Teste: Yamaha YZF R1 transmite esportividade em três tons
Yamaha YZF R1 vira uma moto suave, forte ou nervosa, ao toque de um botão
por Eduardo Rocha
Auto Press
O topo do segmento de superesportivas é a parte mais nobre do mercado brasileiro. São motocicletas de alto rendimento, tanto na pista quanto financeiro. E que em 2011 registraram perto de 4 mil unidades vendidas, apesar de o preço dos modelos ser sempre acima dos R$ 50 mil. O paradigma desse nicho atualmente é para modelos de 1.000 cc. Esse tamanho de motor é exatamente o mesmo apresentado pela Yamaha YZF R1 desde a época de seu lançamento, em 1998. O jeitão malvado, com dois faróis em forma de gota e o perfil pontiagudo, também é mantido até hoje. Mas uma boa dose de tecnologia foi embarcada para ajudar a domar as reações na pista.
Esse aumento de tecnologia foi fazendo com que a R1 ganhasse potência e emagrecesse ao longo dos anos. Dos iniciais 150 cv para empurrar 190 kg, hoje são 182 cv para dar conta de 184 kg – a relação peso/potência caiu em 20%, de 1,26 kg para 1,01 kg/cv. Outra evolução foi o embarque de tecnologia. O modelo atual tem válvulas em titânio, chassi em alumínio e virabrequim “crossplane”, típico de motores V8.
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Este virabrequim distribuiu as bielas em ângulos de 90º e faz com que cada cilindro exploda a cada um dos quatro tempos. Essa formatação dispensa o uso de contrapesos, já que o nível de vibrações do motor fica naturalmente muito baixo. Além disso, lineariza a geração de potência, o que permite a alteração da sequência de ignição mais facilmente e sem provocar desequilíbrios.
A busca de um comportamento mais progressivo é mesmo necessária, já que a YZF R1 pode ser bastante feroz. Na verdade, ela tem três mapeamentos para a ignição, que são controlado por um botão no punho direito, alteram bastante o comportamento da moto. De acordo com a configuração, a YZF R1 pode ser civilizada, brava ou absolutamente selvagem.
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A lógica de construção da R1 é a consagrada para o segmento: centralização das massas, redução de pesos e ganho de potência através de alívio no funcionamento do motor. Mas o que caracteriza o modelo da Yamaha é uma maior preocupação em ser mais agradável na tocada, com um despejo de torque na roda traseira bem harmônico.
Apesar de ter um motor forte e contar com vários componentes típico de bólidos da Moto GP, ela não se comporta como uma fera descontrolada que faz o piloto de passageiro. Nisso colabora muito o porte do modelo: tem 2,07 metros de comprimento e uma altura do assento ao chão de apenas 83,5 cm, apesar da boa distância de 13,5 cm para o solo. Esta R1 linha 2012 está nos últimos meses de vida no mercado. Já foi anunciada a chegada de uma R1 renovada para o meio do ano – o que torna o atual modelo passível de um belo desconto sobre o preço oficial de R$ 57 mil. E como acontece desde 1998, vai manter as características estéticas e técnicas que tornaram a R1 uma referência no segmento das RR – ou “racing replica”.
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Impressões ao pilotar
Além das aparências
A primeira visão da Yamaha YZF R1 provoca um certo déjà vu. O porte pequeno e leve para a cilindrada e corpo todo carenado quase a igualam às outras superesportivas do mercado. As diferenças estéticas são pequenas, embora bastante características, como o jeito agudo como a carenagem e os faróis apontam para a frente. O ronco do motor, rouco e pouco agressivo, já permite antever como ela é em ação. Não é exagero afirmar que a superesportiva da Yamaha pode se comportar exatamente como o piloto quiser. Caso se deseje arrancar um comportamento agressivo, ela responde bem. Mas é numa tocada rápida, em ritmo de turismo, que a moto mostra o que tem de melhor.
A R1 é sempre suave e dócil aos comandos do punho, dos freios e do corpo do piloto nas curvas. Tudo isso resgata a chamada “dimensão humana”, que ficou perdida em meio à guerra de mercado, quando as marcas passaram a disputar quem iria mais longe em velocidade e aceleração, mesmo que isso significasse um estresse maior para o piloto.
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Em cada um dos mapeamentos, a R1 se apresenta de uma forma bastante diferente. Na cidade, o único modo indicado é o mais manso, o “B”, que oferece as reações mais finas e permite driblar os carros com bastante facilidade e agilidade. Este modo é também indicado para o uso com pista molhada. Na estrada, os outros dois modos, “Standard” e o violento “A” podem se alternar, dependendo do trecho e das condições.
O primeiro, a R1 mantém uma maneabilidade ainda agradável, mas com um toque de esportividade. No outro, o motor libera o máximo de agressividade. E aí o controle de tração se mostra bem necessário, para que a roda e a pista se entendam melhor. Hoje, esta versatilidade virou o padrão no segmento de superesportivas. O que difere a R1 é que ela consegue unir uma esportividade visceral com o prazer de pilotar. E tudo ao mesmo tempo.
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Ficha Técnica
Yamaha YZF-R1
Motor: A gasolina, quatro tempos, 998 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote com refrigeração líquida. Injeção eletrônica multiponto sequencial.
Câmbio: Manual de seis marchas com transmissão por corrente.
Potência máxima: 182 cv a 12.500 rpm.
Torque máximo: 11,78 kgfm a 10 mil rpm
Diâmetro e curso: 77,0 mm X 53,6 mm.
Taxa de compressão: 12,7:1
Suspensão: Dianteira por garfo telescópico com curso de 120 mm. Traseira com braço oscilante e monoamortecedor e curso de 120 mm.
Pneus: 120/70 R17 na frente e 190/55 R17 atrás.
Freios: Disco duplo de 310 mm de diâmetro na frente e disco simples de 220 mm de diâmetro atrás.
Dimensões: 2,07 metros de comprimento total, 0,71 m de largura, 1,13 m de altura, 1,41 m de distância entre-eixos e 0,83 m de altura do assento.
Peso: 184 kg.
Tanque do combustível: 18 litros.
Produção: Shizuoka, Japão.
Lançamento mundial: 2009.
Lançamento no Brasil: 2010.
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