Teste: Volkswagen Amarok Automática é o que faltava
Volkswagen lança câmbio automático para Amarok e completa gama da picape
por Rodrigo Machado
Auto Press
Demorou. Mas, dois anos depois do lançamento, a linha da Amarok finalmente está completa no Brasil. Agora, após a cabine simples e as versões menos equipadas, a picape chega às revendas da Volkswagen com a opção de um novo câmbio automático de oito velocidades. A marca alemã ainda aproveitou a oportunidade para atualizar o motor e reposicionar as versões da Amarok. Tudo para lidar com a forte e renovada concorrência que chega esse ano ao Brasil.
Mas, evidentemente, o maior destaque vai para a transmissão. Feita pela empresa alemã ZF, ela tem oito marchas e é a mesma que é usada pelo utilitário esportivo de luxo Audi Q7. Para deixar a vida do motorista de um carro automático mais simples, a Volkswagen resolveu também mudar o sistema de tração. Saem de cena aqueles botões no painel que selecionam 4X2, 4X4 ou 4X4 reduzida. Agora, a Amarok tem sempre tração integral.

Em situações em que ocorre a necessidade de superar uma pirambeira mais complicada, a primeira marcha funciona como reduzida. Já a oitava é apenas overdrive – serve para economizar combustível. A velocidade máxima de 179 km/h é alcançada na sétima marcha, por exemplo. De acordo com a fabricante, o modelo automático é mais econômico que o manual de seis velocidades.
O motor diesel 2.0 TDI biturbo também recebeu alterações. A Volkswagen atualizou a eletrônica e modificou ligeiramente os turbos. Assim, a potência subiu de 163 cv para 180 cv a 4 mil rpm e o torque foi para 42,8 kgfm a 1.750 rotações. Com isso, o zero a 100 km/h é feito em 10,9 segundos. Nas versões com câmbio manual, a potência se mantém a 180 cv, mas o torque é de 40,8 kgfm. A Amarok agora também atende às normas da fase L6 do Proconve para veículos movidos a diesel. Para isso, a marca introduziu um filtro que reduz o nível de emissões de material particulado. A marca avisa que, para otimizar o funcionamento e reduzir a poluição, é aconselhável o uso do diesel S-50, com menos enxofre em sua composição.

A Amarok também teve suas versões ligeiramente rearrumadas. A nova transmissão automática só está disponível na versão topo de linha Highline. A configuração de entrada mudou de nome. Agora é a Amarok S, com motor de 122 cv, oferecida com cabine simples ou dupla e com os dois tipos de tração. A Volks também passa a disponibilizar a SE para o consumidor em geral – antes era exclusiva para frotistas.
Em termos de segurança, todas as versões da picape vêm equipadas com airbag duplo, ABS – inclusive com função off-road – e bloqueio do eletrônico do diferencial traseiro. As mais equipadas podem receber assistente de descida e partida em subida e controle eletrônico de estabilidade. A Amarok automática chega por R$ 135.990, R$ 9 mil a mais do que a Highline com a transmissão manual. Apesar de caro, o câmbio automático é um equipamento altamente necessário para fazer a Amarok finalmente deslanchar nas vendas. Na primeira quinzena de março, a picape emplacou 739 unidades, que a deixaram na terceira posição no segmento. Atrás apenas das 914 Toyota Hilux e das 1.146 Chevrolet S10 que ganharam as ruas. Mitsubishi L200 e Ford Ranger – outra que deve se renovar por completo em breve – completam a lista das cinco mais vendidas, com 657 e 535 unidades, respectivamente.

