Teste: Volkswagen Amarok SE cabine simples faz um trabalho limpo
04/07/2012 15:40
- Fotos: Pedro Paulo Figueredo/Carta Z Notícias
Picape traz o máximo que uma cabine simples pode oferecer
por Igor Macário
Auto Press
A Volkswagen parece ter acordado. Junto com o lançamento da aguardada Amarok com câmbio automático em março desse ano, a marca aproveitou para reformular a linha da picape, dando mais importância às recém-lançadas variantes com cabine simples. A versão SE passou a ser oferecida para pessoas físicas – antes era restrita aos frotistas – e agora ocupa o topo entre as Amarok com dois lugares. A estratégia da Volkswagen para ganhar vendas parece estar dando certo. Nos primeiros cinco meses de 2012, a Amarok emplacou uma média mensal de 1.113 unidades, contra cerca de 850 em 2011. Ela ainda está na quinta colocação no disputado mercado, atrás de Chevrolet S10, Toyota Hilux, Ford Ranger e Nissan Frontier, mas aos poucos começa a diminuir a distância para as concorrentes.
Atributos não faltam ao modelo. Sob o capô funciona o eficiente 2.0 litros biturbo de 180 cv a 4 mil rpm e excelentes 40,8 kgfm de torque disponíveis a apenas 1.500 rotações, com câmbio automático, que ainda deve demorar para chegar às versões com cabine simples. Por enquanto o câmbio é o mesmo manual de seis marchas já oferecido antes.
Se não é a mais potente da categoria, pelo menos tem o conjunto mais tecnológico, com propulsor de menor capacidade cúbica e dois turbos, contra as configurações mais tradicionais das rivais. A tração é sempre integral, com reduzida e possibilidade de bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, para melhor capacidade off-road.
O visual da Amarok SE até engana e disfarça um pouco da vocação. Por fora, as rodas de liga leve de 16 polegadas, pneus mais largos e para-choque dianteiro na cor da carroceria tiram o ar básico demais das variantes mais simples – com rodas de aço e para-choques pretos. Não chega à sofisticação dos cromados e das rodas grandes das versões cabine dupla, mas já faz diferença. Por dentro, a Amarok tem o básico para uma convivência mais amigável. O problema é que, mesmo sendo a "topo", ela ainda vem pouco provida de equipamentos. Ainda que o ar-condicionado, direção hidráulica e o som sejam de série – além de airbags frontais e freios ABS –, vidros e travas elétricas continuam na lista de opcionais, e elevam o preço a R$ 94.927. Uma Amarok S 4X4, com 122 cv, equipada à altura sai por R$ 88.927. A diferença de R$ 6 mil por 58 cv a mais e rodas e pneus mais robustos acaba nem sendo tão grande.
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O preço alto e a falta de opções com motor flex podem ser entraves para o crescimento da Amarok no Brasil. Ela é mais cara que as rivais com configuração semelhante. A Chevrolet S10 LS com motor diesel e tração integral sai por R$ 82.616 e uma quase simplória Toyota Hilux STD custa R$ 86.360. No entanto, o conjunto bem acertado, com o motor mais forte entre as cabine simples, boas capacidades fora-de-estrada e muita disposição para o transporte de cargas faz da picape uma opção um pouco mais equipada, já que é a única a oferecer airbags e alguns itens extras de conveniência.
Impressões ao dirigir
Cavalo de força
Se a versão cabine dupla está cada vez mais próxima de um carro de passeio, na Amarok de dois lugares a coisa é bem diferente. Apesar do painel misturar itens de outros modelos, o volante pequeno e alguma suavidade nos comandos, o rodar é claramente o de um veículo de trabalho. Os sacolejos são inevitáveis, culpa do menor peso na traseira e da suspensão voltada para o transporte de cargas. Cada imperfeição do asfalto é transmitida à cabine sem cerimônias e faz a picape ser algo cansativo no uso diário. Ao menos, estão lá itens básicos de conveniência, como ar-condicionado, som e vidros elétricos.
