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Entrevista: Carlos Gomes, Presidente do Grupo PSA no Brasil e na América Latina fala sobre o futuro da Peugeot e da Citroën

15/10/2014 20:01  - Fotos: Eduardo Rocha/carta Z Notícias
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Entrevista: Carlos Gomes, Presidente do Grupo PSA no Brasil e na América Latina fala sobre o futuro da Peugeot e da Citroën

Presidente da PSA na América Latina vai realinhar as marcas Peugeot e Citroën no mercado e quer voltar a crescer

por Eduardo Rocha
Auto Press


Quando chegou ao Brasil, em 2010, para assumir o posto de Presidente do Grupo PSA no Brasil e na América Latina, o português Carlos Gomes tinha a missão de fazer as marcas Citroën e Peugeot crescerem. Promoveu a ampliação da produção da fábrica de Porto Real, no Sul Fluminense, e implementou o projeto de novos produtos. Mas logo a crise europeia atingiu o Grupo PSA, que controla as duas marcas, e as prioridades mudaram. O principal objetivo passou a ser manter a lucratividade e a rentabilidade dos modelos. Em busca da racionalidade, vai reposicionar Peugeot e Citroën no mercado – seguindo a lógica mundial da fabricante – e valorizar a presença da linha DS, que ganhou o status de marca independente. Depois desses anos difíceis, Carlos Gomes acredita que a PSA voltou a se equilibrar e está pronta para crescer. Como conta na entrevista a seguir.



P – O senhor está desde 2010 à frente do Grupo PSA Peugeot Citroën na América Latina.  Nesse meio tempo, vocês aumentaram a capacidade de produção no Brasil e logo depois enfrentaram uma crise financeira na Europa. Qual é a situação hoje?

R – A principal preocupação do grupo em todos os mercados é buscar rentabilidade. Este trabalho está sendo bastante dificultado na América Latina, porque o ambiente de negócios está muito degradado. A economia brasileira apresenta um crescimento muito pequeno, a Argentina está em crise e há crise também nas moedas locais. Neste contexto, o grupo PSA trabalha os custos, a estrutura e a oferta de produtos para fazer aquilo que uma empresa tem de fazer, que é criar valor para acomodar seus capitais, reinvestir, pagar os colaboradores e satisfazer os clientes. Eu diria que o balanço deste ano 2014 não é satisfatório. Estamos com vendas em queda, até por conta das opções que fizemos, em retomar a rentabilidade perdida com alguns modelos. Por outro lado, melhoramos em equilíbrio se comparado a 2013, e isso nos dá confiança em relação ao futuro.

P – Melhoraram mesmo vendendo menos?

R– Sim. A rentabilidade melhorou. Não se tem de vender muito, mas tem de se vender bem. Por exemplo, nós não atuamos no Brasil com carros de entrada. Este segmento é o que mais sofre na lucratividade por conta das condições do mercado e da concorrência. Nós priorizamos segmentos com maior valor, que também são os que têm maior potencial de lucro. E recentemente tiramos determinados modelos de linha, que já estavam cansados e ofereciam pouca rentabilidade, como o Peugeot 207 sedã e o Citroën C4 hatch. Estamos convencidos que devemos atuar apenas nos segmentos acima de 40 mil. É o caso do SUV compacto 2008, que vai estar bem próximo de R$ 60 mil. Nesse sentido, estamos hoje com uma gama de modelos muito boa. Além da chegada do 2008, a Peugeot tem o 208, o 308 e o 408. E ainda complementa a linha com o 3008, o 308 CC e o RCZ. A Citroën tem C3, C3 Picasso, C4 Lounge e importamos a gama DS e o C4 Picasso. É uma gama recente, moderna... É isso que o consumidor quer. Vamos valorizar a complementação das duas marcas. Isso corresponde ao novo posicionamento mundial das marcas. Vamos evitar que as marcas fiquem se chocando. Quando elas atuam no mesmo target, você é obrigado a investir em dobro e não colhe benéficos desse investimento duplo.



P – Como será o posicionamento das marcas?

R – Quando o Grupo desembarcou no Brasil, chegou com as duas marcas completamente separadas uma da outra. Com plataformas, tecnologias e propostas diferentes. Essas diferenças hoje estão ultrapassadas. O posicionamento das marcas será complementar. Elas ainda se sobrepõem um pouquinho, mas vão se separar com o tempo. A Peugeot ficará na parte alta do segmento dos chamados generalistas. Na Europa vai concorrer diretamente com a Volkswagen e a Citroën vai manter uma característica de inovação com acessibilidade. A ideia é que faça apenas o que o consumidor quer, com uma abordagem muito simples com a clientela em relação à comunicação e aos serviços.

P – Mas no Brasil a imagem das marcas não segue exatamente esta lógica...

