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Teste: Citroën C3 Tendance 1.2 - Inteligência emocional

06/10/2016 08:04  - Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias
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Teste: Citroën C3 Tendance 1.2 - Inteligência emocional

Citroën C3 Tendance 1.2 aposta na economia de combustível com bom recheio e desempenho

por Márcio Maio
Auto Press

Os fabricantes automotivos estão cada vez mais de olho na eficiência energética – inclusive no Brasil. Daí a abundância de ofertas de carros 1.0 com motores tricilíndricos no mercado nacional. Mas a Citroën pegou carona na estratégia da Peugeot – as duas pertencem ao Grupo PSA – e também adotou no Brasil o novo propulsor 1.2 PureTech, importado da França e também com três cilindros. E tratou de garantir que não apenas os interessados nas faixas de entrada aproveitassem o downsizing – diminuição do tamanho do motor com melhorias em seu desempenho. Para isso, incluiu o trem de força na configuração Tendance, que traz os principais atributos de um compacto de topo.

Responsável pela nota A em todas as categorias de consumo estipuladas na avaliação do Inmetro para o C3 com essa tecnologia, o propulsor PureTech 1.2 tem 12 válvulas e trabalha em conjunto com uma transmissão manual de cinco marchas. Ele ganhou uma versão flex especificamente para o mercado brasileiro e substituiu o antigo 1.5 de quatro cilindros que equipava as configurações Origine, Attraction e Tendance. Para isso, agrega soluções técnicas inteligentes, como duplo comando com variação do tempo de abertura de válvulas, partida a frio com pré-aquecimento no injetor, coletor de escapamento integrado ao cabeçote e sistema de arrefecimento com temperaturas separadas para bloco e cabeçote. Além disso, ficou de fora também o ultrapassado tanque auxiliar de gasolina para partida a frio. E é capaz de entregar potência de 84/90 cv com gasolina/etanol no tanque e 12,2/13 kgfm de torque máximo, nas mesmas condições. 

Os avanços técnicos do trem de força foram tamanhos que inibiram qualquer reação da marca francesa ao visual do hatch compacto. Exceto pelo discreto logotipo PureTech na tampa traseira, nada foi mexido. A lista de itens de série da versão Tendance, no entanto, já era farta. Há ar-condicionado, direção e trio elétricos, rodas de liga leve de 15 polegadas, sistema de som com USB e Bluetooth e luzes diurnas em leds de fábrica. Isso sem falar no para-brisa Zenith, principal chamariz da linha, caracterizado pelo “vidrão” dianteiro que amplia a sensação de espaço dentro do carro e oferece perspectivas visuais inusitadas aos ocupantes.

Um pacote opcional, que custa R$ 1.850, ainda adiciona à variante ar-condicionado automático e central multimídia com tela sensível ao toque de 7 polegadas. O aparelho espelha a tela dos celulares conectados pelas plataformas Car Play, para Apple, e Mirror Link, para Android, e inclui o aplicativo My Citroën, que transmite ao celular informações como localização, percurso realizado, consumo e próxima revisão. Mas a conta total fica um tanto alta. O preço de entrada do C3 Tendance 1.2 é de R$ 53.590, totalizando R$ 55.440 com a central multimídia e ar automático. Cor metálica adiciona R$ 1.390 a esse valor, mas se for a branca em tom perolizado da unidade testada, o acréscimo é maior: R$ 1.790. Nesse caso, tudo dá R$ 57.230 – ou seja, nada barato para um veículo deste porte e segmento. 

Ponto a ponto

Desempenho – O novo motor de três cilindros francês rende 90 cv a 5.750 rpm com etanol no tanque e 84 cv com gasolina. O torque máximo, de 13 kgfm com etanol, aparece já em 2.750 rpm. O resultado é um compacto interessante na cidade, que proporciona belas arrancadas para quem gosta de “sair forte” quando o sinal fica verde. Como os giros não demoram a subir, a aceleração é boa e as retomadas e ultrapassagens são realizadas sem muito esforço. Nota 8.

Estabilidade – Sempre foi uma tradição da Citroën contar com um acerto de suspensão que garante boa qualidade no rodar. Mesmo em velocidades mais elevadas, o hatch transmite confiança ao condutor e se mantém sob controle. Não há qualquer aparato eletrônico para garantir correções ao se levar o modelo ao limite, mas a proposta das configurações com o propulsor 1.2 é melhorar a eficiência, não exaltar esportividade. Nota 8.

Interatividade – Os comandos essenciais ficam em posições fáceis de serem acessadas e a visibilidade dianteira é um dos principais pontos da versão Tendance. Isso graças ao para-brisa batizado como Zenith, que amplia a sensação de espaço ao aumentar a região envidraçada na dianteira. Em compensação, os botões localizados atrás do volante para acessar funções de áudio da central multimídia são pouco práticos. E no posto de gasolina, para abastecer, é preciso entregar a chave ao frentista. Nota 7.

Consumo – Esse é o maior trunfo do Peugeot 208 1.2 Allure. De acordo com dados do InMetro, ele tem média de 10,6 km/l de etanol e 14,8 km/l de gasolina em circuito urbano e 11,3 km/l etanol e 16,6 km/l de gasolina na estrada. Números suficientes para garantir a nota “A” no geral e no segmento. Nota 10.

Conforto – A cabine está na média da maior parte dos hatches compactos disponíveis no mercado nacional. Quatro adultos viajam com tranquilidade, mas um quinto elemento gera algum aperto no assento traseiro. O isolamento acústico é bom em rotações médias, porém o ruído do propulsor incomoda um pouco quando os giros sobem demais. Nota 7.

