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Salão de Detroit 2014 - Cobertura completa

16/01/2014 13:57  - Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias
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Salão de Detroit 2014 - Cobertura completa

Recuperação do mercado norte-americano faz Salão de Detroit se focar no consumidor local

por Eduardo Rocha
Auto Press

Detroit/Estados Unidos - No fim da década passada, a queda da economia norte-americana fez as marcas locais buscarem soluções globais. Modelos europeus que nunca tinham nem passado na porta da alfândega americana, como compactos e médios, começaram a ser vistos como saída honrosa para uma crise aparentemente sem fim. O Salão de Detroit na época refletiu muito bem essa leitura e por isso mesmo ganhou um caráter mais internacional. As vendas, que chegaram a 19 milhões de unidades, caíram para pouco mais de 10 milhões em 2009. Agora tudo mudou. Ou melhor: quase voltou ao que era. As 16 milhões unidades de 2013 representam um alívio. E uma senha para retomar as idiossincrasias automobilísticas norte-americanas de antes da crise. E a chegada da nova geração da Ford F-150 é um ótimo ícone.

As picapes F são a linha mais vendida do mercado local há 37 anos. São nada menos que 65 mil unidades/mês – média que deve crescer com a nova geração. A Ford promoveu várias evoluções no modelo, como uso de materiais mais leves e embarque de tecnologia. Outro símbolo renovado da marca foi o Mustang, mas o desenho desta vez não foi tão feliz quanto o criado para comemorar os 100 anos da Ford, na geração anterior.

A Chevrolet também renovou dois de seus modelos mais emblemáticos. A picape Silverado, que já está no mercado, recebeu uma nova geração no último trimestre de 2013, assim como o esportivo Corvette. O que a marca guardou para Detroit foi a chegada da versão superesportiva da linha, a Z06. O propulsor de 6.2 litros turbo rende 620 cv. A chegada do carro camuflado ao salão foi televisionado ao vivo. Afinal, o modelo é visto como um símbolo nacional. Na mesma lógica de recuperação do orgulho quase megalomaníaco dos norte-americanos, a Cadillac apresentou o conceito Elmiraj, com 5,20 metros de comprimento e motor V8. O nome árabe aparentemente é só uma referência à vida nababesca que se pode levar ali dentro.

Já a Chrysler continua em sua batida de recuperação. Apresentou o novo 200C – junto com a versão 200S. O sedã médio é a esperança de maiores volumes para a marca. Duas outras novidades do Grupo Chrysler interessam diretamente ao mercado brasileiro: o Jeep Cherokee, que ganhou uma nova geração, e o Dodge Durango, que recebeu um face-lift. A Fiat, que controla as marcas da Chrysler – os norte-americanos insistem que é o contrário – ocupou um pequeno espaço para exibir o 500 Abarth, que teve sua produção iniciada no México e deve chegar ao Brasil no meio do ano.

Este caráter local do Salão de Detroit atingiu também as marcas que buscam se firmar no mercado local. Caso da Hyundai, que lançou a segunda geração do sedã Genesis. Ele inaugura o estilo batizado de Fluidic Sculpture 2.0, para definir a segunda geração do conceito de design que ajudou a Hyundai a crescer nos últimos anos. Outras marcas com menor capacidade de investimento, como Jaguar e Volvo, apostaram em exibir conceitos dirigidos à parte mais suculenta do mercado norte-americano, a dos SUVs. A Jaguar mostrou o CX-17, um utilitário esportivo médio com grandes doses de luxo. Já a Volvo apresentou o conceito XC coupé, um SUV compacto de duas portas e um apelo mais jovem e esportivo.

Na contramão dessa retomada norte-americana, Mercedes, Audi, BMW e Mini mantiveram o velho trilho. Apresentaram apenas os modelos já esperados, com um design sem surpresas, na esperança de continuar a crescer junto com o mercado. O que de fato vem acontecendo. O novo sedã da Classe C, que teve a nova geração apresentada em Detroit, deve sustentar o posto de carro mais vendido da Mercedes no país. A BMW apresentou modelos de pequeno apelo comercial por aqui, apenas como complemento de linha. Casos do Série 2 e do novo Mini.

 
 
As marcas do Grupo Volkswagen, por sua vez, se esforçaram um pouco mais. A Porsche estreou o retrô 911 Targa, com recolhimento elétrico do teto. E a própria Volkswagen apresentou uma versão praiana do Beetle, a Dune, própria para atriar consumidores californianos. O modelo é uma espécie de “cross Beetle”, mas sem tração ou qualquer outro recurso adicional além do visual. Mostrou ainda o Golf R, de estúpidos 290 cv e tração integral. A Audi não tem muita familiaridade com os gostos dos norte-americanos. Apresentou o conceito do Allroad Shooting Break, que é uma espécie de Q3 com duas portas e caráter esportivo exaltado.
 
