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Teste: New Fiesta hatch entra na batida tecnológica

30/09/2011 15:15  - Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias
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Teste: New Fiesta hatch entra na batida tecnológica

Versão hatch do compacto mexicano chega com eletrônica embarcada, linhas modernas e disposição para a briga

por Eduardo Rocha
Auto Press

A Ford não tem pressa. Nos últimos anos, cada passo da montadora tem sido bem pensado e pesado. Foi esta postura cautelosa, exatamente, que permitiu que passasse pela crise financeira de 2008 sem sequelas – era a única entre as americanas com dinheiro em caixa. E esse lógica é também aplicada ao mercado brasileiro. Como na decisão de só passar a trazer o New Fiesta hatch do México neste último trimestre de 2011 – mais de um ano depois do lançamento da versão sedã. Para que a chegada do carro tivesse maior impacto, a Ford esperou até que o carro recebesse os "incrementos" do modelo 2012 – que também valem para o sedã. E essas mudanças foram muito mais voltadas ao conteúdo tecnológico que à estética.

Visualmente, além da alterações inerentes à configuração de carroceria, a diferença entre hatch e sedã se restringe à grade frontal. Na nova versão, ela tem a moldura bem grossa e vem na cor da carroceria, enquanto no sedã tem três filetes e é cromada. Outros dois detalhes modificados valem também para o sedã, na versão top: um revestimento cromado com uma linha de leds nas reentrâncias laterais do parachoque e retrovisores externos maiores, com repetidores. Já na parte traseira, a opção da Ford foi por ampliar o aspecto esportivo do hatch. Sobre o pequeno vidro traseiro há um spoiler e a tampa tem desenho bem truncado. O para-choque alto dá um ar robusto ao carro e as lanternas são altas e grandes. O conjunto valoriza bem a linha de cintura em cunha acentuada e as linhas seguem o mais puro estilo Kinetic.

As melhores novidades do novo Fiesta são tecnológicas. Nada que diga respeito ao motor. Ele é o mesmo o trem de força do sedã – motor Sigma de 110/115 cv com gasolina/etanol e câmbio mecânico de 5 marchas produzidos em Taubaté e enviados para o México. Mas muitos recursos que o novo Fiesta traz até agora só eram oferecidos em carros do segmento superiores. Caso do sistema Sync – em português brasileiro –, que a Ford desenvolveu com a Microsoft. Ele aceita ordem vocais e oferece conectividade via USB e Bluetooth para celulares. Muitos recursos são relacionadas à segurança – afinal, porque este mesmo modelo é vendido nos Estados Unidos, que tem uma legislação bem severa nesse sentido. Caso do sistema ABS com controle eletrônico de estabilidade e assistência de partida em rampa, que segura o carro por 3 segundos quando se libera o freio em um aclive com a marcha engatada. Tem ainda espelhos externos em duas peças – para eliminar pontos cegos – e com aquecimento.

A estes novos recursos, somam-se os que já eram disponíveis no sedã, como a possibilidade de receber de sete airbags – frontais, laterais, de janela e para o joelho do motorista – que classificam o ocupante pelo peso e dimensiona a potência de acionamento dos airbags, direção elétrica progressiva com sistema de eliminação de vibração e de compensação de desalinhamento, seja da pista, seja das rodas. Este sistema, porém, funciona apenas para pequenas correções, para não mascarar problemas mais graves – como pneu furados ou um problema na caixa de direção.

Todos os Fiesta que vêm para o Brasil são da versão SE. O que muda é o conteúdo. São três "pacotes" de equipamentos e boa parte desses recursos já estão disponíveis na configuração intermediária, que custa R$ 51.950. A mais cara, de R$ 54.950, recebe a mais airbags laterais, de cortina e de joelho, bancos em couro, descansa-braço central, rodas aro 16, espelhos retrovisor aquecido e com repetidores e luzes de led no para-choque. Seguindo a lógica do que acontece com o sedã, o Fiesta mais completo deve responder por 50% das vendas enquanto o intermediário ficaria com 40%.

