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Teste: Ford New Fiesta 2014 - Pensar grande

25/04/2013 14:00  - Fotos: Michael Figueredo/Carta Z Notícias
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Teste: Ford New Fiesta 2014 - Pensar grande

Com o New Fiesta nacional, Ford pretende brigar em segmentos de compactos de maior volume

por Michael Figueredo
Auto Press

O New Fiesta era tratado pela Ford como um compacto premium. O hatch vinha do México e atuava em uma faixa que partia dos R$ 45 mil e passava dos R$ 50 mil na versão de topo. Tinha prestígio, mas ficava longe do miolo do mercado. No entanto, a Ford passou a produzir o modelo no Brasil – já com o face-lift apresentado no Salão de Paris do ano passado – e ampliou a área de atuação do carro, com uma nova versão de entrada de R$ 38.900, que traz motor 1.5 16V e boa lista de itens de série. De quebra, se livrou do limite de importações da produção mexicana. Assim, a subsidiária brasileira espera emplacar uma média de 6 mil unidades mensais do modelo – o triplo do volume atual.

Para suportar a produção do New Fiesta no mercado doméstico, a fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, recebeu um investimento de R$ 800 milhões. Com a linha de produção do hatch, a unidade alcança a capacidade máxima de 100 mil carros anuais. Por enquanto, o sedã continua sendo trazido do México.



Mesmo com maior amplitude de mercado, a Ford não economizou em termos de modernidade da motorização. Inclusive, são motores exclusivos para o New Fiesta brasileiro, diferentes até da nova geração do EcoSport, lançada no segundo semestre do ano passado – o que mostra a intenção da Ford de transformar o hatch em seu “queridinho” no Brasil. São duas opções da família Sigma. O 1.6 16V é semelhante ao usado aqui pela versão anterior do modelo, mas com duplo comando variável de válvula. Com isso, chega a 130 cv – antes rendia 115 cv com etanol. O outro é um 1.5 16V, ainda inédito no Brasil. Basicamente é uma versão menor do 1.6 anterior. O propulsor desenvolve 111 cv com etanol.

O New Fiesta traz ainda recursos tecnológicos que o equipara, por exemplo, ao Peugeot 208, mais recente lançamento do segmento. O hatch conta com controle de estabilidade e pode vir com a eficiente transmissão Powershift, a automatizada de dupla embreagem mais barata do mercado. Itens como ABS com EBD, sistemas multimídia MyConnection e Sync, sensores de estacionamento, crepuscular e de chuva, além de até sete airbags também serem oferecidos, de acordo com a versão.



Um dos principais predicados do New Fiesta 2014 continua sendo o design. A mais recente filosofia de estilo da Ford – chamada de Kinect 2.0 –, chegou ao compacto, que recebe a volumosa grade frontal trapezoidal e linhas esculpidas no capô. Os faróis dianteiros e o para-choque também ganharam nova forma para acompanhar a grade. Atrás, mudanças apenas no spoiler, que ficou mais largo. Já no interior, o New Fiesta não é tão “global” assim. A Ford barateou a produção da versão nacional com a retirada do acabamento emborrachado e usou apenas plástico rígido. O volante foi redesenhado e o painel de instrumentos manteve a mesma configuração, com conta-giros e velocímetro analógicos. Ao centro, o display do computador de bordo, com hodômetro, consumo de combustível e outras informações. As luzes seguem o tom azul, padrão dos modelos recentes da marca.

A estratégia de preços adotada pela Ford posiciona o New Fiesta em duas brigas distintas. Os executivos da marca esperam liderar o segmento de hatches compactos acima de 1.0, e têm a versão inicial, a S 1.5, que custa R$ 38.990, como principal arma – ela deve representar mais da metade do mix de vendas. Dentro desse espectro, os novatos Chevrolet Onix e Hyundai HB20 surgem como maiores rivais. Já o New Fiesta SE 1.6 parte de R$ 45.490, e o Titanium 1.6 começa em R$ 51.490. A transmissão Powershift soma R$ 3.500 em ambas. Nesta faixa, a briga é contra os franceses Citroën C3 e Peugeot 208, além de Fiat Punto e o envelhecido Volkswagen Polo.

O New Fiesta nacional tem, no entanto, um objetivo maior. A Ford viu as rivais Fiat, Volkswagen e Chevrolet abrirem ampla distância no mercado nacional. Pior que isso, passou a ter a quarta posição ameaçada pela Renault e, recentemente, pela Hyundai. E é justamente no segmento de compactos, o mais estratégico, que a fabricante espera se apoiar na imagem premium do hatch para tentar se manter entre as maiores marcas do Brasil.