Alguns modelos menos festejados em Detroit ganham algum interesse pela futura presença no Brasil. Casos do Honda Fit de nova geração – que pode ser o novo Fit nacional, mas ainda não há definição final – e do novo Ford Edge. O SUV médio-grande da Ford ganhou uma cara de EcoSport vitaminado e tem presença garantida no Salão de São Paulo em outubro, para chegar ao mercado brasileiro logo em seguida. E pelo que se viu em Detroit, as coincidências entre a exibição de modelo lá e cá não serão das maiores.
 
Destaques do Salão de Detroit 2014

Audi Allroad Shooting Brake (primeira foto) – Feito na plataforma MQB, a mesma do A3, o conceito Allroad Shooting Brake é um híbrido plug-in com potência combinada superior a 400 cv. O motor 2.0 TFSI, com 290 cv, movimenta apenas as rodas dianteiras enquanto a tração elétrica aciona apenas as traseiras. No modo puramente elétrico, o Allroad tem alcance de 50 km.
 
 
 
BMW Série 2 – Os números pares na BMW agora designam as versões mais esportivas de seus modelos normais. No caso da Série 2, ela é a versão cupê da atual Série 1. Em relação ao antigo Série 1 cupê, o novo modelo ganhou em espaço, principalmente atrás, apesar de manter a mesma silhueta em arco. Ele chega nos Estados Unidos, como lançamento mundial, com duas versões: 228i, com motor de quatro cilindros e 245 cv, e M235, com um motor seis cilindros em linha que rende agora 326 cv – 20 cv a mais que a antecessora.
 
 
Cadillac Elmiraj – O cupê-conceito Elmiraj é uma “evolução natural” de outro conceito, o conversível Ciel, com um motor de 16 cilindros, apresentado na década passada nos salões de automóvel. O objetivo de um e de outro é o mesmo: mostrar a capacidade da marca em criar modelos suntuosos. Em tempos que esbanjadores não são tão bem vistos, o Elmiraj tem apenas um 4.5 V8 de estimados 500 cv. A plataforma é a mesma que está sendo desenvolvida para o futuro Opel Omega, modelo de tamanho semelhante ao de Audi A8, Mercedes-Benz Classe S e BMW Série 7.
 
 
Chevrolet Corvette Z06 – Na linha Chevrolet, o esportivo Corvette é um dos poucos alívios permitidos à racionalidade que impera na marca nos últimos anos. Principalmente no caso da furiosíssima versão Z06. O motor é o mesmo 6.2 litros da versão Stringray e recebe um câmbio manual de sete marchas ou automático de oito. A diferença é que, em vez de aspirado,  Z06 é sobrealimentado. Resultado: a potência pula de 460 para 625 cv.
 
 
Chrysler 200C – O novo 200C chega com um design elegante, com linhas fluidas e limpas. Mas o espírito do modelo está bem mais inquieto que a geração anterior. O 200C é feito na mesma plataforma da Alfa Romeo Giulietta. A versão mais “mansa” do 200C tem 184 cv. O motor mais forte é um Pentastar 3.6 V6 de 295 cv, que aciona todas as rodas.
 
 
 
Ford Edge Concept – O novo Edge já está pronto. O crossover médio-grande da Ford ganhou um desenho bastante inspirado nas linhas do EcoSport, com a grande dominando a dianteira ladeada por faróis bem afilados. O modelo chega ao mercado norte-americano ainda no primeiro semestre. No Brasil, será apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, e deve passar a ser vendido logo em seguida.
 
 
Ford F-150 – A F-150 é a campeã de vendas nos Estados Unidos há 32 anos – são quase 800 mil unidades por ano. Por isso, é um modelo que serve de referência para todo o mercado. Nesta geração, a décima-terceira, a ênfase da Ford foi na tecnologia de material. Partes da carroceria receberam chapas em liga de alumínio militar, para promover uma redução de 320 kg no peso da picape. A Ford apresentou ainda o novo Mustang. O modelo chega com motor V8 de 425 cv.
 
 
Honda Fit – O novo Fit não promove nenhuma ruptura com as duas gerações anteriores do modelo. Manteve a proposta de ser um hatch com recursos de monovolume compacto, graças à variedade de configurações dos bancos. O motor 1.5 da versão americana – que é a mais provável de ser destinada ao Brasil no fim deste ano – rende agora 130 cv. O desenho também é no estilo apresentado em outros modelos da marca, com muitas superfícies lapidadas em ângulo. 
 