A versão mais barata, que sai a R$ 48.950, no entanto, já teria condições de enfrentar os dois rivais que a Ford vislumbra para seu modelo, Fiat Punto e Volkswagen Polo. Ele vem com trio e direção elétrica, ar-condicionado, CD player, computador de bordo e alarme. Conteúdo bem parecido com o dos concorrentes com preço semelhante. Talvez venha daí o otimismo da Ford, que acha que o hatch pode vender por volta de 2.500 unidades mensais – menos que o Punto e bem mais que o Polo. De uma forma ou de outro, o novo Fiesta chega para dar uma boa sacudida no segmento de compactos hatch premium.



Ficha técnica

Ford New Fiesta hatch SE 1.6 16V

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.596 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.

Potência máxima: 110 cv a com gasolina a 6.250 rpm e 115 cv com etanol a 5.500 rpm.

Torque máximo: 15,8/16,2 kgfm com gasolina/etanol a 4.250 rpm.

Diâmetro e curso: 79,0 mm X 81,4 mm. Taxa de compressão: 11,0:1.

Aceleração 0–100 km/h: 12,1/11,7 segundos (gasolina/etanol).

Velocidade máxima: 190 km/h (gasolina/etanol).

Consumo: urbano 11,0/7,5 km/l, rodoviário 13,9/9,3 km/l e médio 12,1/8,2 km/l (gasolina/etanol).

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade como opcional.

Pneus: 185/60 R15 (195/50 R16 opcional)

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD como opcional.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,06 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,45 m de altura e 2,49 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais dianteiros, do tipo cortina e para joelho do motorista como opcional.

Peso: 1.145 kg com 375 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 290 litros.

Tanque de combustível: 47 litros.

Produção: Cuautitlán, no México.

Lançamento mundial: 2008. Lançamento no Brasil: 2011.

Itens de série: Ar-condicionado, direção elétrica, espelhos, travas e vidros elétricos, CD player com MP3, rodas de liga leve aro 15, computador de bordo e alarme por R$ 48.950. Catálogo 1 de opcionais adiciona freios com ABS com assistência em rampas e controle eletrônico de estabilidade, airbag duplo e sistema Sync em português por R$ 51.950. Catálogo 2 adiciona airbags laterais, de cortina e de joelho, acabamento em couro, roda de liga leve aro 16, retrovisores externos com luzes indicadores, aquecedor e eliminador de ponto cego, lanternas em led em molduras cromadas no para-choque por R$ 54.950.



Prós:

# Sistemas de segurança.
# Acabamento.
# Dirigibilidade.

Contras:

# Visibilidade traseira
# Preço.



Ponto a ponto

Desempenho – A versão hatch alivia o Fiesta em apenas 17 kg e não mostra ganho de desempenho significativo em relação ao sedã. Com uma relação peso/potência em torno de 10 kg/cv, sem passageiros, o comportamento do carro fica dentro do esperado. Arranca com vigor e acelera decentemente, mas nada que se traduza em um comportamento muito esportivo. O motor Sigma, de 110/115 cv e 15,8/16,2 kgfm, tem uma curva de funcionamento bem equilibrada, que não deixa buracos em baixas ou médias rotações. Nota 7.

Estabilidade – A redução de 35 cm no comprimento e a maior centralização do peso torna o hatch, naturalmente, um pouco mais estável que o sedã. A suspensão tem um acerto mais firme e o modelo se mostrou bem neutro: não mergulha nas freadas, não empina nas arrancadas e quase não apresenta rolagem lateral. Nota 7.

Interatividade – Os comandos estão nos lugares previsíveis e os instrumentos têm fácil leitura. Mas o computador de bordo é meio acanhado e o sistema de regulagem por alavanca para os bancos, um tanto tosco. Por outro lado, o volante tem uma regulagem de boa amplitude. A visibilidade traseira é bem comprometida pelo diminuto tamanho das janelas. Os comandos do sistema de mídia, no console central, são prolixos e confusos. Salva-se, porém, o sistema Sync em português, que aceita ordens vocais. Nota 8.

Consumo – Segundo a Ford, o novo Fiesta hatch faz 12,1 km/l com gasolina e 8,2 km/l com etanol, em ciclo misto. Um número razoável para um hatch compacto. Nota 7.

