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24º Congresso e ExpoFenabrave - Atalhos para a lucratividade

21/08/2014 15:35  - Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias
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24º Congresso e ExpoFenabrave - Atalhos para a lucratividade

24º Congresso e ExpoFenabrave discute formas de driblar a crise no setor automotivo

por Raphael Panaro
Auto Press


O panorama atual do setor automotivo é delicado. No últimos ano, houve um ligeiro recuo nas vendas em relação a 2012. E nos seis primeiros meses de 2014, a queda atingiu 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado – levando em consideração automóveis e comerciais leves. Mesmo com a projeção de um segundo semestre aquecido devido à maior quantidade de dias úteis, novos lançamentos e antecipação de compras por causa da volta IPI aos patamares estabelecidos no ano que vem, as previsões mais otimistas estimam uma retração no ano entre 6,5% e 7,5%. E foi nesse cenário preocupante que aconteceu o 24° Congresso e ExpoFenabrave, realizado na cidade de Curitiba, no Paraná, entre os dias 13 e 14 de agosto.

Em sintonia com o momento vivido pelo mercado brasileiro de automóveis, o tema escolhido para a edição 2014 do evento foi “superação”. Durante os dois dias de palestras e seminários, a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores – Fenabrave – tentou apontar soluções e ferramentas adequadas para superar o difícil período econômico e comercial atual. Em um discurso para quase 4 mil presentes – entre concessionários de veículos e lideranças do segmento – o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – Anfavea –, Luiz Moan, disse não ter dúvidas de que essa situação é pontual e conjuntural. “ Se não fosse assim, a indústria não estaria investindo aqui no Brasil mais de R$ 75 bilhões entre 2012 e 2018 ”, afirmou Moan, com base nos recursos depositados aqui pelas marcas com a construção de fábricas e investimentos para receber novos produtos. “ Ninguém põe essa montanha de recursos sem saber que o futuro é promissor ”, completou.

Ainda de acordo com o mandatário da Anfavea, um dos motivos para a retração da produção e das vendas de automóveis foi o pessimismo que tomou conta do setor em virtude dos supostos efeitos da Copa do Mundo. “Houve uma desconfiança que levou a retração dos investimentos e freou a economia ”, explica Moan sobre o “terrorismo”, que segundo ele, não se concretizou. Assunto em voga, a questão da mobilidade também pautou o discurso do executivo. “ Temos de ajudar o país a enfrentar essa situação para que nossos produtos não sejam vistos como vilões ”, ponderou.

Além do ceticismo geral, o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, foi mais fundo na discussão e apontou a legislação brasileira como um dos principais inimigos da crise. “ Quem dá o crédito tem menos segurança de quem recebe no Brasil. Não há segurança jurídica para o automóvel ”, afirma. Segundo o executivo, há muita burocracia para retomar o veículo em caso de não pagamento e o prazo chega a 210 dias. “ De cada 100 veículos, localizam-se apenas 15 e somente 40% do valor financiado é recuperado ”, contabiliza. Acompanhado da inadimplência – que chegou a 9% nos anos anteriores –,  a seletividade de crédito dos bancos aumentou e os contratos de financiamento ficaram mais difíceis. Em 2012, haviam pouco mais de 200 mil veículos financiados mensalmente. Em 2013, o número caiu para 190 mil. Esse ano, a média de 150 mil contratos/mês.

Para Meneghetti, o raciocínio é simples: se os agentes financeiros tivessem uma maior garantia de recuperação desse bem a curto prazo, a consequência seria uma garantia e a ampliação do crédito, que estimularia positivamente o mercado. “ O prazo ideal é de 60 dias ”, pondera. O dirigente ainda espera que até o final do ano a legislação sofra alterações para chegar a esse prazo. O desdobramento desse trâmite, aliado à diminuição da inadimplência – que atualmente está na casa dos 4% –, segundo o dirigente, alteraria o rumo das projeções para o fechamento do ano, que rondam uma queda de 8%. “ Se a nova legislação sair, o mercado muda. A lei pode proporcionar um crescimento de 20% na venda de automóveis financiados ou 30 mil carros novos nas ruas por mês ”, disse o esperançoso presidente, que negocia com o Governo Federal.

Enquanto mudanças mais significativas não acontecem, o 24º Congresso e ExpoFenabrave “bateu” na mesma “tecla” de edições anteriores. Com o recuo na venda de carros zero-quilômetro, as concessionárias devem explorar outra áreas para manter o negócio saudável. “ As redes de concessionárias precisam se preparar para trabalhar com um fluxo de caixa alternativo. Isso engloba o departamento de seminovos, pós-vendas, peças e acessórios. Ao longo dos anos esses departamentos foram renegados a segundo plano ”, direciona Meneghetti. Entre as palestras mais concorridas, uma mesa-redonda debateu a importância da internet para aumentar a comercialização de produtos, já que hoje metade da população brasileira tem acesso à rede mundial de computadores. Já o consultor Francisco Nunes deu dicas de como reduzir o índice de rotatividade de pessoal nas concessionárias e, consequemente, o custo com os processos de admissão e demissão de funcionários. O Congresso também buscou achar diretrizes que possam aumentar a retenção, ou seja, que clientes voltem à loja para fazer qualquer tipo de serviço – desde a manutenção até a procura por um acessório. Se a palavra superação não der conta de todos os aspectos que envolvem o mercado automotivo nacional, no ano que vem o tema poderá ser “desafio”.

 

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