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Teste: Volkswagen Space Cross segue rumo ao topo pelas trilhas do marketing

30/01/2012 12:50  - Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/CZN
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Teste: Volkswagen Space Cross segue rumo ao topo pelas trilhas do marketing

Space Cross usa o charme lameiro para ajudar a Volkswagen a reconquistar a liderança entre as station

por Igor Macário
Auto Press


Depois de onze anos de folgada liderança no mercado de peruas compactas de aspecto off-road, a Palio Adventure – lançada em 1999 e que “inventou” o segmento – finalmente viu alguém piscar os faróis em sua traseira em setembro do ano passado. Foi quando a Volkswagen entrou na briga com a Space Cross, um modelo com as mesmas propostas estéticas que deram fama ao carro da Fiat. A fabricante alemã chegou a tentar a sorte com algumas versões da antiquada Parati, que acabou fazendo sucesso apenas entre os frotistas. E outras marcas também lançaram peruas com adereços lameiros, mas sempre à sombra da Palio Adventure.

A nova station tem ido bem nas lojas e representa em média 25% das vendas das peruas da linha – na primeira quinzena de janeiro, foram 792 SpaceFox e 257 Space Cross. A proporção é muito maior que a que ocorre entre o hatch Fox e sua versão aventureira CrossFox, que hoje ronda os 15%. Uma justificativa pode ser a diferença no preço, que é percentualmente menor entre as stations.

A Space Cross repete um conjunto mecânico bem conhecido. O 1.6 8V flex rende 104 cv e 15,6 kgfm de torque quando abastecido com etanol. O câmbio manual de cinco marchas também é o mesmo. Há ainda a opção pelo sistema automatizado i-Motion, que acrescenta R$ 2.725 ao preço inicial. O modelo é equipado de série com ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, airbag duplo frontal e freios com ABS. Os únicos opcionais são os bancos em couro, sistema de som com comandos no volante e regulagem do volante em altura e profundidade.

O visual ficou muito bem acertado dentro da proposta de evocar elementos da estética off-road – mesmo que o carro não possua tração integral nem outros equipamentos que efetivamente ajudem a enfrentar trilhas, além da suspensão mais elevada em relação à SpaceFox original. Apliques em plástico preto na carroceria tornaram a station mais viril, sem exageros como um estepe pendurado na tampa traseira ou quebra-matos pronunciados na frente. Por dentro, apenas uma inscrição nos bancos dianteiros e na manopla de câmbio identificam a versão.



O lançamento da Space Cross, em setembro de 2011, revelou-se crucial para a SpaceFox encostar na rival Palio Weekend na tabela dos mais vendidos. Em 2011, as versões da perua da Volkswagen somadas venderam 22.148 carros, ante 22.853 da station da Fiat. E, na primeira quinzena de janeiro, a station da marca alemã já ultrapassou a rival – que está envelhecida e deve ganhar uma nova geração em breve, como já ocorreu com o hatch Palio.

Apesar de os R$ 58.735 cobrados pela versão básica da Space Cross – que pode ultrapassar os R$ 61 mil com os opcionais – ficarem quase R$ 10 mil acima da intermediária SpaceFox Trend equipada à altura, as vendas da versão continuam embaladas. Mas as decisões do consumidor brasileiro de automóveis sempre foram muito além da simples lógica dos números. E é exatamente no “valor psicológico agregado” transmitido pela estética aventureira que os modelos desse segmento definem suas vendas – e também os seus preços.