Tecnologia – A plataforma não é nova, mas foi retrabalhada quando a atual geração do C3 foi lançada, em 2009, na Europa. A lista de equipamentos da configuração Tendance é boa – mas central multimídia é opcional e não há “mimos” como controle de velocidade de cruzeiro, por exemplo. Já o motor 1.2 de três cilindros é bem moderno e bastante econômico. Nota 7.

Habitabilidade – Existem bons porta-objetos no carro e o acesso à cabine é adequado tanto para passageiros da frente quanto traseiros. O porta-malas leva 300 litros, uma capacidade razoável, tendo em vista a categoria em que o C3 atua. Nota 8.

Acabamento – O acabamento do Citroën C3 Tendance 1.2 é acima da média do segmento, mas não chega a ser surpreendente. Os plásticos têm boa qualidade, a maior parte deles é agradável ao toque e os encaixes são precisos. Porém, não há charme ou requinte. Nota 8.

Design – Apesar das formas arredondadas, os vincos laterais conferem um perfil robusto ao C3. O conjunto ótico está alinhado com o desenho contemporâneo do modelo e contribuem bastante para isso as luzes diurnas de leds, presentes na configuração Tendance. Nota 8.

Custo/benefício – O C3 Tendance 1.2 começa em R$ 53.590, mas chega a R$ 55.440 com a central multimídia opcional. A briga entre os hatches compactos envolve diferentes motorizações. Com propulsor 1.2, só o Peugeot 208 concorre, mas é posicionado em um patamar acima pelo Grupo PSA em termos de acabamento, equipamentos e preço. Na Ford, um Ka 1.0 SEL custa R$ 48.990 com 85 cv de potência e controles de estabilidade e tração e assistente de partida em rampas de série. Na Renault, é possível comprar um Sandero Dynamique 1.6, de 106 cv, por R$ 52.850 até mais equipado que o C3 Tendance 1.2. Um Chevrolet Onix LTZ 1.4 sai por R$ 54.490 e um Fiat Uno Sporting 1.3 manual completo, com todos os opcionais e 109 cv, tem preço de R$ 53.930. Mas o Citroën C3 Tendance 1.2 tem a seu favor a economia de combustível. Nota 5.

Total – O Citroën C3 Tendance 1.2 somou 76 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Eficiência racional

Chega a ser inusitado dirigir o Citroën C3 Tendance 1.2. Visualmente, o design é o mesmo da chegada da segunda geração, cujas vendas foram iniciadas no Brasil há quatro anos. Mas basta ligar o motor e sair com o carro da vaga para perceber a mudança significativa que chegou recentemente: a adoção do novo motor 1.2 de três cilindros. Já nas primeiras acelerações, é possível perceber a agilidade e a boa arrancada do carro, cujo torque máximo de 13 kgfm surge antes dos 3 mil giros. Retomadas são extremamente fáceis na cidade e a sensação de falta de força não aparece, mesmo em ladeiras mais íngremes. 

A proposta da marca com o propulsor passa longe da esportividade – na Europa, esse mesmo motor é oferecido também com turbocompressor e 110 cv ou 130 cv de potência máxima. Mesmo assim, o acerto suspensivo consegue se mostrar bem eficiente nos caminhos mais sinuosos e encarados com alguma ousadia. Ao mesmo tempo, o conforto a bordo não fica comprometido, graças à boa absorção das pancadas em pisos irregulares – bem típicos nas ruas brasileiras. 

O espaço não chega a ser um grande trunfo – são apenas 2,46 m de distância entre-eixos –, mas permite que quatro adultos viajem sem apertos. Os bancos têm densidade boa e o volante, boa pegada. Um dos pontos altos da versão Tendance, porém, é que ela recebe o para-brisa Zenith, que amplia a área envidraçada dianteira do carro. O resultado é a impressão de se estar em um automóvel maior e até mais alto, além de melhorar a iluminação no habitáculo. 

Apesar da relação de custo/benefício um tanto complicada – há opções bem mais em conta com especificações técnicas semelhantes ou preço similar, mas motorização maior –, o principal destaque do C3 Tendance 1.2 afeta, sim, o bolso do consumidor. Mas nas passagens pelo posto de gasolina. Uma direção suave e que priorize a economia de combustível pode resultar em médias até melhores que as aferidas pelo InMetro. O que é preciso levar em consideração é se a diferença cobrada pela Citroën pelo modelo diante da concorrência – com motores 1.0 novos, de potência ligeiramente inferior – compensa essa redução na hora de abastecer o carro. 

Ficha técnica

Citroën C3 Tendance 1.2

Motor: Dianteiro, transversal, 1.199 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com sistema de variação de abertura na admissão e exaustão. Injeção eletrônica multiponto sequencial e flex.

Potência: 90/84 cv com etanol/gasolina a 5.750 rpm.

Torque: 13/12,2 kgfm a 2.750 rpm.

Transmissão: Manual de cinco velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.

Aceleração de 0 a 100 km/h: 13,3 segundos.

Suspensão: Dianteira independente McPherson com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados à gás e barra estabilizadora e traseira deformável, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados à gás e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.

Pneus: 195/60 R15

Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. ABS com EBD de série

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,94 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,52 m de altura e 2,46 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série.

Peso vazio: 1.100 kg

Capacidade do porta-malas: 300 litros. 

Capacidade tanque de combustível: 55 litros. 

Itens de série: Para-brisa Zenith, luzes diurnas em leds, direção elétrica, ar-condicionado, trio elétrico, computador de bordo, radio Bluetooth com entradas USB e auxiliar, rodas em liga-leve de 15 polegadas, sensor de estacionamento traseiro e alarme. 

Preço: R$ 53.590. 

Opcional: Pacote com central multimídia com tela sensível ao toque e ar-condicionado automático e digital. 

Preço completo: R$ 55.440.

 

 

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