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Entrevista: Luis Curi, vice-presidente da Chery, fala das expectativas da marca chinesa com a inédita fábrica no Brasil

04/09/2014 18:15  - Fotos: Divulgação
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Entrevista: Luis Curi, vice-presidente da Chery, fala das expectativas da marca chinesa com a inédita fábrica no Brasil
Executivo projeta que marca termine 2014 com 15 mil unidades vendidas
 
por Márcio Maio
Auto Press
 
A função de Luis Curi não é fácil. Vice-presidente da Chery no Brasil, o executivo é o elo de ligação entre a China e o Brasil para a marca. As intenções com o mercado brasileiro já vêm desde 2009, quando estreou o utilitário esportivo Tiggo. Mas agora a fabricante dá um passo importante em seus planos de expansão não só por aqui, mas global, inaugurando sua primeira unidade de produção fora da China. E justamente no Brasil. “Esperamos produzir 50 mil carros neste primeiro ano de funcionamento e chegar ao fim de 2014 com 100 revendas Chery por todo Brasil”, planeja Curi. 
 
Instalada em Jacareí, no interior de São Paulo, a capacidade produtiva dos primeiros 12 meses de funcionamento da fábrica da Chery é mais que seis vezes maior que as 8 mil unidades comercializadas no ano passado. Mas a marca já espera quase dobrar esse número só até o fim de 2014, chegando a 15 mil. Um plano bem ousado – e que não para por aí. Com participação de mercado atual de 0,25%, a intenção é atingir 3% de share em 2018, alcançando 150 mil veículos emplacados no ano – que será também sua capacidade máxima de produção na fábrica nessa época, quando já estiver implementada a segunda fase da planta industrial. “Tivemos um período em que éramos representados por um importador local no Brasil, mas além de ser a própria marca tocando seus negócios aqui, agora estamos na área. Somos brasileiros e isso vai trazer mais confiança aos nossos veículos”, torce o executivo.  
 
 
P – Com a fabricação dos modelos da Chery no Brasil, a tendência é de que os preços dos modelos caiam?
R – A nossa expectativa é de que o preço final fique no mesmo patamar praticado atualmente. Na verdade, a gente trabalha com um sistema de cotas que já dá exceção de impostos. Não temos aquela tributação de 30 pontos de IPI. A produção local nos tira a taxa de importação. Mas a produção brasileira não vai competir com o custo da chinesa. 
 
P – Uma das apostas da fábrica da Chery é a produção nacional do subcompacto QQ, que atualmente custa R$ 24 mil. Como vocês pretendem tornar o modelo mais atraente para o consumidor nacional sem queda de preço?
R – O QQ continua sendo o carro, entre os quatro portas com os equipamentos que ele traz, mais barato do Brasil. É, sem dúvidas, o automóvel mais vantajoso da categoria. O que estudamos é a possibilidade de trazê-lo em configurações mais simples. Mas a engenharia na indústria automotiva é meio soberana, com uma posição de “não pode”, “não dá”. Ela limita, fala se é possível ou não. Nossa divisão de Marketing está empenhada para conseguir uma versão de entrada simplificada. O que é muito comum no Brasil. Mas existe fora daqui uma filosofia de que o importante é ter um carro completo. Queremos mudar isso porque nos tornamos atraentes para os frotistas tendo a fábrica no país. 
 
 
P – De uma maneira geral, o brasileiro ainda tem certo pé atrás com as fabricantes automotivas chinesas. Como vocês pretendem “driblar” isso?
R – Já mudamos algumas coisas para mostrar que estamos mesmo seguindo o Brasil. Oferecemos um carro mais parrudo, com a cara que o brasileiro está acostumado a utilizar. Toda a área de plásticos será adquirida de fornecedores nacionais e a suspensão está sendo ajustada com o expertise das empresas de autopeças daqui. A Chery não tinha um conhecimento, mas quem produz sistemas de suspensão no Brasil já sabe de cor e salteado o que é preciso ter. Desde interior escuro ao motor flex, estamos atrás de uma identidade brasileira. Estamos tirando um pouco do cromado, que chama mais atenção para o povo oriental. 
 
P – A Chery vendeu pouco mais de 4 mil carros entre janeiro e julho, mas pretende chegar a 15 mil até o final do ano. Como esperam conseguir vender quase 11 mil automóveis ainda em 2014? 
R – O Inovar-Auto tem um período de vigência, em que o governo checa como está o andamento do cronograma que você programou para se habilitar. E tivemos um problema na publicação da nossa renovação, sofrendo uma restrição das unidades. Na verdade, vendemos só isso porque, apesar de termos os pedidos, não tínhamos os carros para entregar em função de baixas cotas. Mas agora a situação já está normalizada. 
 
P – A operação da fábrica está dividida, inicialmente, em duas fases. O que cada uma delas contempla?
R – A primeira fase engloba as duas primeiras plataformas, que são a do hatch e sedã Celer, entre o compacto e o médio, e do subcompacto QQ, no ano que vem. Depois, a terceira plataforma, que estamos brigando para ser da nova geração do Tiggo, já faz parte da segunda fase. A fábrica foi desenvolvida de forma modular, sem a necessidade de grandes investimentos para sua expansão. No futuro, planejamos também um modelo comercial. E, em 2018, a criação de um automóvel já planejado considerando a nossa experiência no Brasil e o “feedback” do povo a respeito dos carros da marca.
 
 
 

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