 
Hyundai Genesis – Todos os esforços da Hyundai em Detroit se voltaram para o lançamento do novo Genesis, carro fundamental para a marca nos Estados Unidos. O modelo é o paradigma de luxo da marca e ganha agora sua segunda geração. Com o desenho de Peter Schreyer, presidente e chefe de design da Kia, o modelo ganhou porte e robustez – lembra até o Audi A8, desenhado também por Peter. O estilo foi definido como Escultura Fluida 2.0. O conteúdo do novo Genesis busca credenciá-lo para brigar em preço com os médio-grandes de luxo, como BMW Série 5, Mercedes Classe E, Lexus GS e Cadillac CTS, embora tenha tamanho de uma classe superior. O motor é um 5.0 V8 de 420 cv.
 
 
Jaguar CX-17 Concept – O CX-17 é o ensaio da Jaguar para a entrada no segmento de SUVs e crossovers. E para criar seu modelo, a montadora se valeu de ser associada à conterrânea Land Rover – as duas marcas inglesas pertencem hoje à indiana Tata. O conceito é basicamente um Range Rover Sport com um roupagem ainda mais esportiva. E como no Range, a estrutura e toda feita em alumínio e a motorização é de origem Ford. O modelo já frequenta os Salões desde meados de 2013 e deve chegar ao mercado no final de 2015.
 
 
Jeep Cherokee – O novo SUV médio da Jeep ganhou uma nova geração, a quinta desde 1974, com forte influência italiana. Apesar de manter o corpanzil parrudo, a frente bicuda procura dar uma certa noção de velocidade e esportividade ao modelo. O utilitário chega ao Brasil ainda em 2014 – provavelmente no segundo semestre – e ganhou vários sistemas eletrônicos de controle de tração e ainda um câmbio de 9 velocidades. Outro modelo do Grupo Chrysler que chega renovado ao Brasil é o Dodge Durango, que traz algumas mudanças no visual.
 
 
Mercedes-Benz Classe C – A marca alemã reservou para Detroit o lançamento de seu modelo mais importante em termos comerciais. E com uma estratégia bem agressiva. Escaldada da rejeição que o modelo anterior sofreu por conta do acabamento mais despojado, a Mercedes decidiu oferecer grande parte de seu arsenal tecnológico nesta quarta geração do sedã. Inclusive a suspensão pneumática Airmatic, disponível apenas no modelo grande Classe S. O novo C também ganhou novos materiais, que resultaram numa redução de mais de 100 kg, em relação ao antecessor. A ousadia na concepção da engenharia, porém, não foi acompanhada pelo arrojo estilístico. O modelo tem um design bem semelhante aos demais produtos da marca. Por outro lado, a Mercedes-Benz apresentou em Detroit um outro modelo com um desenho que quebra a sisudez estilística atual da marca: o conceito Classe S cupê.
 
 
Mini hatch – A terceira geração do Mini não teve a intenção de revolucionar nada. Foi apenas uma espécie de refinamento do modelo que já faz sucesso. Forma mantida desde o conceito de utilização até as linhas básicas – farol arredondado, lanternas quadrangulares, dimensões enxutas e visual robusto. Ele ganhou novos motores e agora passa a contar com amortecedores ajustáveis opcionais, o que pode deixá-lo mais afável a um asfalto acidentado como o brasileiro. O interior foi redesenhado e apresenta uma tela de LCD em meio a uma enorme moldura redonda, no lugar do antigo velocímetro. No quadro de instrumentos, há agora um grande velocímetro analógico, com um conta-giros do lado esquerdo em forma de meia-lua.

 
Porsche 911 Targa – A Porsche aderiu à moda retrô e foi buscar inspiração no clássico 911 Targa, de 1965. Como no original, o esportivo traz uma larga viga que contorna a parte superior da cabine e não tem coluna traseira: tem apenas um enorme vidro inteiriço curvo. Quando aberto, o teto fica guardado na área do porta-malas. A operação é feita eletricamente e abrir ou fechar levar menos de 20 segundos. O modelo chega sempre com tração integral e pode receber dois motores boxer. O 3.4 litros tem 350 cv e o 3.8 de 400 cv.
 
 
Volvo Concept XC Coupé – O XC60 da Volvo até vinha muito bem de vendas quando apareceu o Range Rover Evoque. O modelo inglês simplesmente arrasou com o segmento de SUVs médios de luxo. Agora, a marca sueca – controlada pela chinesa Geely – resolveu reagir. Por enquanto em forma de conceito. O Concept XC Coupé tem aprimoramento estilístico em relação ao XC60, no qual é baseado, e que deve ser aproveitado no futuro XC90, que receberá um desenho totalmente novo em 2015.
 
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