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Teste: Ducati Monster 821 - Criatura em evolução

08/09/2016 18:04  - Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias
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Teste: Ducati Monster 821 - Criatura em evolução

Nova geração da Ducati Monster ganha em esportividade com mais tecnologia e potência 

por Eduardo Rocha
Auto Press

Foi uma mudança e tanto. A nova Ducati Monster 821, que sucedeu a 796 ano passado, levou o tradicional modelo da marca italiana a um nível mais alto. A motocicleta sofreu uma completa reengenharia no propulsor, que passou de 87 para 112 cv de potência – quase 30% a mais. O torque também cresceu, mas um pouco menos: passou de 7,95 para 9,13 kgfm, 15% superior. E isso com um acréscimo de apenas 18 kg no peso total, que agora chega a 205 kg em ordem de marcha. A transformação da Monster começou com a adoção de um sistema de refrigeração líquida no propulsor testastretta 11º bicilíndrico, que ainda cresceu de 803 cc para 821 cc. O cabeçote manteve o sistema desmodrômico – de acionamento forçado das válvulas, sem ajuda de molas –, mas passou a ter quatro válvulas por cilindro no lugar das duas anteriores. A taxa de compressão subiu de 11,1 para 12,8 por 1.
 
 
A Ducati tratou de embarcar uma boa dose de eletrônica para conseguir domar toda esta fúria. Para começar, adotou controle eletrônico de tração de oito níveis, ignição com mapeamentos com três modos de potência – urbano, turismo e esportivo –, acelerador eletrônico, freios da Brembo com montagem radial e sistema de ABS ajustável com múltiplas calibrações. O escape é um 2-1-2 e foi encurtado e rebaixado em relação ao modelo antecessor. O conjunto de exaustão agora conta com uma válvula que controla a pressão interna. O famoso chassi trellis agora é fixado diretamente no cabeçote. A subestrutura traseira e a balança do monochoque também são presas na carcaça do motor.
 
 
Nem toda esta reconceituação do modelo fez o visual da Monster se modificar muito. O desenho básico foi conservado ao máximo. Afinal, foi a partir da Monster que a Ducati redesenhou sua história. A naked surgiu em 1993 com uma proposta bastante ousada. Nela, o quadro em treliça dava um enorme reforço estrutural e, ao mesmo tempo, criava uma personalidade visual. A ideia deu tão certo que hoje aparece, de forma mais ou menos explícita, em todas as motocicletas da marca – a exceção fica por conta da carenada Panigale. Para dar uma ideia do impacto da Monster para a fabricante, por vários anos o modelo respondeu por metade das vendas.
 
 
Por isso mesmo, a nova Monster manteve o característico tanque musculoso. O desenho do banco de duas alturas simula o perfil de um modelo monoposto. A frente tem um visual retrô, com piscas projetados a partir do aro do farol arredondado. Um cluster de instrumentos único e um guidão curto e reto remetem às motos dos anos 1990. Obviamente, o painel em LCD é bem moderno e permite monitorar todas as configurações oferecidas pelo modelo. O quadro em treliça reforça a ideia de robustez, embora na versão testada, Dark, ele seja mais discreto, por receber uma pintura em preto.
 
 
No Brasil a Ducati atua como uma marca luxuosa e exclusiva. Mesmo assim – ou talvez por isso –, o desempenho este ano tem sido bem favorável. A marca vendeu até agosto cerca de 30% a mais que no mesmo período do ano passado. A Monster também tem tido um desempenho acima da média do mercado: foram 85 unidades emplacadas nos oito primeiros meses, 20% a mais que em 2015. Isso apesar de enfrentar uma briga duríssima com modelos japoneses como Kawasaki Z800, Yamaha MT-09 e Suzuki GSR 750 ZA – todas com potência semelhante e preços em torno de R$ 40 mil contra os R$ 45.250 da moto da Ducati. Ainda assim, a média de vendas em torno de 10 unidades mensais faz da Monster o quarto modelo mais comercializado pelas 11 concessionárias da marca no país.
 
Impressões ao pilotar

Músculos sob controle
 
A Ducati Monster é bastante generosa com seus pilotos. A naked oferece uma posição de condução excelente para pilotos de uma ampla gama de estaturas. O desenho do tanque tem um encaixe tão perfeito para os joelhos que condutor e veículo praticamente se fundem. É possível encarar longos trechos sobre a moto sem cansaço. Além disso, o controle na transferência de peso nas curvas é feito de forma suave e natural.
 
 
Outro ponto positivo do modelo italiano é o comportamento dinâmico. O motor testastretta exibe uma ótima curva de potência e o torque está presente em praticamente todos os regimes giro. A rigidez do chassi, que combina o quadro em treliça com o uso da carcaça do motor como estrutura, dá à Monster uma estabilidade invejável. Ela é neutra nas curvas e mantém o controle mesmo quando a roda dianteira enfrenta desníveis no pavimento. Para melhorar, os controles eletrônicos são pouco invasivos e não empanam o prazer na hora de acelerar.
 
 
Nas áreas urbanas, a ciclística equilibrada do modelo italiano dá uma grande agilidade para driblar o trânsito. Em trechos rodoviários, pode-se explorar com muita facilidade a ótima elasticidade do propulsor. A vida sobre a Monster só não é melhor por conta da intensa vibração do motor bicilíndrico. Mas é um preço pequeno a se pagar para conviver com um modelo com tantas qualidades.
 
Ficha técnica

Ducati Monster 821

Motor: A gasolina, 821 cc, dois cilindros em “L” inclinados a 11° e quatro válvulas desmodrômicas por cilindro. Refrigeração a líquido, acelerador eletrônico e injeção eletrônica de combustível.
 
Câmbio: Manual de seis marchas com transmissão por corrente.
 
Potência máxima: 112 cv a 9.250 rpm.
 
Torque máximo: 9,13 kgfm a 7.750 giros.
 
Diâmetro e curso: 88 mm x 67,5 mm.
 
Taxa de compressão: 12,8:1.
 
Suspensão: Dianteira com garfo telescópico invertido de 130 mm de curso e traseira monoamortecido ajustável com balança em alumínio e 140 mm de curso.
 
Pneu: 120/70 R17 na frente e 180/60 R17 atrás. 
 
Freios: Discos semiflutuantes duplos de 320 mm com pinças Brembo na dianteira e flutuante de 245 mm na traseira. Oferece ABS de série.
 
Dimensões: 2,17 m de comprimento, 0,80 m de largura, 1,06 m de altura, 1,48 m de distancia entre-eixos e assento com altura ajustável entre 0,79 e 0,81 m em relação ao solo.
 
Peso: 180 kg a seco e 205 kg em ordem de marcha.
 
Tanque de combustível: 17,5 litros.
 
Produção: Manaus, Brasil.
 
Lançamento mundial: 2015.
 
Lançamento no Brasil: 2015.
 
Preço: R$ 45.250.
 
 
 
 

TRÂNSITO LIVRE

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