Ponto a ponto

Desempenho – O conhecido motor 1.6 entrega boa dose de força logo em baixas rotações e empurra a Space Cross sem muito embaraço. O carro ganha velocidade fácil graças ao ótimo câmbio manual de cinco marchas que tem engates precisos e rápidos, além do escalonamento correto que aproveita bem os 104 cv a 5.250 rpm. Pelo menos os bons 15,6 kgfm de torque aparecem logo nas 2.500 rpm, o que reduz a necessidade de trocas de marcha e torna a station muito agradável na cidade. Nota 8.
Estabilidade – O aumento da altura da suspensão não afetou o bom comportamento na Space Cross. O acerto mais firme passa confiança nas curvas de alta velocidade e ainda é robusta para encarar o normalmente mau cuidado asfalto brasileiro. As eventuais saídas de frente são facilmente contornáveis e a frente só começa a flutuar em velocidades acima dos 140 km/h. O rodar é sólido e bem assentado, mesmo com o centro de gravidade mais alto da versão aventureira. Nota 8.
Interatividade –
O interior é bem resolvido, e todos os comandos estão convenientemente posicionados e são de fácil uso. O rádio é completo e inclui entradas USB, auxiliar, para cartão SD e bluetooth capaz de reproduzir músicas do telefone. O câmbio é dos melhores, com engates precisos e curtos. O sensor de estacionamento ajuda na hora de encaixar a station em vagas mais apertadas.  Nota 8.
Consumo –
A Space Cross marcou uma média de 7,1 km/l de etanol em circuito misto. O InMetro ainda não tem medições da versão específica. Nota 6.
Tecnologia –
O modelo é simples. O i-System ajuda muito o motorista a monitorar o funcionamento do carro, mas o motor já tem quase uma década de estrada. A plataforma é relativamente recente, do Fox de 2003, que é uma versão encurtada da base do Polo de 2002. No aspecto de segurança, vem com airbag duplo frontal e freios ABS de série. Nota 7.
Conforto – Apesar do acerto mais “durinho” da suspensão, para compensar a altura do carro, a Space Cross transmite pouco as imperfeições do solo para o interior e se mostra confortável. Os bancos têm espuma mais densa, como de praxe na Volkswagen, que tornam as viagens longas menos cansativas. O espaço interno é destaque, cinco adultos conseguem se acomodar na station sem dificuldades. O teto alto libera espaço para a cabeça de todos. Nota 8.



Habitabilidade – As portas grandes e com bom ângulo de abertura facilitam o entra e sai dos passageiros. Assim como o vão baixo de abertura do porta-malas, ótimo para colocar objetos mais pesados sem muito esforço. Há muitos porta-objetos espalhados pelo interior, inclusive espaços específicos nas portas dianteiras para acomodar garrafas de até 1,5 litro. Nota 7.
Acabamento – Para um carro de quase R$ 60 mil, o acabamento poderia ser mais sofisticado. A abundância de plástico rígido deixa a sensação de que o carro é simples demais. Ao menos, o couro opcional que reveste os bancos é agradável ao toque e transparece qualidade. A Space Cross adiciona pedaleiras em alumínio e inscrições alusivas à versão no encosto dos bancos dianteiros e na manopla de câmbio. Nota 7.
Design – O desenho agradável da SpaceFox manteve o bom gosto na versão aventureira. A marca alemã conseguiu um conjunto interessante com os apliques em plástico preto nas laterais e para-choques, além das rodas pintadas de cinza. As mudanças externas deram ao carro um ar mais “atlético”. Talvez o interior merecesse outras alterações para acentuar a atmosfera “cross”. Nota 9.
Custo/beneficio – O carro custa excessivos R$ 58.735 na versão básica, que inclui airbag duplo e freios ABS, além do tradicional pacote com ar-condicionado, trio elétrico e direção hidráulica. Com todos os opcionais – bancos em couro, sistema de som com comandos no volante e ajuste de altura e profundidade do mesmo – chega aos R$ 61.905. Com o câmbio automatizado i-Motion, pode ir a R$ 64.450. Os preços são em média R$ 10 mil mais caros que uma SpaceFox equivalente, difíceis de justificar com apenas pelos adereços lameiros. A maior rival, a Palio Adventure 1.8 16V é mais potente, apesar de mais antiga, e parte dos R$ 54.580 com dotação semelhante de equipamentos. A Citroën Aircross também é mais barata – sai por R$ 54.350 na versão básica, que não possui nem rodas de liga-leve. Fora do segmento, a título de comparação, o Volkswagen Jetta – um sedã médio mais potente, equipado e bem acabado –começa em R$ 65.755. Pouca coisa a mais que a Space Cross “top”. Nota 5.
Total – O Volkswagen Space Cross somou 73 pontos em 100 possíveis.



