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A coceira dos dezessete

27/07/2009 00:00  - Fotos: Arquivo Pessoal
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A espera pela habilitação mexe com a cabeça de muitos jovens

por Julio Cabral
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Para muitos jovens, a Carteira Nacional de Habilitação ainda é um grande “objeto de desejo”. A promessa de uma sensação de liberdade para ir e vir e o próprio glamour dos automóveis acrescentam uma carga extra de sedução. Uma “fixação” que muitas vezes acompanha o jovem desde a infância. “É um sonho que alimento desde os seis anos. Mas sou fanático por carros e motores desde que tinha três anos”, contabiliza o estudante Henrique Steigenberg, de Rolândia, no interior do Paraná, que completou 18 anos este mês e se prepara para o vestibular.

A maior facilidade de locomoção e a perspectiva de se livrar do famigerado transporte coletivo – que no Brasil, em geral, impõe desconforto, horários incertos e itinerários rígidos – é, de longe, a motivação mais citada pelos jovens participantes. “O desejo de poder dirigir aumentou lá pelos 14 anos, quando comecei a andar mais de ônibus. Às vezes o percurso leva uma hora, contra vinte minutos de carro. Com a carteira na mão, vou até poder dormir mais um pouco, sair mais tarde”, sonha o universitário Renan Cavalcanti, 18 anos, morador de Petrópolis, Rio de Janeiro, prestes a tentar a prova prática.

Mas a vontade de colocar as mãos na “carteira” o mais rápido possível é freada pelo Código de Trânsito Brasileiro, que determina que apenas pessoas “imputáveis penalmente” – maiores de 18 anos – podem ingressar no curso para obtenção da permissão para dirigir. Mesmo que seja apenas na parte teórica. "Na aula teórica você não está dirigindo, apenas aprendendo para quando você completar 18 anos fazer a aula prática. Você não coloca ninguém em risco, apenas o seu orgulho. Ou seja, com 17 anos a aula teórica poderia ser liberada", contesta o ansioso Marlon Jardim, de 17 anos, estudante técnico do Rio de Janeiro, capital.


Marlon Jardim: "Na teoria você não coloca ninguém em risco, apenas o seu orgulho"

A idade não é o único limitador ao desejo de assumir legalmente o comando do volante pelas ruas do país. O custo para obter habilitação também restringe o desejo comum à “galera”.  O valor do curso, que nem sempre inclui as taxas do Detran ou os exames, circula, em média, entre R$ 500 e R$ 900.

Por isso, as economias também fazem parte dos planos enquanto o momento de tirar a permissão para dirigir não chega. “É até engraçado, como uma contagem regressiva dia a dia até o meu aniversário. Para combater essa espera, eu junto dinheiro e termino um projeto de som para o carro da minha mãe enquanto não compro o meu”, conta Rafael Bueno, de 17 anos, de Ivaiporã, Paraná.

O desejo de guiar pode ser “anestesiado” também por outras ocupações típicas da idade. "Essa ansiedade eu combato com outras distrações, como o vestibular. E a proximidade dos 18 anos e da auto-escola já ajuda", garante Julia Borges, de 17 anos, do Rio de Janeiro. É claro que nem sempre isso é suficiente. "Mesmo com o vestibular tem o período de férias, quando fico me perguntando quando é que poderei experimentar a sensação de dirigir por aí", questiona a também carioca Alana Maganha, de 17 anos.


Julia Borges se distrai com outras ocupações da idade

Muitas vezes, a ansiedade se torna incontrolável. E o resultado acaba sendo uma infração precoce. Foi o caso de Augusto Silva – nome fictício –, de Recife, Pernambuco, agora com 27 anos, que na época em que estava para receber a sua habilitação acabou se envolvendo em um acidente ao dar uma volta no carro do pai. “Aproveitei que meus pais haviam viajado para ir à praia de carro com a minha namorada. No caminho, ultrapassei um semáforo vermelho e um guarda veio em minha direção e mandou encostar. Acabei acelerando o carro e atropelando o próprio guarda. Claro que, ao se levantar, ele pediu logo os documentos. No final, meio incrédulo, acabou me liberando com a presença do pai da minha namorada, que levou o carro até em casa”, relembra Augusto.

Mas nem sempre as aventuras ao volante ocorrem sem que os pais saibam. Entre alguns jovens, são comuns os relatos de pais que “liberam” o automóvel mesmo sem habilitação. “Eu não conto os dias para a maioridade, pois toda a semana eu pego o carro”, admite Adriano Cezar – nome fictício –, de 16 anos, de Limeira, interior de São Paulo.

Para minimizar ou evitar danos e não dar chance para o azar – e ser multado –, muitas vezes a “condução sub-18” é  realizada em uma propriedade fechada. Como uma fazenda,  sem outras pessoas ou veículos em volta. “Quando eu tinha uns 11 anos, o meu pai me deixou guiar no colo dele em um campo de futebol. Passávamos pelas traves, que não tinham rede”, recorda a carioca Alana Maganha.

Há também os que se divertem por outros caminhos. Para os que querem partir para “terapias alternativas”, há sempre opções de viver em parte a experiência da direção sem cometer nenhuma infração. “Como eu já tinha essa vontade desde pequeno, mas não podia, o jeito foi apelar para o kart. É uma maneira de ver como o carro reage aos seus comandos”, exemplifica Vinícius Ferreira Dias, de 18 anos, vestibulando do Rio de Janeiro que já faz aulas práticas na auto-escola. E, sempre há a saída do mundo eletrônico, em que games simulam aproximadamente a sensação de direção. "Eu saio jogando videogames, estilo GTA, Need for Speed, além de outros. É uma forma de distração e me tranquiliza para a prova prática", receita o petropolitano Renan Cavalcanti.

O que diz a lei
Segundo a lei, para se tirar a Carteira de Habilitação categoria B – carros de passeio – é necessário:

1) Atender aos seguintes requisitos:
Ser maior de idade
Ser alfabetizado
Possuir Carteira de Identidade
Possuir CPF – Cadastro Nacional de Pessoas Físicas

2) Passar por exames médico e psicológico – psicotécnico.

3) Assistir em um Centro de Formação de Condutores a 45 horas-aula teóricas – cada aula equivale a 50 minutos –, divididas em:
18 horas sobre legislação
16 horas sobre direção defensiva
quatro horas de primeiros socorros
quatro horas sobre Proteção e Respeito ao Meio Ambiente e de Convívio Social no Trânsito
três horas sobre o funcionamento de veículos

4) Passar por exame teórico composto por 30 questões tipo Certo e Errado e obter, no mínimo, 21 acertos.

5) Curso prático de direção com 20 horas-aula.

6) Avaliação prática

7) Após ser aprovado, o candidato recebe a Permissão para Dirigir. Se o recém-habilitado passar um ano sem ter sido multado por qualquer infração gravíssima ou grave, ou ter reincidido em infração média, a permissão é trocada pela Carteira Nacional de Habilitação. A Permissão não faz restrições aos locais onde os condutores podem dirigir.

TRÂNSITO LIVRE

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