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Teste: Ducati Multistrada 1200 tem muita tecnologia e personalidades distintas

22/08/2012 14:09  - Fotos: Divulgação
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Teste: Ducati Multistrada 1200 tem muita tecnologia e personalidades distintas

Multistrada 1200 é lotada de tecnologia, mas operação problemática da Ducati limita suas vendas

por Rodrigo Machado
Auto Press


A Ducati passa por um dos momentos mais importantes em seus 86 anos de vida. A marca italiana foi comprada recentemente pela Audi e agora passa a integrar o Grupo Volkswagen, um dos maiores conglomerados do setor. Além disso, mesmo com a retração de grande parte dos mercados europeus, 2012 tem sido um ano positivo para a fabricante, com direito a recordes de vendas puxados principalmente pelos mercados norte-americano e chinês. No Brasil, onde é representada pelo polêmico Grupo Izzo, a história é diferente. As emblemáticas motocicletas da marca não emplacaram e a sua distribuição ainda é falha – há queixas em relação ao pós-vendas. E, no caso da Multistrada 1200, a culpa também está na forte concorrência. Atualmente, apenas BMW R1200 GS e Yamaha XT 1200Z Super Ténéré atuam entre as maxtrail por aqui. Ambas cheias de qualidades e com mais de 30 anos de tradição no segmento.

Atualmente com sete concessionárias no Brasil, a Ducati vendeu apenas 110 motos nos primeiros sete meses do ano. A Multistrada 1200 é a segunda mais vendida, com 36 emplacamentos, uma média de pouco mais de 5 mensais. Para se ter ideia, as concorrentes da BMW e Yamaha têm médias de 79 e 36 unidades por mês. E a briga promete ficar mais acirrada até o final do ano. A Honda vai lançar a VFR 1200X Crossrunner em outubro e a Triumph vai voltar ao mercado nacional exatamente com a Tiger 1200.



O desempenho fraco de mercado encontra alguma explicação no preço. A Multistrada parte de R$ 63.900, vai a R$ 69.900 com o ABS e ainda pode atingir R$ 83.900 na versão topo de linha, a 1200 S Touring. É bastante acima do que a Yamaha cobra pela Super Ténéré, vendida a R$ 61 mil já completa. Mas basta olhar para a tabela de preços da BMW para perceber que o preço não conta tanto assim no luxuoso segmento de maxtrails. A alemã tem uma configuração básica de R$ 63.900 e pode atingir R$ 91.200 no topo de linha.

Em relação à tecnologia, a Ducati até supera as rivais. Começando pelo propulsor. É o mesmo bicilíndrico que estava na Superbike 1198, superesportiva substituída este ano pela Panigale. Chamado de Testastretta 11º – termo italiano para cabeçote estreito – ele tem o tradicional sistema de acionamento desmodrômico das válvulas, que usa varetas ligadas diretamente a elas, o que evita molas e suas possíveis flutuações. Dessa forma, a potência fica em 150 cv a 9.250 rpm e o torque em 12,1 kgfm a 7.500 rotações. As rivais tem potência na casa dos 110 cv.



O quadro em treliça, com partes de alumínio e magnésio, é leve – o peso total a seco é de 189 kg, contra cerca de 200 kg das concorrentes – e dá alta rigidez torcional. O garfo dianteiro é feito pela Marzocchi e o traseiro é de braço simples com amortecedor Sachs ajustável. A eletrônica também está presente na Multistrada. Ela tem um sistema que adapta diversos componentes dependendo da situação em que o piloto se encontra. O modo Urban limita o motor a 100 cv e com uma entrega mais suave. O Enduro também tem 100 cv, mas o controle de tração e o ABS são adaptados para situações de pouca aderência. Os motos Sport e Touring liberam os 150 cv do propulsor, mas, como era de se esperar, a entrega é mais "feroz" no primeiro. Tipo de equipamento que dá uma versatilidade essencial para uma maxtrail.   