R – Pelos estudos que fizemos, as marcas são equivalentes. Pode ser até que tenhamos de fazer uma sintonia fina em alguns mercados, mas a proposta é seguir este posicionamento. Temos um plano validado pelo comitê executivo e está orientado até 2023. Nossa ideia é sempre atuar em segmentos intermediários, buscando a lucratividade. A PSA é um grupo de médio porte e nossa grande preocupação é não voltar à situação financeira difícil que nos encontrávamos há dois anos. Só vamos dar a crise como encerrada quando acontecerem três coisas: tivermos uma rentabilidade de 3%, acumularmos em três anos 2 bilhões de euros em fluxo de caixa e por último, termod a dívida saldada. Enquanto isso, o direcionamento fundamental do grupo é o retorno de investimento de determinado projeto. Em relação ao Brasil, não estamos com nenhuma pressa. Temos bons carros e uma boa gama, que pode durar.

P – Na Europa, a linha DS virou uma marca independente. Ela também vai ganhar vida própria no Brasil?

R – Estamos trabalhando nisso, mas ainda não definimos como vai ser. Por enquanto vai continuar ligada à Citroën, inclusive porque teve bastante sucesso. Talvez mais tarde ela ganhe uma rede individualizada, inclusive porque a gama DS vai passar de três para seis modelos nos próximos anos. Nosso objetivo é posicionar a marca no mercado realmente premium. É claro que isso vai demorar um tempo, não será feito de um dia para o outro. Marcas demoram 20, 30 anos para serem construídas, mas o objetivo é transformar a DS na marca embaixadora do luxo e da tecnologia à francesa.




P – Vocês fizeram um investimento forte para ampliar a linha de produção em Porto Real e agora estão com uma capacidade ociosa bem alta. Isso não representa prejuízo?

R – Ano passado, estávamos operando em Porto Real em plena capacidade. O fato de hoje a fábrica não estar em plena capacidade em parte se deve à crise na Argentina. O Grupo PSA lá é um dos três mais importantes em vendas. Como o mercado está em baixa de 30% este ano, nós sofremos bastante. Nossas exportações para lá se reduziram em 50% nestes nove primeiros meses do ano. A exportação que deixamos de fazer foi só o primeiro impacto. O segundo foi no mercado brasileiro. Quando eu cheguei ao Brasil, em 2010, dizia-se que o mercado seria de 4,2 milhões em 2014, 2015. Era a previsão de todos os institutos. O Brasil não cumpriu esta projeção. O mercado está um milhão abaixo dessas expectativas. Lá trás a gente via o Brasil chegar a 5 milhões de carros antes de 2020. Acho que isso vai ser bem difícil de acontecer.

P – Quais as consequências dessa frustração com o desempenho do mercado brasileiro?

R – Um mercado de 3,5 milhões de carros no Brasil não é suficiente para pagar a conta toda dos avanços técnicos. Quando você quer ter carros com as últimas tecnologias e os motores mais modernos, é preciso um mercado que pague esta conta. Por conta dessas expectativas, nos últimos cinco anos houve uma modernização da oferta muita grande. Hoje o consumidor brasileiro tem carros com os recursos mais modernos. Mas quando o mercado não responde, todos os construtores vão tomar medidas para manter a rentabilidade. Isso vai fazer com que os recursos demorem mais a chegar ao mercado brasileiro.



 

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Comentários

Existem 1 comentários
#1 - ELAINE CRISTINA DE SOUZA
10/11/2014 - 22:10

Vou resumir, pois a historia é muito além desse relato... Comprei um 208 Griffe com pouco tempo de uso o carro apresentou vários problemas como: barulho nas portas, barulho no teto panorâmico a embreagem faz mais ruídos que o próprio motor e a suspensão faz um barulho de vazamento de ar ao passar por lombadas e a concessionária LE LAC nunca deu atenção... Com 10 meses de uso o pivô desprendeu e a roda soltou a sorte é que o carro estava estacionado caso contrário poderia ter MORRIDO ou MATADO alguém, procurei a Peugeot e o que disseram? Que foi mau uso, entrei na justiça e o que a Peugeot alegou? Que eu bati o carro! Se tivesse batido acionava a seguradora e não a Peugeot... Resumo da historia 100 dias sem carro, estando o mesmo em poder da concessionária sem mesmo saber o estado que se encontra o carro. Falta de respeito total! (continuo sem carro)... No sábado passado dia 08/11/2014, precisei me expor e começou em Curitiba o movimento #PEUGEOTNUNCAMAIS que tenho certeza que terão muitos adeptos, tentei de todas as formas ser tratada com respeito e em nenhum momento a PEUGEOT se preocupou com isso, não busquei a justiça em primeiro lugar, tentei contatar a concessionária por diversas vezes. Nunca imaginei que passaria por uma situação assim! NÃO COMPRE PEUGEOT!!

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