Conforto – Os bancos dianteiros são bem confortáveis, sem serem excessivamente moles. Já a suspensão tem boa rigidez, sem ser muito dura – filtra bem as irregularidades, assim como o isolamento acústico filtra bem os sons externos. Atrás, pessoas muito altas vão ficar espremidas tanto pelo teto baixo. Ali, apenas dois adultos e uma criança conseguem se acomodar para um viagem não muito longa, mas o espaço geral é bom para um compacto. Nota 8.

Tecnologia – A eletrônica embarcada é o principal atrativo do novo Fiesta. Principalmente no que diz respeito à segurança. O modelo completo conta com sete airbags, ABS com hill holder e controle de estabilidade, direção elétrica progressiva, que anula vibrações e desníveis – o que reduz o cansaço de quem dirige – e retrovisor externo com aquecimento. A plataforma do Fiesta, lançado em 2008, é moderna e tem ótimos níveis de rigidez torcional. Além de tudo, ainda tem o sistema Sync, que tem boa capacidade conectiva e aceita comandos vocais. Nota 9.

Habitabilidade – O interior do hatch tem porta-copos e porta-trecos no console, no apoio de braços e no painel das portas. O acesso ao interior é bom para quem vai na frente, mas exige um pequeno contorcionismo de quem vai atrás, para desviar do forte decaimento do teto. O porta-malas, de 290 litros, é bem razoável para o segmento. Nota 7.

Acabamento – A Ford buscou desenhar um interior bem "tecnológico" para o Fiesta. Por isso, há uma profusão de detalhes prateados, variedade de texturas e volumes. A parte superior do console frontal é em superfície emborrachada, mas há também plásticos rígidos lisos e texturizados, além do revestimento predominante – couro ou tecido – em pequenos painéis nas portas. Tudo com peças bem acabadas e encaixadas. Além disso, há detalhes simpáticos, como luzes de leitura individual para os passageiros do banco de trás. Nota 8.

Design – É o ponto mais forte do Fiesta hatch e, provavelmente, será seu maior "argumento" de vendas. Tem linhas modernas, com muitas reentrâncias e desníveis , que criam um movimento de luz muito interessante. O perfil, meio "pulgão", é simpático, ousado e passa a sensação de robustez. Nota 9.

Custo/Benefício – O preço do Fiesta hatch já o coloca em confronto com modelos de categoria superior, com melhor acabamento, mais espaço e mais motor. A Ford se apóia na profusão de itens tecnológicos, mas ainda assim, o Fiesta continua sendo um compacto. Nota 6.

Total – O novo Fiesta hatch somou 76 em 100 pontos possíveis.



Primeiras impressões

Companheiro de viagem

Aldeia da Serra/São Paulo – As linhas ousadas e enfezadas do New Fiesta podem até insinuar que, posto em movimento, trata-se um carro arrisco. Não é bem isso. Mas também não o outro. Ou seja, não é um compacto pouco suscetível às pressões no acelerador. O desenho que a Ford fez para a versão brasileira do seu compacto mundial é bem equilibrado. Tem vigor, mas não é nervoso. Desde os 2 mil giros, o carrinho já mostra boa disposição. O giro sobe devagar, mas de forma harmônica, sem falhas ou buracos. Quando confrontado com uma condução mais esportiva, o controle eletrônico de estabilidade logo trata de marcar presença. Primeiro, pisca a tradicional luz-espia com o desenho de um carro desgovernado. Depois, em caso de insistência, ataca diretamente no motor, para cortar potência.

Por outro lado, o acerto de suspensão não privilegia o conforto como seria de se esperar em um carro mais comportado. Ela até filtra pequenas irregularidades da pista, mas, de maneira geral, é rígida. O lado bom é que evita o rolling, mesmo em curvas mais fechadas. Talvez para compensar este jeitão europeu, principalmente para o consumidor americano, os bancos dianteiros são amplos e macios. Todo o interior, apesar de pequeno, segue a lógica: há porta-copos e porta-objetos em cada oportunidade. Até o sistema Sync endossa essa filosofia, que torna o carro uma extensão da própria casa. Pelo comandos vocais e conectividade, a ideia é otimizar o tempo de quem perde horas no trânsito. Ele é capaz de escrever uma mensagem ditada, ler e-mails recebido em voz alta ou atender a uma ordem de telefonar para determinada pessoa.