Primeiras impressões

Personalidades distintas

por Carlo Valente
do InfoMotori/Itália
exclusivo para Auto Press

Lanzarote/Espanha –
A primeira volta na nova Ducati Multistrada 1200 foi no modo Urban, previsto para ser usado a maior parte do tempo. Na cidade, a moto move-se com perfeição. O peso de 189 kg é adequado e os ângulos permitem que o condutor dirija com tranquilidade. A suspensão macia absorve bem as imperfeições no asfalto e o controle de tração fica em seu modo mais alerta. O freio ABS é excelente, nunca muito invasivo. Ela até lembra uma maxiscooter em ambiente urbano.



Já no modo Touring, a suspensão endurece e o motor passa a oferecer todos os seus 150 cv. Apesar da potência maior, o piloto não se sente desconfortável e a moto está sempre sob controle. As três primeiras marchas podem ser mudadas seguramente aos 2 mil giros. A suspensão, mesmo mais firme, ainda consegue ser confortável. Mas é no modo Sport, no entanto, que a Multistrada mostra seus melhores predicados. A potência continua nos 150 cv, mas as acelerações são bem mais vigorosas. A roda dianteira ameaça sair do chão quando se age com força no acelerador. A contrapartida é o rodar significativamente mais firme – e menos confortável. Mas que consegue deixar a Multistrada bem mais esportiva.

A configuração Enduro é a mais controversa, por conta de seu nome. A palavra "enduro" geralmente lembra trilhas enlameadas, subidas íngrimes, entre outros. Mas certamente a Multistrada não tem características específicas para este segmento, muito por causa do seu peso – ainda alto para se fazer um off-road pesado. Ela pode, sim, superar obstáculos difíceis, que outras motos talvez não encarassem. Os pneus Pirelli Scorpion Trail, de uso misto, são projetados para asfalto e terra. A suspensão, pelo menos, fica mais macia e é capaz de se sair bem em alguns percursos off-road. Mas nada muito "hard core".

Ficha técnica

Ducati Multistrada 1200 S

Motor: A gasolina, quatro tempos, 1.198 cm³, dois cilindros em L, quatro válvulas por cilindro, acionamento desmodrômico de válvulas. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Câmbio: Manual de seis marchas com transmissão por corrente. Controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 150 cv a 9.250 rpm.
Torque máximo: 12,1 kgfm a 7.500 rpm
Diâmetro e curso: 106,0 mm X 67,9 mm.
Taxa de compressão: 11,5:1
Suspensão: Dianteira com garfo telescópico com aamortecedor Marzocchi ajustável e curso de 170 mm. Traseira com link progressivo e amortecedor Sachs ajustável.
Pneus: 120/70 R17 na frente e 190/55 R17 atrás.
Freios: Disco duplo semi-flutuante de 320 mm na frente e disco simples de 245 mm atrás. Oferece ABS.
Dimensões: 2,20 metros de comprimento total, 0,94 m de largura, 1,46 m de altura, 1,53 m de distância entre-eixos e 0,85 m de altura do assento.
Peso: 189 kg.
Tanque do combustível: 20 litros.
Produção: Borgo di Panigale, Itália.
Preço: R$ 63.900.

Veja mais: Audi finaliza processo de compra Ducati
Veja também: Teste: Ducati 1199 Panigale mostra ferocidade máxima em Abu Dhabi



 

 

TRÂNSITO LIVRE

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Comentários

Existem 2 comentários
#1 - Andre Emilio Bittar
22/08/2012 - 19:26

Enquanto a Audi não toma iniciativa para entrar no Brasil com Ducati, as lojas mínguam sem funcionários a meia luz, aguardando o pagamento do "resgate". Depois, Ducati vai decolar como uma fênix no Brasil, reforçando e tornando mais atrativo o mercado de motos premium. Se Agusta, mais exclusiva e desconhecida no mercado, já está um sucesso com um pouco de boa vontade do operador, imagina essa...

#2 - Emilson Fernandes
23/08/2012 - 13:19

Pois é ... "polêmico" tem que ser melhor explicado. Não houve um só meio de comunicação que tivesse o tempo ou a curiosidade de investigar o que este grupo Izzo fez com a representação de renomadas marcas de motocicleta no Brasil. O que ocorreu com a KTM? Qual realmente é a situação da Ducati ? ... como se deram as negociações para a retomada da representação por Triumph e Harley ? Afinal quem vai contar o que realmente acontece ?

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