Primeiras impressões
Música urbana
Pedra Grande/São Paulo – A Volkswagen parece começar a aprender as sutilezas do mercado nacional de picapes. Para ter sucesso, além de um bom produto, é realmente necessário oferecer versões mais baratas, para carga, e também versões topo de linha, com requintes extras. E para isso, o câmbio automático é imprescindível. Se a marca demorou excessivamente para aplicar o equipamento na Amarok, pelo menos quando o fez caprichou. Trouxe uma unidade feita pela ZF, de oito velocidades – bem diferente de algumas transmissões obsoletas ainda em uso em picapes vendidas por aqui.
E seu funcionamento surpreende. A troca das marchas é muito rápida e bem suave. É comum as mudanças serem feitas de maneira virtualmente imperceptível. Além disso, a eletrônica tem boa calibragem. O sistema entende facilmente quando é necessária uma redução ou quando uma marcha mais alta é chamada para diminuir o consumo. O mesmo acontece em trechos fora-de-estrada. A transmissão logo capta a dificuldade e força a entrada da primeira marcha – a reduzida – para dar mais “poder” ao conjunto. Se necessário, as trocas ainda podem ser feitas de maneira manual na alavanca.

Para quem não está acostumado com motores a diesel, a picape da Volks é ótima. Isso porque seu propulsor não faz tanto barulho e é suave. No entanto, existe uma sensação de falta de força por volta das 1.200 rotações. Em subidas íngremes em pisos pouco asfaltados, às vezes parece faltar ânimo.
No resto, a Amarok se destaca por ser a picape média vendida no Brasil com comportamento mais semelhante ao dos carros de passeio. O próprio interior é bem parecido com o resto dos automóveis da marca. A posição de dirigir é alta, mas não se compara com Chevrolet S10 e Toyota Hilux, por exemplo. Isso se reflete na dirigibilidade. Com o centro de gravidade em posição não tão elevada, o carro mostra boa estabilidade em curvas, sem tanta menção de sair de frente e pouca rolagem de carroceria. Ou seja, de uma maneira geral, para uma picape de uso predominantemente urbano, a Amarok está mais adaptada do que nunca.

Ficha Técnica
Volkswagen Amarok Highline 2.0 TDI 4Motion Automática
Motor: A diesel, dianteiro, longitudinal, 1.968 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, com duplo comando no cabeçote. Injeção direta de combustível do tipo common rail, acelerador eletrônico e dois turbocompressores intercooler.
Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré. Tração integral e bloqueio manual do diferencial traseiro. Oferece controle eletrônico de tração como opcional.
Potência máxima: 180 cv a 4 mil rpm.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,9 segundos.
Velocidade máxima: 179 km/h.
Torque máximo: 42,8 kgfm entre 1.750 rpm e 2 mil rpm.
Diâmetro e curso: 81,0 mm x 95,5 mm. Taxa de compressão: 16,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo double wishbone, com braços sobrepostos, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira por eixo rígido, com feixe de molas semi-elípticas e amortecedores hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade como opcional.
Pneus: 255/60 R18.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Carroceria: Pick-up sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. Com 5,25 metros de comprimento, 1,95 m de largura, 1,83 m de altura e 3,09 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais dianteiros de série.
Peso: 2.082 kg em ordem de marcha, com 1.018 kg de carga útil.
Tanque de combustível: 80 litros.
Capacidade off-road: Ângulo de entrada de 28°, ângulo de saída de 23°, capacidade de rampa de 45°.
Produção: General Pacheco, Argentina.
Itens de série: Ar-condicionado automático, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, controle eletrônico de estabilidade, airbags frontais, freios ABS, rádio CD/MP3/USB/Bluetooth com tela sensível ao toque, bancos em couro, rodas de liga-leve de 18 polegadas, controle eletrônico de descida de rampas, alarme com comando à distância.
Lançamento mundial da versão: 2011.
Lançamento da versão no Brasil: 2012.
Preço: R$ 135.990.
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Comentários
Existem 1 comentáriosGostei da Amarok. Parece ter excelente ergonomia, inclusive para pessoas altas. É larga e o espaço entre o teto e o assento me parece ser o melhor de todas as caminhonetes, sem ter o para-brisas baixo (como a S10 nova), a qual, apesar de permitir que uma pessoa alta sente no banco sem tocar a cabeça no teto, não tenha boa visão para a frente, tendo uma ergonomia ruim para pessoas altas (como eu)! Falta uma versao intermediaria da Amarok, mas com cambio automatico e 4x4, aliás, como fez a GM com a S10, por um preço razoável (em termos de Brasil!!). Nao gosto de certas perfumarias da Amarok, como carpete, banco de couro, console, etc.
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