Já o acabamento do novo Fiesta chama a atenção por uma certa ambivalência: é bom para um compacto, mas não para um carro que custa mais de R$ 50 mil. Os materiais não impressionam, mas os encaixes são bons. No caso do modelo com acabamento em couro, o revestimento dos bancos é de muito bom gosto, com frisos brancos nas costuras. Mas pouco tem a ver com o aspecto futurista dos demais detalhes internos, com muitas peças pintadas de prata.

Não deixe de ver: A história dos 35 anos do Fiesta

Veja também: Ford New Fieta hatch já roda na Argentina

 

 

 

TRÂNSITO LIVRE

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Comentários

Existem 4 comentários
#1 - Clodoaldo André Espanhol
30/09/2011 - 22:47

R$ 48.950,00 a Ford está louca. Não vai vender nada, vai encalhar como o sedã. Antes quando lançavam um carro hatch o sedã que normalmente vinha depois sempre custava uns 3.000,00 a mais, agora este custa somente 1.000,00 a menos que o sedã. Façam um boicote as 4 grandes (Ford, VW, Fiat e GM) pois elas tratam o brasileiro como idiota. Este carro não deveria custar mais do que R$ 45.000,00. VAI ENCALHAR NAS VENDAS.

#2 - Fernando Paes
01/10/2011 - 00:30

Carro pequeno, montadora para mim, pouco confiável e caríssimo. Mil vezes melhor é comprar um Sentra da Nissan. Também mexicano, excelente automóvel, tecnologia japonesa, 2.0, ótimo porta malas e com ítens de segurança desejados por todos. Esse fordinho, tal qual o sedan, também gostará de ficar na loja por muito tempo!!!!! Só trouxa para dar 55 mil num carro desses. Mas, como em nosso País há bastante, talvez até venda bem!!!!!!!!!!!!!!!

#3 - davi
02/10/2011 - 01:03

Custa R$ 30.000,00 no México e R$ 55.000,00 aqui.

#4 - Oswaldo Fernandes
02/10/2011 - 15:18

Eu já acho que quem compra um Nissan no Brasil é que é o verdadeiro trouxa. Basta ver o preço das revisões. Que adianta ser mais barato e ter garantia de 5 anos(como a Hiunday) se o valor das revisões é 3 vezes maior do que os GM-Fiat-Ford-VW. Renault-Nissan-Hiunday-Kia-Peugeot são carros com preço de "médios e populares", razoavelmente equipados, mas com manutenção proporcionalmente comparável a de AUDI-Mercedes-BMW. Uma primeira revisão de I30 chegou a custas 1300 reais. Depois fizeram promoções dando gratuidade nas duas primeiras, mas como são cinco anos de garantia, sobram 8 revisões.Ou seja: aproximadamente 11.000 reais. A política de preços da Hiunday também é maluca. Quando chegaram no país Azera custava 98.000, Santa Fé 130.000 e Vera Cruz 160.000. Hoje, na tabela, saem por 78.000, 99.000 e 130.000. Imagine o sujeito que comprou nos preços anteriores. Tenho minhas críticas as quatro grandes, inclusive tb acho que o Fiesta deveria custar por volta de 45.000, incluindo Air Bag e ABS e excluindo esse sistema de voz, que poderia ser opcional. Mas quanto ao nível de assistência, em termos de preços de revisão e peças e preço de revenda, não tem como comparar(só tem o mesmo nível a Honda e a Toyota, porém esses carros de montadoras japonesas são bem caros pelos equipamentos que oferecem). Tenho uma colega que está sem seu segundo Peugeot 307 e ela diz: tem que ficar 3 anos e no máximo 60.000Km, depois disso é um carro de 30.000 ou menos, com peças custando preço de AUDI-Mercedes-BMW. O dia que essas montadoras aprenderem com as 4 grandes como fazer uma assistência técnica e reposição peças não exploratórias, elas terão carros no mesmo nível de preços da Ford-GM-VW-Fiat(e também Honda e Toyota). Não existe almoço grátis.

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