. Por se tratar de um carro com intuito de levar a família e suas bagagens, o C180 Estate se sai bem na tarefa. Três passageiros viajam no banco de trás com conforto e o espaço para as malas é gigante. Seu pecado capital é não ter um sistema de entretenimento mais atraente e moderno, visto que ajudaria em viagens mais longas, principalmente com crianças.



Dinamicamente os 156 cv dão conta do recado. Não há esportividade, mas o motor 1.6 auxiliado do turbo é suficiente para movimentar os 1.500 kg do modelo. A direção é precisa e impressiona por se tratar de um carro família. O comportamento da suspensão prioriza o conforto, mas não prejudica em nada o desempenho em curvas. Para se achar o limite é necessário muito empenho e um pouco de agressividade na direção. Mesmo assim, ao atingi-lo, o controle de estabilidade está sempre alerta para segurar o carro.



Há opção de modos diferentes de condução, que alteram o comportamento do carro. No Eco, o C180 State fica tranquilizado, com respostas de acelerador e direção mais lentas e com foco no consumo de combustível. No outro extremo, o Sport Plus altera todos os parâmetros com foco na esportividade. A direção é mais direta e firme. O pedal de acelerador fica afiado e as trocas de marcha acontecem no limite do corte de giro. A transmissão automática de sete marchas executa seu trabalho com perfeição, com trocas rápidas e quase imperceptíveis. O segmento de station wagons sofre com a concorrência dos utilitários esportivos. No Classe C Estate, o preço de R$ 185.900 é equivalente ao de um SUV grande, que une o espaço com o status aventureiro que o consumidor brasileiro tanto cobiça.  

 

Ficha técnica

Mercedes-Benz C180 Estate Avantgarde

Motor: Gasolina, dianteiro, 1.595 cm³, longitudinal, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbo, comando duplo no cabeçote e duplo comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico e injeção direta.

Transmissão: Automática com sete marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Oferece controle de tração.

Potência: 156 cv em 5.300 rpm.

Torque: 25,5 kgfm entre 1.200 e 4 mil rpm.

Aceleração de zero a 100 km/h: 8,7 segundos.

Velocidade máxima
: 223 km/h.

Diâmetro e curso
: Não informado. Taxa de compressão: 10,3:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo four-link, com barra estabilizadora e traseira do tipo multilink com subchassi em alumínio e barra estabilizadora. Amortecedores a ar nas quatro rodas controlados eletronicamente e controle automático de rigidez e altura.

Peso: 1.500 kg.

Pneus: 205/60 R16.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS de série.

Carroceria: Perua em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,70 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,45 m de altura e 2,84 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Capacidade do porta-malas: de 490 até 1.510 litros.

Tanque de combustível: 66 litros.

Produção: Bremen, Alemanha.

Preço no Brasil
: R$ 185.900.

 

TRÂNSITO LIVRE

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