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Dura realidade dos números: um balanço do primeiro semestre do mercado automotivo

11/07/2014 15:50  - Fotos: Divulgação
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Dura realidade dos números: um balanço do primeiro semestre do mercado automotivo

Estatísticas mostram período fraco nas vendas de automóveis e previsão de ano no vermelho

por Raphael Panaro
Auto Press


Os números não estão a favor do mercado automotivo em 2014. O início do ano foi de otimismo, impulsionado por promoções de estoques ainda sem a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – e os anúncios de lançamentos de modelos no segmento que mais vende, o de compactos. Mas novidades como o Volkswagen Up e o novo Nissan March não impediram que, nos meses seguintes, o setor perdesse força. No acumulado do semestre, a queda atingiu 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado – quando computados automóveis e comerciais leves. Nos seis primeiros meses desse ano foram emplacados 1.582.634 de exemplares contra 1.707.780 em 2013, segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automores – a Fenabrave. As estatísticas fizeram a federação rever suas previsões, que estimavam uma queda de 3,6% este ano, para quase 8%. Vale lembrar que 2013 também registrou uma baixa de quase 2% em comparação com 2012.

De acordo com presidente da entidade, Flávio Meneghetti, esse recuo é resultado de uma somatória de fatores. “Teve o aumento do IPI no começo do ano, crescimento das taxas de juros, rigor do financiamento bancário, economia enfraquecida e inflação corroendo uma parte do poder aquisitivo da população”, aponta. Outro “vilão” que contribui para essa queda é a Copa do Mundo. “O mês de junho teve apenas 18 dias úteis. Isso impactou muito a economia de automóveis”, explica. Em números, o mês de junho atingiu 250.655 unidades. O montante é 9,81% menor que os 277.907 veículos comercializados em maio. Se comparado com junho de 2013, esse déficit vai a 17,24% – onde o registro foi 300.886 automóveis e comerciais leves.



Se a perda foi por uma série de motivos, a profilaxia para tentar diminuir esse prejuízo também passa por um conjunto de situações. Uma é a prorrogação do IPI sobre veículos novos. O Governo Brasileiro manteve as alíquotas nos patamares atuais até dezembro. “Isso não ajudará o mercado a crescer e, sim, a não piorar”, pondera Meneghetti. Um fator que surge como o mais “palpável” para a recuperação do mercado automotivo é a “enxurrada” de lançamentos que está programada para o segundo semestre, juntamente com o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, que acontece em outubro. Para o presidente da Fenabrave, esses novos carros e o motorshow paulistano servirão apenas como paliativos. “O mercado deve melhorar, mas não o suficiente para fechar o ano no azul”, afirma Meneghetti. “Nos dois últimos meses do ano devemos ter uma antecipação de compras, já que estamos em ano eleitoral e aumento de impostos devem acontecer em 2015”, completa.

Em um mercado em queda, o Volkswagen Gol segue como automóvel mais vendido do país. Mesmo com a perda momentânea do posto de líder em março e agora em junho, o hatch emplacou uma média de 15.600 unidades/mês, deixando para trás Fiat Palio, Chevrolet Onix, Ford Fiesta, Hyundai HB20 e Fiat Uno. A decepção ficou por conta do Volkswagen Up. O “carrinho” que chegou com a expectativa de vendas lá em cima, amarga uma 16º posição no ranking. Mas o compacto vem crescendo e registrou em junho seu melhor número: 6.223 exemplares. Entre os hatches médios, o trio Ford Focus, Volkswagen Golf e Chevrolet Cruze Sport6 segue brigando. Ligeira vantagem para o modelo da Ford, com média de 1.800 mensais. Golf e Cruze duelam mês a mês pelo segundo lugar. No acumulado de janeiro a junho, a diferença entre os dois carros foi de apenas 69 unidades.



Outra disputa que promete ir até o fim do ano é no segmento de sedãs médios. Os renovados Honda Civic e Toyota Corolla polarizam a disputa. Apesar de bater o Civic nos últimos meses com mais de 5 mil emplacamentos, o novo Corolla ficou na segunda posição no primeiro semestre. O modelo da Honda recebeu uma pequena atualização nas versões básica e intermediária recentemente, mas não deve segurar o “ímpeto” do Toyota nos próximos meses. Entre os sedãs de menor porte, o Fiat Siena reina absoluto, com média superior a 9 mil vendas mensais. Bem distante das 6.500 vendas/mês do segundo colocado, o Chevrolet Prisma e dos 6.360 emplacamentos mensais do Volkswagen Voyage, que ocupa o terceiro lugar. Quanto aos utilitários compactos, o Ford EcoSport segue à frente do Renault Duster – 4.300 veículos de média mensal no primeiro semestre, contra 3.700 do Renault.

Em relação às marcas, a Fiat segue líder no Brasil. A participação de mercado da fabricante italiana fechou em 21,62% – em 2013 era de 22,62%. Isso porque até junho a marca vendeu quase 10% a menos que no primeiro semestre do ano passado – 380.135 emplacamentos, ante 342.200 agora. A acirrada disputa pelo segundo lugar continua. General Motos e Volkswagen alternaram o posto durante os primeiros meses, mas a marca norte-americana levou uma pequena vantagem no semestre e terminou com 17,64%. A montadora alemã vem logo atrás com 17,61%. Das grandes, a VW registrou a maior perda nas vendas: 15,3%. Foram 328.012 unidades no primeiro semestre de 2013 e 278.700 mil este ano. A GM, por sua vez, praticamente acompanhou o mercado e teve o volume reduzido em 8,6%. O mesmo caso da Ford, quarta colocada, que saiu de 154.618 para 143.036, ou 7,5% menos.

Não está fácil para as marcas que mais vendem carros no país. Mas outras não têm o que reclamar. Dezoito empresas cresceram em emplacamentos. Destaque para Hyundai, Renault e Toyota – três entre as “Top 10”. A sul-coreana emplacou 109.125 unidades nesse primeiro semestre. No mesmo período de 2013 foram 99.504. Já a francesa vendeu 7,82% a mais: de 102.011 para 109.994. Embalada com a nova geração do Corolla, a fabricante japonesa vendeu 2.815 a mais nos primeiros seis meses de 2014 em relação ao ano passado.



 

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