Impressões ao dirigir

Jeito robusto de ser

Se externamente a Space Cross se diferencia bastante da versão “civil”, por dentro, é difícil dizer qual é qual. O que não necessariamente é um ponto negativo. Estão lá a boa ergonomia herdada do compacto Fox, e o mesmo acabamento correto. Não é um carro de pretensões luxuosas, e muito menos esportivas, mas consegue reunir um bom conjunto à versatilidade de uma station pequena. É fácil achar uma posição confortável para dirigir – embora o banco do motorista devesse descer mais do que a regulagem atual permite – e todos os comandos estão sempre à mão.

O conhecido conjunto mecânico – 1.6 8V com 104 cv – dá à Space Cross boa agilidade no trânsito urbano, muito ajudada pelo câmbio manual de engates precisos e rápidos. Além disso, é bem escalonado e consegue extrair o melhor do motor na maior parte das situações, com arrancadas e retomadas decididas. O zero a 100 km/h em 11,5 segundos fica dentro do desejável para o segmento. A quinta marcha mais longa silencia o propulsor em velocidades de cruzeiro – o que também ajuda no consumo. É um carro agradável de dirigir, com boa visibilidade para todos os lados e espaço interno condizente.

A suspensão ligeiramente elevada não mudou o comportamento dinâmico do modelo, que se mantém estável e previsível mesmo quando provocado. As curvas podem ser feitas de forma razoavelmente arrojada, sem que a perua aderne demais ou perca a compostura. As imperfeições do asfalto são bem absorvidas, mesmo com o acerto mais firme do conjunto suspensivo. Os pneus maiores, de medida 205/55 montados em rodas aro 15, seguram bem o carro e dão a robustez necessária para encarar trilhas leves sem dar a impressão de que o carro vai desmontar. Além de visualmente terem caído muito bem na versão aventureira.



Ficha técnica

Volkswagen Space Cross 1.6

Motor: 1.6 a gasolina e a etanol, dianteiro, transversal, com quatro cilindros em linha e oito válvulas. Injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual, cinco marchas à frente e uma atrás. Tração dianteira.
Potência máxima:
Gasolina 101 cv à 5.250 rpm e etanol 104 cv à  5.250 rpm.
Aceleração 0-100 km/h:
11,5 segundos.
Velocidade máxima: 177 km/h.
Torque máximo: Gasolina 15,4 kgfm à 2.500 rpm e etanol 15,6 kgfm à 2.500 rpm.
Diâmetro e curso:
76,5 mm X 86,9 mm Taxa de compressão: 12,1:1.
Suspensão:
Dianteira independente, tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e pressurizados e barra estabilizadora diâmetro 20 mm. Traseira interdependente com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos e pressurizados.
Pneus: 205/55 R15.
Freios: Dianteiros por discos ventilados e traseiros a tambor. ABS de série.
Carroceria:
Station wagon em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,18 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,59 m de altura e 2,48 m de distância entre-eixos. Oferece airbag duplo de série.
Peso: 1.184 kg com 446 de carga útil
Capacidade do porta-malas: 430 litros
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: General Pacheco, Argentina.
Lançamento no Brasil:
2011.
Itens de série da versão testada:
Ar-condicionado, direção hidráulica, ABS, airbag duplo, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro com ajuste longitudinal, sensor de estacionamento, de luminosidade e de chuva, rodas de liga leve de 15 polegadas, brake-light, rack de teto longitudinal, retrovisores elétricos, vidros elétricos e computador de bordo.
Preço básico: R$ 58.735.
Itens opcionais:
Banco de couro, freios ABS, volante multifuncional, pintura metálica e rádio CD player com USB e bluetooth.
Preço da unidade avaliada: R$ 61.905.

Veja mais: Teste: Space Cross é colocada na última trincheira
Veja também: Space Cross - primeira imagem da novidade da VW em Buenos Aires

 

 

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