Ponto a ponto

Desempenho – O motor Sigma 1.6 16V é uma evolução do usado na versão anterior. Ganhou duplo comando de válvulas variável, que o deixou menos áspero e mais potente. Embora não responda imediatamente, o conta-giros não demora a subir e, acima de 3.500 rpm, o carro passa a reagir rapidamente. A transmissão Powershift é eficiente. O New Fiesta é bom em retomadas e ultrapassagens e ganha velocidade com facilidade. Nota 8.

Estabilidade – A versão testada – SE 1.6 – tem bom ajuste da suspensão e dá ao motorista a sensação de ter sempre o hatch sob controle. O carro não torce nas curvas e não faz menção de mudar a trajetória, nem mesmo quando tocado de maneira mais animada. A direção elétrica é firme e transmite segurança em velocidades mais elevadas. Nota 8.

Interatividade – Todos os comandos básicos estão bem posicionados e oferecem fácil acesso. Apesar do excessivo número de teclas, o Sync tem funcionamento simples e o sistema de som é de qualidade. Sem borboletas atrás do volante, a troca sequencial de marchas é feita através de um botão na própria alavanca do câmbio, o que diminui a sensação de esportividade. Nota 7.

Consumo – O InMetro indica um consumo combinado, de 8,5 km/l com etanol e 12,2 km/l com gasolina. O Programa Brasileiro de Etiquetagem de Veículos deu nota “A” na categoria e “B” no geral para o New Fiesta. Nota 8.

Conforto – Espaço não costuma ser o forte dos compactos, mas para quem viaja na frente, o New Fiesta oferece vida fácil. Apesar do assento curto, os bancos têm boa densidade. Na parte de trás, dois adultos de estatura mediana não fariam uma viagem das mais confortáveis. A suspensão absorve bem as imperfeições do solo. Nota 8.



Tecnologia – A plataforma do New Fiesta é nova, de 2008. O motor Sigma foi atualizado e recebe duplo comando variável de válvulas. A versão testada é equipada com a eficiente e moderna transmissão Powershift, além de controle de estabilidade, ABS, EBD e o sistema Sync. Nota 9.

Habitabilidade – O New Fiesta tem bons porta-objetos nas portas, mas os do console central não são tão efetivos. A visibilidade agrada para a frente e para as laterais, mas os retrovisores externos são pequenos e o interno é prejudicado pelo tamanho do vidro traseiro, que privilegia o design. Nota 7.

Acabamento – É um exemplo do que poderia ser melhor no carro brasileiro. A Ford deixou no México o material emborrachado que usava e aplica apenas plástico rígido no painel do New Fiesta feito aqui. As peças, ao menos, não apresentam rebarbas ou algo que pudesse ilustrar falta de cuidado. O design interno, inclusive, segue a tendência do capô e possui muitos vincos que dão um aspecto vigoroso.
Nota 7.

Design – É o que mais chama a atenção no hatch. A grande grade trapezoidal deixou o compacto com um jeitão bastante agressivo e os vincos do capô e das laterais dão robustez e ar esportivo ao New Fiesta. Nota 9.

Custo/benefício – A conta é bastante relativa. Enquanto a versão de entrada, que custa R$ 38.990, tem bom preço e lista de equipamentos interessante diante de carros intermediários de outras fabricantes, os modelos da faixa central ou do topo da linha enfrentam adversários que dispõem de mais elementos que podem determinar as vendas. O topo da linha, com câmbio automático, sai por R$ 54.990. O preço se equipara ao de versões similares dos rivais, mas alcança o de configurações básicas de modelos de segmentos superiores. A versão de entrada, no entanto, tem condições de abocanhar boa fatia de mercado. Nota 8.

Total – O Ford New Fiesta hatch somou 79 pontos em 100 possíveis.



Primeiras impressões

Brasileiro nato

Foz do Iguaçu/Paraná – Na tríplice fronteira, região que une Brasil, Argentina e Paraguai, a grande quantidade de retas era um convite para uma tocada mais agressiva. E o hatch atendeu bem quando exigido. O conta-giros do New Fiesta sobe com agilidade e o velocímetro não demora a ganhar número. Enquanto a velocidade aumenta, a assistência elétrica da direção trabalha para que o volante fique sempre firme nas mãos. O mecanismo é útil também em momentos de trânsito, como na caótica ligação entre Foz do Iguaçu e a paraguaia Ciudad del Este. Se o carro não é tão ágil nas saídas, a leveza do volante compensa e dá conforto ao motorista nas manobras em baixa velocidade.

