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Inauguração do Polo Automotivo Jeep em Goiana, Pernambuco - Revolução industrial

29/04/2015 12:04  - Fotos: Divulgação
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Inauguração do Polo Automotivo Jeep em Goiana, Pernambuco - Revolução industrial
Para fazer o Jeep Renegade, FCA cria desde a base um polo automotivo na Zona da Mata pernambucana 

por Eduardo Rocha 
Auto Press 

Quando a Fiat desembarcou no Brasil, coisa de 40 anos atrás, decidiu montar sua fábrica em um área virgem em relação à indústria automotiva. Em Betim, Minas Gerais, teria a chance de criar uma cultura automotiva própria, com a vantagem de ter menores chances de enfrentar problemas com sindicatos e greves, coisa que já começava a afligir a indústria instalada no ABC paulista. Agora, já como Fiat Chrysler Automobiles, ou FCA, a empresa inaugura sua segunda unidade de produção de veículos de passeio, em Goiana, na Zona da Mata pernambucana. E desta vez ela não apenas repetiu o conceito, de criação de um novo polo automotivo desde o zero, como decidiu aprofundá-lo. Focou exclusivamente na população local como fonte de mão-de-obra. Numa visão pragmática, foi um jeito de evitar os vícios de trabalhadores já experientes no setor. Numa visão romântica, foi uma forma de provocar um forte movimento de ascensão social e ainda obter um elevadíssimo nível de adesão da população local, comparável à de torcidas de futebol.


A não ser por diretores e executivos, nenhum dos pouco mais de 5 mil funcionários contratados para trabalhar no Polo Automotivo Jeep já teve qualquer experiência na indústria. Todos recrutados na região – 78% são pernambucanos – e treinados pela empresa. Para se habilitar a uma vaga, era necessário apenas ser alfabetizado. Havia de tudo: ambulantes, catadores de caranguejo, boleiras, balconistas, etc. Em paralelo à implantação do polo, a FCA investiu em parcerias com escolas e universidades locais para consolidar esta nova cultura industrial. E foi com este contingente que a empresa partiu para implantar uma unidade no padrão WCM – World Class Manufacturing, ou Fabricação de Classe Mundial. Ou seja: os modelos que saírem de Goiana serão comparáveis aos melhores produzidos pela empresa em qualquer outra parte do mundo.



O primeiro produto a sair das linhas pernambucanas foi o SUV compacto Jeep Renegade, que terá uma produção média inicial de 60 mil unidades por ano e pode chegar a 90 mil em 2016. Na sequência, virá uma picape média da marca Fiat, nas configurações cabine simples e estendida – que deve ser apresentada no final deste ano ou no início do ano que vem – e por fim um SUV médio da marca Jeep, possivelmente no final de 2016. 



Segundo a montadora, os processos de fabricação no Polo Automotivo Jeep adotam as práticas mais consagradas nas demais unidades do grupo. Na área do Polo, a FCA construiu 12 prédios para abrigar as 16 empresas fornecedoras. Eles são responsáveis por 40% das peças utilizadas no Renegade, que já nasceu com um índice de 70% de nacionalização – e deve chegar a 80% ainda este ano. E a não ser por câmbio e motor, a fábrica Jeep responde pelas principais etapas de produção do modelo. Vai da estamparia à montagem, passando pela funilaria e pintura. E como se trata de uma unidade que tem a função de implantar uma cultura automotiva, há ainda um setor chamado de centro de processos que nada mais é que uma fábrica-escola, onde há uma linha de montagem com cerca de 10% da extensão de uma verdadeira, feita apenas para treinamento de pessoal e aperfeiçoamento de processos produtivos.



Na área da fábrica propriamente dita, cada uma das principais etapas de produção foi evoluída. Na área de estamparia, por exemplo, a precisão das máquinas de estampagem permite preservar a integridade da chapa, o que melhora a qualidade da carroceria. As partes são montadas na funilaria em uma estação com 18 robôs, que faz uma primeira soldagem das peças para cristalizar a geometria do modelo. A partir daí, a carroceria segue para as outras estações que fazem a solda definitiva. A funilaria absorve nada menos que 650 dos 700 robôs do Polo. Esta carroceria segue para um mergulho químico para tratamento da chapa. Qualidade deste processo permitiu a dispensa do uso do primer, substância usualmente aplicada antes da tinta.



Na parte de pintura, são 40 robôs que fazem o trabalho. A partir daí, a unidade vai para a área de montagem, onde ela fica afixada em um arco, que roda a carroceria e facilita ergonomicamente o trabalho do operário. Este processo utiliza 10 robôs, em funções como colocação e colagem dos vidros. A grande presença de recursos eletrônicos na linha obrigou a climatização dos enormes galpões da fábrica – que funcionariam como fornos pois a temperatura passa fácil dos 40º C na região. Um bom efeito colateral disso foi a sensível melhora nas condições de trabalho dos operários. 



No total, a unidades consumiu investimentos de R$ 7 bilhões, sendo 65% financiados com juros bastante amigáveis por órgãos oficiais como o BNDES. Serão 18 meses até que a unidade alcance as 250 mil unidades planejadas para a atual estrutura. Neste ponto, serão cerca de 9 mil empregos diretos no Polo. Uma primeira expansão pode elevar este volume para até 330 mil unidades/ano. O limite, segundo a marca, é dobrar a previsão inicial e chegar aos 500 mil veículos anuais. 


 

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