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Ao volante, a picape mantém sua personalidade "trabalhadora". Mas mesmo com a configuração voltada para o serviço mais pesado, a suspensão consegue segurar a picape nas curvas e mudanças mais bruscas de direção. Quase dá para pensar que se dirige como um carro. Ela surpreende pela boa manobrabilidade, o que torna um pouco mais fácil a hora de encaixar os mais de 5 metros de comprimento numa vaga mais apertada – ainda que faltem valiosos sensores de estacionamento, que poderiam constar ao menos na versão testada, a SE, topo entre as cabine simples.
No entanto, a simplicidade do acabamento e o ar mais rústico reforçam a impressão que domina o convívio com a Amarok, sua inquestionável robustez. Definitivamente, ela deixa claro que é capaz de enfrentar qualquer desafio na estrada, ou fora dela, com total confiança. O motor 2.0 TDI de 180 cv tem força suficiente para empurrar a picape com desembaraço na cidade – as marchas curtas fazem a aceleração ser surpreendente – e garante um bom desempenho off-road, como em terrenos arenosos ou de baixa aderência. A distribuição dos 40,8 kgfm de torque é bem plana, e a Amarok responde com decisão aos chamados no acelerador. O motor ainda vibra pouco e é bastante econômico, com cerca de 10 km/l em percurso misto.
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Ficha Técnica
Volkswagen Amarok SE 2.0 TDI 4Motion cabine simples
Motor: A diesel, dianteiro, longitudinal, 1.968 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, com duplo comando no cabeçote. Injeção direta de combustível do tipo common rail, acelerador eletrônico e dois turbocompressores intercooler.
Transmissão: Câmbio manual de seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral e bloqueio manual do diferencial traseiro. Oferece controle eletrônico de tração como opcional.
Potência máxima: 180 cv a 4 mil rpm.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,9 segundos.
Velocidade máxima: 179 km/h.
Torque máximo: 40,8 kgfm entre 1.750 rpm e 2 mil rpm.
Diâmetro e curso: 81,0 mm x 95,5 mm. Taxa de compressão: 16,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo double wishbone, com braços sobrepostos, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira por eixo rígido, com feixe de molas semi-elípticas e amortecedores hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade como opcional.
Pneus: 245/70 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Carroceria: Picape sobre longarinas com duas portas e dois lugares. Com 5,25 metros de comprimento, 1,95 m de largura, 1,83 m de altura e 3,09 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais dianteiros de série.
Peso: 1,921 kg em ordem de marcha, com 1.119 kg de carga útil.
Tanque de combustível: 80 litros.
Capacidade off-road: Ângulo de entrada de 28°, ângulo de saída de 23°, capacidade de rampa de 45°.
Produção: General Pacheco, Argentina.
Itens de série: Ar-condicionado automático, direção hidráulica, controle eletrônico de tração, airbags frontais, freios ABS, rádio CD/MP3/USB/Bluetooth, rodas de liga-leve de 16 polegadas. Opcionais: Vidros, travas e retrovisores elétricos, alarme com comando à distância e travamento mecânico do diferencial traseiro.
Lançamento mundial: 2012.
Lançamento no Brasil: 2012.
Preço: R$ 94.927.
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Comentários
Existem 2 comentários
#1 - abn001
10/07/2012 - 22:59
Não acho que o fato de o motor não ser flex seja um demérito para o carro. Em primeiro lugar, não é vantajoso abastecer com etanol. Em segundo, a vida útil do motor flex é, indubitavelmente, menor do que a de um motor que só utilize um combustível. Particularmente, acho carro flex uma roubada. E digo isso por experiência própria.
#2 - Rene Moreira Adamecz
11/07/2012 - 07:04
Por que as revistas técnicas sempre omitem, como se não exitisse as Pick Ups da Mitsubishi - Outlander e Triton? Será que a Mitsubishi não se curva a pagamentos de propinas para aparecerem em seus testes?
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