Nas ruas, o New Fiesta não é um campeão na modalidade “atrair olhares”. Porém, não passa despercebido, graças à expressiva porção frontal. O capô e a grade destoam no meio dos habituais compactos que circulam pelas ruas sul-americanas. Por dentro, há um equilíbrio entre pontos positivos e negativos. O plástico rígido, que substitui materiais emborrachados do modelo mexicano, não agrada ao toque, mas é visualmente interessante. As informações do computador de bordo são confusas, mas a iluminação “ice blue” do conjunto é de bom gosto.



O isolamento acústico é bom em situações comuns, mas deixa a desejar quando o motor alcança giros mais altos. A transmissão permite trocas sequenciais manualmente, mas o acesso ao botão, na lateral da alavanca do câmbio, é incômodo. No básico modo “drive”, as trocas são suaves e a condução é confortável. Conforto, aliás, fruto também da boa ergonomia. Mas se o condutor tiver pernas mais longas que a média, quem viaja atrás passa por apertos.

O comportamento dinâmico do New Fiesta, no geral, é digno de elogios. Ainda que demore um pouco nas arrancadas, acima dos 3 mil giros o motor acorda e, a partir daí, é fácil ultrapassar os limites de velocidade. O hatch se mantém sempre estável, mesmo em trechos sinuosos.

Ficha técnica

Ford New Fiesta

Motor 1.5: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.499 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando do cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Potência máxima: 107 cv a com gasolina a 6.500 rpm e 111 cv com etanol a 5.500 rpm.
Torque máximo: 14,7/14,9 kgfm com gasolina/etanol a 4.250 rpm.
Aceleração 0–100 km/h: 12,7/12,2 segundos (gasolina/etanol).
Velocidade máxima: 180 km/h (gasolina/etanol).
Diâmetro e curso: 79,0 mm X 76,4 mm. Taxa de compressão: 11,1:1.
Peso: 1.108 kg.
Motor 1.6: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.597 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando de válvulas variável. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Potência máxima: 125 cv a com gasolina a 6.250 rpm e 130 cv com etanol a 5.500 rpm.
Torque máximo: 15,8/16,2 kgfm com gasolina/etanol a 4.250 rpm.
Aceleração 0–100 km/h: 12,3/11,1 segundos (gasolina/etanol).
Velocidade máxima: 190 km/h (gasolina/etanol).
Diâmetro e curso: 79,0 mm X 81,4 mm. Taxa de compressão: 12,0:1.
Peso: 1.126 kg (1.153 kg com câmbio automático).
Transmissão: Câmbio automatizado de dupla embreagem de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade.
Pneus: 195/55R15 ou 195/50R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD como opcional.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,96 metros de comprimento, 1,97 m de largura, 1,46 m de altura e 2,48 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Capacidade do porta-malas: 281 litros.
Tanque de combustível: 51 litros.
Produção: São Bernardo do Campo, São Paulo.
Itens de série:
Versão S 1.5: Duplo airbag, freios ABS com EBD, direção elétrica, ar-condicionado, trio elétrico, sistema de som MyConnection com rádio/USB/MP3/Bluetooth, alarme volumétrico, rodas de 15 polegadas com calota integral, maçanetas e retrovisores na cor da carroceria.
Preço:
R$ 38.990.
Versão SE 1.5: adiciona rodas de liga leve de 15 polegadas e farol de neblina.
Preço: R$ 42.490
Versão SE 1.6: Duplo airbag, freio ABS com EBD, ar-condicionado digital, trio elétrico, sistema SYNC rádio/CD/USB/MP3/Bluetooth com comandos de voz em português, volante multifuncional, controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas e rodas de alumínio de 15 polegadas.
Preço: R$ 45.490 (R$ 48.990 com transmissão Powershift).
Versão Titanium 1.6: Itens da versão SE 1.6 com sete airbags, bancos e volante em couro, controle automático de velocidade, sensores de estacionamento, de chuva, e crepuscular, retrovisor eletrocrômico e rodas de alumínio de 16 polegadas.
Preço: R$ 51.490. (R$ 54.990 com transmissão Powershift).

Veja mais: Teste: Ford EcoSport Powershift - Transmissão de tecnologia



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